Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Moradores do Nova Campo Grande que reclamam há cerca de 14 anos do mau cheiro do frigorífico da JBS esperam uma perícia que pode destravar mais de 200 ações de indenização

Moradores do Nova Campo Grande que reclamam há cerca de 14 anos do mau cheiro do frigorífico da JBS esperam uma perícia que pode destravar mais de 200 ações de indenização

Faça um comentário

5 min de leitura

Moradores do Nova Campo Grande que reclamam há cerca de 14 anos do mau cheiro do frigorífico da JBS esperam uma perícia que pode destravar mais de 200 ações de indenização

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 04/11/2026 às 23:20

Atualizado em 04/11/2026 às 23:24

Curiosidades

Grupo

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Quem mora no bairro Nova Campo Grande, na saída da capital sul-mato-grossense para Terenos, convive há cerca de 14 anos com o cheiro atribuído ao frigorífico da JBS, e agora uma perícia judicial vai dizer de onde vem o odor, até onde ele chega e se as medidas da empresa bastam, num laudo que pode destravar mais de 200 pedidos de indenização.

A perícia faz parte da ação civil pública movida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) contra a unidade. O andamento foi publicado na segunda-feira (2) pelo Blog do Nélio.

O laudo vai servir de base para a decisão da Justiça na ação coletiva. E, a partir dela, pode permitir a retomada de mais de 200 processos individuais de moradores que pedem reparação.

As ações dos vizinhos estão paradas à espera da ação coletiva.

Os pedidos individuais de indenização estão suspensos até o julgamento da demanda do Ministério Público. A paralisação seguiu um entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre processos individuais ligados a uma ação coletiva que discute o mesmo assunto.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Na prática, quem entrou na Justiça sozinho precisa esperar. O resultado da ação do MPMS, com o laudo no centro, vai pesar sobre o destino de cada um desses processos.

Dá pra entender a ansiedade dos vizinhos: a perícia virou a peça mais importante da disputa.

Campo Grande (MS), onde moradores processam a JBS pelo mau cheiro, imagem ilustrativa. Foto: Rodrigo Santos / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

A promotora mandou perguntas para guiar o trabalho do perito.

Para orientar a perícia, a promotora de Justiça Luz Marina Borges Maciel Pinheiro apresentou uma série de perguntas ao processo. São os quesitos que o perito terá de responder no laudo.

Os questionamentos buscam identificar as fontes do mau cheiro, esclarecer como ele se espalha pelo bairro e avaliar os efeitos sobre a rotina de quem vive nas proximidades da planta.

O perito também deverá verificar se as medidas que a JBS afirma ter adotado são suficientes para controlar os odores. É esse ponto que separa uma empresa que já agiu de uma que precisa fazer mais.

A Justiça inverteu o ônus da prova contra o frigorífico.

Um detalhe processual pesa muito nesse caso. A Justiça inverteu o ônus da prova e atribuiu ao frigorífico a obrigação de demonstrar que não é responsável pelo forte odor relatado no bairro.

Normalmente, cabe a quem acusa provar o dano. Com a inversão, a lógica muda: é a JBS que precisa mostrar, com dados, que o cheiro não sai da sua unidade ou que está dentro das normas.

Foi depois dessa decisão que a empresa fez um pedido novo à Justiça.

A JBS quer instalar sensores eletroquímicos dentro da planta.

Além da perícia, a Justiça analisa um pedido da JBS para instalar sensores eletroquímicos de alta sensibilidade na planta industrial, localizada na saída para Terenos.

Segundo a defesa da empresa, os equipamentos poderão fornecer dados científicos e objetivos para demonstrar que a unidade cumpre as normas ambientais.

Para os moradores, a questão é quem controla essa medição. Um sensor instalado pelo próprio frigorífico e um laudo de perito nomeado pela Justiça podem chegar a números diferentes, e o processo terá de lidar com os dois.

Bairro de Campo Grande (MS), imagem ilustrativa. Foto: Rodrigo Santos / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Na conciliação de agosto, a empresa não ofereceu acordo.

O conflito já passou por uma tentativa de conciliação em agosto, entre a empresa e os moradores que buscam reparação. Na audiência, a JBS não apresentou proposta de acordo.

Na ocasião, os advogados do frigorífico argumentaram que os processos ainda estavam em fases iniciais e dependiam de provas, de perícias e da apresentação de outros documentos.

A perícia que agora começa a ser desenhada é, justamente, uma dessas provas que a empresa disse faltar.

Antes da ação, a JBS recusou um novo acordo com o Ministério Público.

O caminho até a Justiça passou por um inquérito civil conduzido pelo MPMS. Durante essa apuração, a empresa recusou a assinatura de um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

O TAC estabeleceria compromissos para a adoção de medidas destinadas a resolver o problema. Sem ele, o Ministério Público levou o caso ao Judiciário na forma de ação coletiva.

A JBS lidera o ranking das maiores empresas do agronegócio brasileiro e, como mostramos no fim de outubro, faturou R$ 480,58 bilhões em 2025, à frente de MBRF e Cargill.

O que o laudo decidir pesa sobre mais de 200 processos de uma vez.

A conta dos moradores depende de uma resposta técnica. Se o perito ligar o odor à planta e apontar medidas insuficientes, as ações individuais ganham uma prova pronta para seguir.

Se o laudo for favorável à empresa, os mais de 200 processos perdem força. É por isso que a lista de perguntas da promotora e o pedido dos sensores viraram, ao mesmo tempo, o centro da briga.

Não há prazo divulgado para a conclusão da perícia.

Você moraria perto de um frigorífico se o preço da casa compensasse, ou o cheiro pesaria mais na decisão?

Tags

Fonte

Perícia sobre mau cheiro da JBS pode destravar ações de indenização em Campo Grande


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

Sair da versão mobile