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Navio gigante de 111 metros é lançado com guindaste de 150 toneladas e passarela que acompanha o movimento das ondas para transferir trabalhadores em alto-mar

Navio gigante de 111 metros é lançado com guindaste de 150 toneladas e passarela que acompanha o movimento das ondas para transferir trabalhadores em alto-mar

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Navio gigante de 111 metros é lançado com guindaste de 150 toneladas e passarela que acompanha o movimento das ondas para transferir trabalhadores em alto-mar

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 02/11/2026 às 16:33

Atualizado em 02/11/2026 às 16:34

O NB985 foi lançado ao mar em 27 de outubro no estaleiro da VARD, no Vietnã. A entrega do navio de construção offshore está prevista para 2027. Foto: VARD.

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Navio offshore de 111,5 metros lançado no Vietnã terá guindaste submarino de 150 toneladas, passarela que compensa o movimento das ondas e espaço para 120 pessoas. Entenda o projeto e quando ficará pronto.

Um navio de 111,5 metros de comprimento, preparado para erguer cargas de até 150 toneladas debaixo d’água e transferir trabalhadores enquanto o mar se move, foi lançado em 27 de outubro de 2026 no Vietnã. A embarcação NB985, construída pelo estaleiro Vard Vung Tau para a norueguesa Wind Energy Construction, reúne equipamentos que vão permitir serviços de construção, manutenção e inspeção em instalações marítimas. O lançamento marca a primeira entrada do casco na água; o navio ainda será equipado e testado antes de chegar à operação comercial.

O projeto combina uma passarela que ajusta seus movimentos para conectar o navio a estruturas offshore e um guindaste submarino capaz de compensar a oscilação causada pelas ondas. Segundo a VARD, a unidade terá 22,4 metros de largura e acomodações para até 120 pessoas. Sua entrega está prevista para o segundo trimestre de 2027, depois da instalação dos sistemas de bordo e do comissionamento.

Passarela acompanha as ondas para que equipes possam atravessar entre navio e instalações offshore

Em alto-mar, aproximar um navio de uma plataforma ou de uma estrutura de parque eólico exige manter posição e controlar os movimentos provocados por vento, correntes e ondulação. Mesmo quando a embarcação está quase parada, seu convés pode subir, descer ou inclinar. A passarela chamada walk-to-work foi concebida para compensar esses movimentos e criar uma ligação mais estável para o deslocamento de profissionais autorizados.

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No NB985, o sistema será controlado eletricamente e terá compensação de movimentos em três dimensões. O projeto também prevê funcionalidade integrada de guindaste com compensação tridimensional. É justamente a instalação permanente desse conjunto em um navio de construção offshore que a VARD aponta como diferencial do modelo. Uma passarela desse tipo demanda planejamento, limites operacionais e procedimentos de segurança; sua função é tornar a transferência mais controlada nas condições para as quais foi projetada.

A combinação interessa a atividades em que especialistas precisam embarcar, desembarcar e retornar ao navio em diferentes etapas da obra. Equipes de inspeção, técnicos de manutenção e profissionais envolvidos na instalação de estruturas podem utilizar o alojamento e a infraestrutura de apoio da embarcação durante campanhas no mar.

Guindaste de 150 toneladas busca manter cargas submarinas sob controle mesmo com o navio em movimento

A outra peça de destaque é o guindaste offshore com capacidade nominal de 150 toneladas e compensação de movimento vertical, conhecida como heave compensation. Quando o navio sobe e desce acompanhando as ondas, o sistema procura reduzir a transmissão dessa oscilação à carga suspensa. Isso é particularmente importante durante operações de içamento, posicionamento e instalação de equipamentos próximos ao fundo do mar.

Em trabalhos submarinos, um movimento repentino pode dificultar o encaixe de uma estrutura, aumentar o esforço sobre cabos e comprometer a precisão da manobra. O guindaste foi especificado para apoiar obras e serviços de infraestrutura offshore, incluindo atividades ligadas a dutos e instalações submersas. A capacidade indicada pelo fabricante não determina, sozinha, o peso que poderá ser movimentado em qualquer profundidade ou condição do mar; cada operação segue parâmetros próprios de segurança e configuração.

Outra vista do NB985 durante a etapa de lançamento no Vietnã. O navio ainda passará por instalação de sistemas e testes antes da entrega. Foto: VARD, outubro de 2026.

A passarela e o guindaste submarino cumprem tarefas diferentes. Um equipamento atende à transferência de pessoal; o outro, ao manuseio de cargas pesadas. Reunidos no mesmo navio, podem permitir que uma campanha combine várias fases de uma obra marítima sem depender da chegada imediata de outra unidade especializada para cada tarefa.

O projeto também prevê hangar para robôs submarinos, heliponto e área de trabalho de 950 metros quadrados

As especificações divulgadas pela Norwind Offshore quando o navio foi contratado, em 2024, descrevem uma configuração orientada a operações complexas. Entre os elementos planejados estão 950 metros quadrados de área de convés, um hangar fechado com espaço para dois robôs submarinos operados remotamente, chamados WROVs, e um heliponto. O projeto inclui ainda uma abertura de trabalho no casco, conhecida como moonpool, e preparação para uma torre de manuseio.

O moonpool permite movimentar determinados equipamentos entre o interior da embarcação e a água por uma abertura protegida pelo próprio casco. Em embarcações especializadas, ele pode facilitar o lançamento e a recuperação de instrumentos, dependendo do arranjo escolhido. Já os robôs submarinos podem apoiar a observação de dutos, estruturas e conexões que ficam longe do alcance direto de mergulhadores.

Esses recursos ampliam o leque de missões previsto para a unidade, desde inspeção, manutenção e reparo de tubulações até instalação de infraestrutura acima e abaixo da superfície. O mercado de parques eólicos marítimos é um dos alvos comerciais do projeto, ao lado dos serviços submarinos associados ao petróleo e ao gás.

Bateria de 1 MWh e conexão elétrica no porto fazem parte do desenho do sistema de energia

O conjunto de propulsão e energia também recebeu atenção no contrato. A Vard Electro foi encarregada de fornecer equipamentos SeaQ, entre eles um sistema de armazenamento de energia de 1 megawatt-hora (MWh), conexão para receber eletricidade em porto e soluções de distribuição e controle. A armadora descreveu a concepção como híbrida, com preparação para eventual uso de metanol.

A bateria poderá ajudar a gerenciar demandas variáveis e integrar os sistemas elétricos do navio, enquanto a ligação em terra oferece uma alternativa de fornecimento de energia durante estadias em portos preparados. Essas características não significam que a embarcação já funcione exclusivamente com baterias ou que tenha começado a navegar usando metanol. A configuração definitiva dependerá da conclusão dos trabalhos e da colocação em serviço.

Na ponte de comando, a VARD prevê integração das funções de controle, comunicação e monitoramento. O planejamento inclui uma estação portátil que permite acompanhar informações operacionais em diferentes pontos de bordo. Em um navio que combina manobras precisas, equipamentos pesados e transferência de trabalhadores, manter esses sistemas conectados é parte da própria engenharia da operação.

Construção começou em 2025, casco foi lançado em 2026 e entrega está prevista para 2027

A história da embarcação começou com a encomenda firmada em agosto de 2024. O corte inicial do aço ocorreu em 6 de outubro de 2025, no estaleiro Vard Vung Tau, no Vietnã. Pouco mais de um ano depois, em 27 de outubro de 2026, o casco NB985 foi colocado na água, etapa que antecede a finalização de equipamentos, interiores, integração de sistemas e ensaios de aceitação.

A VARD faz parte do grupo italiano Fincantieri e responde pelo projeto, construção do casco, aparelhamento e entrega final. A Wind Energy Construction, compradora, é uma companhia norueguesa ligada aos fundadores e proprietários da Norwind Offshore. O pedido incluiu opção de contratação de uma segunda embarcação. O NB985 é o sexto navio contratado à VARD por esse grupo de proprietários desde 2021; os cinco anteriores eram unidades destinadas principalmente a apoiar comissionamento e serviços em instalações offshore.

O NB985 foi lançado um ano após o início da construção. A unidade terá capacidade para acomodar até 120 pessoas. Foto: VARD, outubro de 2026.

O desenho VARD 3 11 foi desenvolvido para combinar boa manutenção de posição, capacidade de manobra e comportamento no mar com espaços ajustáveis às necessidades da operação. O objetivo é atender tanto instalações de energia eólica quanto obras submarinas, dois mercados que frequentemente exigem equipamentos e profissionais altamente especializados.

O que um navio desse porte revela sobre a nova engenharia offshore e por que isso interessa ao Brasil?

Grandes campanhas no mar dependem da logística de pessoas, equipamentos, embarcações de apoio e janelas de tempo em que as condições ambientais permitem executar tarefas com segurança. Um navio capaz de combinar transferência de equipes, içamento de cargas e apoio a robôs submarinos pode aumentar a flexibilidade dos operadores para organizar essas campanhas. A vantagem concreta dependerá dos contratos conquistados, do desempenho dos sistemas e das condições encontradas em cada missão.

Para o público brasileiro, a inovação ajuda a mostrar a complexidade dos serviços marítimos usados em campos de petróleo, obras de dutos, infraestrutura submarina e projetos de energia no oceano. São atividades presentes também no debate sobre a indústria naval e o mercado offshore nacional, embora não exista anúncio de contratação do NB985 para trabalhar no Brasil nas fontes consultadas.

O passo mais importante agora será concluir a instalação e o comissionamento dos equipamentos para a entrega prevista entre abril e junho de 2027. Somente então será possível avaliar o desempenho do conjunto em operações reais. Você acredita que navios capazes de reunir tantas funções vão se tornar mais comuns no setor offshore? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta reportagem.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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