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Maranhão tem a primeira fábrica autorizada a exportar bexiga de peixe, segundo o Sebrae: a empresa fatura R$ 600 mil por mês, prepara a terceira carga à Ásia e levou oito anos para conseguir a licença

Maranhão tem a primeira fábrica autorizada a exportar bexiga de peixe, segundo o Sebrae: a empresa fatura R$ 600 mil por mês, prepara a terceira carga à Ásia e levou oito anos para conseguir a licença

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Maranhão tem a primeira fábrica autorizada a exportar bexiga de peixe, segundo o Sebrae: a empresa fatura R$ 600 mil por mês, prepara a terceira carga à Ásia e levou oito anos para conseguir a licença

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 06/11/2026 às 23:36

Atualizado em 06/11/2026 às 23:37

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Geanilton Fernandes, proprietário da Kauan Pescados, busca ampliar os negócios da empresa no mercado chinês. Foto: Sebrae/Divulgação

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A bexiga de peixe seca, o grude vendido para sopas e cosméticos na Ásia, vale de 50 a 75 vezes o próprio peixe, na conta feita com o preço citado por um pescador maranhense, e a Kauan Pescados ainda esbarra na logística e na sobrepesca

A Kauan Pescados, de São José de Ribamar, é, de acordo com o Sebrae Maranhão, a primeira empresa do estado autorizada a exportar bexiga de peixe, com faturamento mensal de R$ 600 mil e a terceira remessa em preparação. O negócio nasceu do trabalho de comprador de Geanilton Fernandes, que aprendeu a secar o produto com um tio há cerca de 15 anos.

A licença custou caro em tempo. “Foram oito anos de muita luta” até a autorização, disse o empresário ao Movimento Econômico. A fábrica funciona na cidade há mais ou menos esse período, e o direito de vender com o próprio nome só saiu depois da adequação às exigências sanitárias.

O que é a bexiga de peixe que a Kauan Pescados vende para a Ásia?

É um órgão em forma de bolsa, cheio de gás. A bexiga natatória regula a flutuação do animal e ajuda a poupar energia no nado, como explica reportagem do UOL. Na mesa dos brasileiros o produto é pouco conhecido, e é aí que o negócio fica curioso.

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Depois de retirada, limpa e desidratada, ela muda de nome no setor e vira grude. Na China e em países vizinhos, entra em sopas tradicionais e abastece a indústria de dermocosméticos.

A fama vai além da panela. Consumidores na China, no Vietnã e em Hong Kong consideram o produto, rico em colágeno, um “elixir da longevidade”, registrou a Gazeta do Povo em dezembro de 2025. Na mesma reportagem, Claudio Botelho Cavalcante, presidente do Sindicato dos Pequenos e Médios Armadores de Pesca dos Estados do Pará e Amapá, resume o espanto de quem vive disso: “Ainda é um mistério para nós por que o produto atinge um valor tão alto”.

A aposta de Geanilton é a pescada-amarela. “A bexiga natatória dessa espécie tem uma qualidade muito boa e é bastante valorizada no mercado internacional”, afirmou ele ao Sebrae Maranhão.

Quanto vale o quilo do grude de pescada-amarela?

O preço muda com tamanho, espécie e qualidade da secagem, e chega a milhares de reais por quilo em certas categorias. A cotação citada por Cavalcante à Gazeta do Povo ia de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil.

Bexiga natatória de pescada-amarela seca, o produto que o setor chama de grude. Foto: Sebrae/Divulgação

Na ponta da pesca, a diferença assusta. O pescador Benjamin Benedito, de 36 anos, morador de Porto Rico (MA), relatou à mesma reportagem que chega a vender o quilo do grude por R$ 1,5 mil. O quilo do peixe sai entre R$ 20 e R$ 30. Pela conta, um quilo de bexiga de peixe seca vale de 50 a 75 quilos de pescado.

ItemValorDe onde vemQuilo do grude de pescada-amarelaR$ 2,5 mil a R$ 3 milSindicato dos armadores, dezembro de 2025Quilo do grude vendido por pescador de Porto Rico (MA)até R$ 1,5 milRelato à Gazeta do PovoQuilo do peixe, no mesmo relatoR$ 20 a R$ 30Relato à Gazeta do PovoQuantas vezes o grude vale o peixe50 a 75Conta da matériaFaturamento mensal da Kauan PescadosR$ 600 milSebrae MaranhãoO mesmo ritmo por 12 mesesR$ 7,2 milhõesConta da matériaR$ 600 mil convertidos em quilos, na cotação do sindicato200 a 240 kgConta da matéria

A última linha é só uma régua de escala. Faturamento não é lucro: é o dinheiro que entra antes das despesas. E os R$ 600 mil são da fábrica no mês, não o valor de uma carga.

O peso do setor também aparece nos dados do Ministério da Pesca e Aquicultura citados pela Gazeta do Povo: 628,4 toneladas de grude exportadas em 2024, por US$ 21,2 milhões. Dá perto de US$ 34 por quilo na média, bem abaixo da cotação do sindicato. A média junta todo o grude declarado no ano, enquanto a cotação fala da pescada-amarela.

Por que a licença para exportar bexiga natatória demorou oito anos?

Porque não bastava ter o produto. Durante anos, o grude do pescado maranhense saiu do estado pelas mãos de empresas de fora, sobretudo do Pará, que concentravam as exportações. Sem indústria local habilitada, quem trabalhava no Maranhão vendia a compradores e intermediários. Geanilton conhecia esse caminho por dentro, porque foi comprador.

Geanilton Fernandes na entrada da fábrica da Kauan Pescados, em São José de Ribamar, no Maranhão. Foto: Sebrae/Divulgação

“Durante muito tempo, esse produto saía do nosso estado para ser comercializado por empresas de fora”, afirmou ao Sebrae. A virada dependia de transformar a atividade em indústria regularizada.

Existe um motivo prático para isso. Sandra Silvestre, diretora do Departamento de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva do Ministério da Pesca, disse à Gazeta do Povo que a venda da bexiga natatória seca para fins alimentícios só é permitida quando a secagem é feita pela própria indústria. Secar bem não era suficiente: faltava a fábrica fazer esse processo dentro da regra.

QuandoO que aconteceuCerca de 15 anos atrásGeanilton aprende com um tio a secar a bexiga de peixeDepois dissoAtua como comprador do produto no MaranhãoCerca de 8 anos atrásFábrica se instala em São José de RibamarCerca de 7 anos atrásSebrae passa a acompanhar a empresaNovembro de 2026Kauan Pescados prepara a terceira remessa à ÁsiaA partir de 2027Trabalho técnico mira Japão e Coreia do Sul

Pelo Sebraetec, programa de consultoria tecnológica do Sebrae, a fábrica adequou a estrutura física e os processos de venda e exportação, relatou o Movimento Econômico. A bexiga de peixe seguiu sendo a mesma. O que mudou foi quem assina a venda.

O que ainda trava a Kauan Pescados depois da licença?

O problema agora é a carga. Mesmo autorizada, a empresa usa logística de outros estados em parte das operações, porque a oferta de fiscalização e liberação compatível com as exigências sanitárias e aduaneiras pesa na escolha da rota.

Interior da indústria, que passou por adequações para atender às exigências da exportação. Foto: Sebrae/Divulgação

“Nós temos o produto, temos a indústria e estamos buscando ampliar nossos mercados, mas ainda enfrentamos dificuldades para exportar diretamente do Maranhão”, afirmou o empresário. Ou seja: a licença tirou o intermediário do papel, mas parte do trajeto continua fora do estado.

Há ainda quem encurte a cadeia pelo outro lado. “Hoje, os chineses vão direto nos barcos para negociar com os pescadores”, disse Cavalcante à Gazeta do Povo. Quem compra bexiga de peixe para exportar disputa a mercadoria com o próprio comprador final.

Por que a pescada-amarela preocupa quem vive do grude?

Porque a fonte tem limite. Sandra Silvestre disse à Gazeta do Povo que os estoques da pescada-amarela apresentam sinais de sobrepesca. Dados do projeto Repensapesca indicam biomassa abaixo do nível considerado seguro, com retirada mais rápida do que a reposição natural.

A espécie não tem regra exclusiva. É controlada pelas normas das modalidades de captura, como redes de emalhe e de arrasto. E não existe programa completo de rastreabilidade do desembarque ao comércio final, ainda de acordo com a diretora.

Para um negócio que começou com um tio ensinando a secar bexiga de peixe e virou indústria, esse é o número a acompanhar nos próximos anos.

Para onde a Kauan Pescados quer ir depois da China?

Primeiro, para dentro de casa. Além da bexiga natatória, a empresa quer usar a mesma fábrica regularizada para vender carne de pescado no mercado interno, a consumidores e comércios. A carteira de produtos também deve crescer, e isso pode abrir espaço para pescadores e fornecedores, desde que exista estrutura de processamento, conservação e transporte.

Depois, o plano mira mais longe. A partir de 2027, o trabalho técnico do Sebrae busca compradores no Japão e na Coreia do Sul, informou o gerente da Unidade Metropolitana do Sebrae Maranhão, Vicente Bastos.

Geanilton resume o caminho em uma palavra. “Eu acredito que a persistência fez com que chegássemos aonde chegamos hoje”, afirmou ele ao Sebrae Maranhão. A próxima prova é a terceira remessa de grude cruzar o oceano com o nome da Kauan Pescados na caixa.

Tags

bexiga natatória, bexiga de peixe, grude, pescada-amarela, Kauan Pescados, Maranhão, São José de Ribamar, exportação, Sebrae, China


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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