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Mosaic paralisou minas e fábricas de fosfato em Araxá, Patrocínio, Tapira e Catalão, trocou lucro operacional de US$ 96 milhões por prejuízo de US$ 21 milhões no Brasil e sindicato calcula 800 terceirizados demitidos só em Patrocínio

Mosaic paralisou minas e fábricas de fosfato em Araxá, Patrocínio, Tapira e Catalão, trocou lucro operacional de US$ 96 milhões por prejuízo de US$ 21 milhões no Brasil e sindicato calcula 800 terceirizados demitidos só em Patrocínio

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Mosaic paralisou minas e fábricas de fosfato em Araxá, Patrocínio, Tapira e Catalão, trocou lucro operacional de US$ 96 milhões por prejuízo de US$ 21 milhões no Brasil e sindicato calcula 800 terceirizados demitidos só em Patrocínio

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 06/11/2026 às 23:53

Mineração

Grupo

Complexo da Mosaic Fertilizantes em Araxá (MG), em foto de divulgação; a unidade está paralisada desde abril de 2026. Foto: Assessoria de comunicação Mosaic/Divulgação

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O balanço do terceiro trimestre de 2026 mostra quanto a falta de enxofre custou à operação brasileira da Mosaic: o que parou em cada cidade de Minas e Goiás, os empregos atingidos e a conta que chega ao adubo.

Mina parada em Patrocínio, fábrica em hibernação em Uberaba, contrato suspenso em Catalão. Agora essa lista virou número de balanço. A Mosaic Fertilizantes teve prejuízo operacional de US$ 21 milhões no terceiro trimestre de 2026, contra lucro de US$ 96 milhões no mesmo período de 2025, conforme os números do Brasil publicados pela AgFeed em 4 de novembro.

A virada soma US$ 117 milhões em um ano. No grupo inteiro, o resultado trimestral da The Mosaic Company, divulgado em 3 de novembro, traz receita de US$ 3,1 bilhões e prejuízo líquido de US$ 72 milhões.

A explicação da empresa para as paradas cabe em uma palavra: enxofre. É a matéria-prima que transforma o minério de fosfato em adubo. Sem ela a preço possível, a Mosaic foi desligando parte da produção brasileira por etapas ao longo de 2026, e cada etapa caiu sobre uma cidade com nome e endereço.

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O que a Mosaic parou em cada cidade de Minas e Goiás?

A sequência começou em abril, com Araxá e a mineração em Patrocínio, um corte de cerca de 1 milhão de toneladas por ano. O jornal O Tempo informou que o volume equivale a 27% da capacidade da Mosaic no Brasil. Em julho, a lista cresceu.

CidadeO que aconteceuTrabalhadores, segundo quem informaAraxá (MG)Complexo paralisado e em desmobilização desde abril, com intenção de vendaSindicato estimou em abril mais de 1.200 demissões até julho, entre fixos e terceirizadosPatrocínio (MG)Mineração de fosfato suspensa desde abrilSindicato calcula 800 terceirizados demitidos, além de cerca de 30 da própria MosaicTapira (MG)Mina suspensa em 1º de junho por 30 dias, com parada estendida em julhoQuase 500 em lay-off somando Tapira e Uberaba, de acordo com a AgFeedUberaba (MG)Hibernação gradual do complexo industrial a partir de setembroIncluída na conta de TapiraCatalão (GO)Mineração parada e unidade de mistura interrompida22 demitidos na mistura; lay-off acordado para a unidade com cerca de 650 empregos diretos

O número de Araxá saiu do presidente do sindicato de Araxá, Vicente Magalhães, ao g1. Já o de Patrocínio apareceu em setembro, em reportagem da AgFeed sobre o adubo fosfatado, que tratou a cidade como o caso mais grave.

Tapira mostra como a parada foi mudando de tamanho. Em junho, a prefeitura ouviu da empresa que não haveria demissões, e os operários iriam para a manutenção durante os 30 dias de suspensão da mina. Os 30 dias passaram, a parada foi estendida e, em setembro, o contrato suspenso já aparecia na conta.

Parte da operação seguiu de pé. Em julho, a Mosaic informou ao Jornal da Manhã que o porto da Fospar, em Paranaguá (PR), seguiria operando e que Cajati (SP) continuaria com enxofre importado.

Procurada pela CNN Brasil, a Mosaic disse que não abre números sobre a força de trabalho e não confirmou as estimativas de fontes e sindicatos. Os números de emprego que circulam vêm de sindicatos e reportagens, não da empresa.

O que recebe quem foi demitido ou teve o contrato suspenso pela Mosaic?

Catalão virou o retrato do trabalhador nessa crise. O presidente do sindicato Metabase, Danilo Cândido Pereira, afirmou que os 22 demitidos da mistura tiveram três meses de plano de saúde, um salário adicional na rescisão e prioridade se a produção voltar, relatou o Diário de Goiás com base no jornal O Popular.

Operação da Mosaic, em foto usada pelo Diário de Goiás na reportagem sobre a paralisação em Catalão. Foto: Reprodução/Divulgação Mosaic

Na unidade Chapadão, cerca de 650 empregos entraram na negociação. O sindicato anunciou em 28 de julho um acordo de lay-off com a Mosaic, a suspensão do contrato de dois a cinco meses.

Nesse período, o trabalhador faz curso de qualificação, recebe bolsa do Fundo de Amparo ao Trabalhador e uma ajuda compensatória paga pela empresa. Plano de saúde e auxílio-alimentação continuam.

Faça a conta do calendário: com o teto de cinco meses, esse prazo acaba perto da virada do ano. O sindicato disse esperar a volta da produção antes disso.

Em setembro, fontes ouvidas pela CNN Brasil falaram em cerca de 650 demissões em Catalão, versão que a empresa não confirmou. Na mesma reportagem, a Mosaic afirmou que o lay-off é “uma alternativa temporária para preservar postos de trabalho”.

Em Araxá e Patrocínio o acordo foi outro, porque ali houve desligamento. Um sindicato local relatou à emissora indenização de três salários-base, além das verbas legais, plano de saúde por até seis meses e apoio para recolocação.

Por que o custo da tonelada de fosfato subiu de US$ 99 para US$ 147?

Fábrica parada continua custando. Esse é o resumo do salto. O custo de conversão dos fosfatados, o gasto para transformar matéria-prima em produto, subiu US$ 48 por tonelada em um ano, alta de 48%, de acordo com o balanço detalhado pela AgFeed.

Com menos toneladas saindo, o mesmo custo fixo se divide por um volume menor, e cada tonelada carrega mais peso. Os gastos com paralisação, manutenção e custos não absorvidos chegaram a US$ 70 milhões no trimestre, contra US$ 27 milhões um ano antes.

Mosaic Fertilizantes, 3º trimestre20252026Resultado operacionallucro de US$ 96 milhõesprejuízo de US$ 21 milhõesEbitda ajustadoUS$ 241 milhõesUS$ 41 milhõesVolume vendido no Brasil2,8 milhões de toneladas1,9 milhão de toneladasCusto de conversão dos fosfatadosUS$ 99 por toneladaUS$ 147 por tonelada

A receita da divisão caiu 21,2%, para US$ 1,25 bilhão. Além do fosfato parado, a AgFeed cita o crédito curto dos clientes brasileiros como parte da queda nas vendas. O cliente comprou menos justamente quando a fábrica produzia menos.

E a Mosaic não promete melhora imediata. A própria projeção da empresa coloca o Ebitda ajustado do Brasil no quarto trimestre abaixo dos US$ 41 milhões registrados entre julho e setembro.

Quanto enxofre entra no adubo e por que isso chega à lavoura?

A Mosaic informou ao g1 que são necessárias cerca de 4 toneladas de enxofre para cada 10 toneladas de DAP ou MAP, dois adubos fosfatados comuns.

Agora a conta na mão: com o enxofre a menos de US$ 100 a tonelada, como custava cerca de um ano antes de setembro, isso dá até US$ 40 de enxofre por tonelada de adubo. No valor de US$ 1,1 mil citado pela AgFeed em setembro, são US$ 440. Onze vezes esse valor, só de um insumo, antes de mina, frete, energia e salário.

A consequência passou da porta da Mosaic. “Todas as empresas estão chegando no seu limite”, disse Bernardo Silva, diretor executivo do Sinprifert, sindicato nacional das indústrias de matérias-primas para fertilizantes, à AgFeed em setembro.

A mesma reportagem traz a estimativa da indústria de corte acima de 50% na produção brasileira de fosfatados, a Eurochem em lay-off em Serra do Salitre (MG) e o cálculo do sindicato de 5 mil empregos em risco no setor.

Em Catalão, o diretor de comunicação do Metabase, Mário Neto, alertou que a falta de fertilizante pode elevar o custo da produção agrícola e o preço dos alimentos. O alerta é do sindicato e não vem com valor. O presidente da entidade acrescentou que a parada pesa no comércio, nos serviços e na arrecadação de Catalão e Ouvidor.

O que acontece agora com Araxá, Patrocínio e Catalão?

Cada cidade está em um ponto diferente. Araxá segue à venda, como parte da revisão de ativos da Mosaic. O Clube Notícia, com base na Módulo FM, relatou em 5 de novembro uma proposta da australiana St. George Mining, sem valor divulgado. A Mosaic disse que não comenta rumores nem negociações.

Fachada de uma unidade da Mosaic Fertilizantes, em foto de divulgação da empresa. Foto: Mosaic Fertilizantes/Divulgação

Em Patrocínio não há previsão oficial de volta da mineração de fosfato, e a empresa mantém os estudos de nióbio no município. Em Catalão, Tapira e Uberaba a Mosaic chama as medidas de temporárias e liga a retomada plena ao preço do enxofre, às rotas marítimas e à situação geopolítica.

Há um sinal a acompanhar. O grupo fechou o contrato de enxofre do quarto trimestre a US$ 615 por tonelada longa, medida de cerca de 1.016 quilos, e diz que isso ajuda o caixa. A referência não é a mesma dos US$ 1,1 mil citados em setembro, mas continua longe dos menos de US$ 100 de antes da crise.

Para quem depende dessas minas, o que conta é a data em que o portão reabre. E a própria Mosaic diz que a duração das restrições ainda é incerta.

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Mosaic, Mosaic Fertilizantes, fosfato, enxofre, fertilizantes, Araxá, Patrocínio, Tapira, Uberaba, Catalão, mineração, lay-off


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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