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O telescópio Hubble está perdendo altitude e pode voltar à Terra em 2033: NASA procura uma maneira de salvá-lo antes que seja tarde

O telescópio Hubble está perdendo altitude e pode voltar à Terra em 2033: NASA procura uma maneira de salvá-lo antes que seja tarde

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O telescópio Hubble está perdendo altitude e pode voltar à Terra em 2033: NASA procura uma maneira de salvá-lo antes que seja tarde

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 06/11/2026 às 06:54

Atualizado em 06/11/2026 às 06:55

Ciência e Tecnologia

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O Hubble fotografado sobre a Terra em maio de 2009, após sua última manutenção. A NASA estuda possibilidades de elevar a órbita do observatório antes da reentrada estimada para 2033–2034. Foto: NASA.

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O Hubble perdeu altitude e pode reentrar na atmosfera entre 2033 e 2034. A NASA consulta empresas sobre uma missão até 2032 para elevar sua órbita, realizar manutenção ou garantir uma descida controlada.

O telescópio espacial Hubble continua fotografando galáxias, planetas e estrelas, mas enfrenta uma contagem regressiva que nenhum instrumento a bordo consegue interromper sozinho. Depois de mais de 36 anos no espaço, o observatório está perdendo altitude, e a NASA calcula que ele poderá reentrar na atmosfera da Terra entre 2033 e 2034. Para evitar que a missão termine desse modo, a agência começou a procurar empresas capazes de alcançar o telescópio antes que seja tarde.

Em 29 de outubro de 2026, a NASA abriu uma consulta ao setor espacial privado para saber quem teria condições de elevar o Hubble para uma órbita mais alta, realizar reparos e melhorias ou conduzir sua retirada controlada. As respostas são esperadas até 30 de novembro, e uma eventual operação precisaria ocorrer até 2032. Há um detalhe decisivo: o Hubble segue produzindo ciência, mas não possui motores próprios para recuperar a altitude perdida.

O telescópio trabalha a cerca de 480 quilômetros da Terra, mas a órbita continua caindo

Segundo os registros técnicos do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (STScI), o Hubble opera a cerca de 480 quilômetros de altitude. É uma distância enorme para quem observa do chão, mas ali ainda existem partículas da atmosfera terrestre. Elas provocam uma resistência muito fraca sobre objetos em órbita; acumulada durante anos, essa força faz as espaçonaves perderem altura gradualmente.

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O processo é chamado de arrasto atmosférico. Quando a órbita fica mais baixa, o telescópio encontra camadas progressivamente mais densas da atmosfera, aumentando a resistência e acelerando a descida. A atividade solar pode alterar a densidade dessas camadas e mudar as previsões de reentrada, razão pela qual o ano de 2033 é uma possibilidade calculada, e não uma data marcada para a queda.

O STScI trabalha com uma estimativa de reentrada em meados de 2033; no comunicado de 30 de outubro, a NASA apresentou uma janela mais ampla, entre 2033 e 2034. Enquanto isso, quatro instrumentos científicos continuam operacionais. O problema que motivou a nova consulta está na trajetória do observatório, e não numa paralisação imediata de suas câmeras ou espectrógrafos.

A NASA quer saber quem consegue elevar o Hubble para pelo menos 600 quilômetros

Uma das possibilidades colocadas pela agência é enviar uma espaçonave para capturar o Hubble e elevá-lo a pelo menos 600 quilômetros de altitude. Em relação aos cerca de 480 quilômetros registrados pelo STScI, seriam aproximadamente 120 quilômetros de diferença. Mais alto, o telescópio sofreria menor resistência atmosférica e poderia permanecer em órbita por muito mais tempo.

A consulta também admite uma operação de manutenção, com intervenções capazes de melhorar a confiabilidade ou o desempenho dos sistemas científicos. Outra alternativa seria enviar um veículo para orientar uma reentrada controlada ou outro tipo de descarte orbital quando o observatório chegasse ao fim da vida útil.

As opções constam de uma consulta pública de mercado, identificada pelo número 80GSFC27RFIHSTS. A agência quer conhecer capacidade técnica, riscos, possíveis cronogramas e custos. Ainda não selecionou uma empresa nem anunciou uma missão financiada para executar qualquer uma dessas alternativas.

Uma nave precisaria alcançar e capturar um observatório que não foi feito para voar sozinho

Uma operação dessa natureza teria etapas complexas. Primeiro, uma espaçonave precisaria ser lançada, aproximar-se do Hubble e combinar sua trajetória com a do telescópio, que atravessa o céu a velocidades orbitais. Depois viria a captura, seguida da transferência de força necessária para elevar a órbita ou da manutenção planejada.

A NASA exige que qualquer operação de elevação ou serviço seja capaz de preservar o observatório. O contrato futuro, caso exista, precisaria incluir veículo de lançamento, nave, sistemas de captura e equipes de operação; astronautas poderiam participar conforme o projeto apresentado. A agência ofereceria informações técnicas e apoio de seus especialistas.

Há uma vantagem deixada pela última visita humana ao Hubble. Em 2009, astronautas do ônibus espacial Atlantis instalaram na parte traseira do telescópio um mecanismo de captura pensado para facilitar um encontro futuro com uma nave de serviço ou descarte. A peça não executa a manobra sozinha, mas fornece uma interface física para uma operação que envolve equipamento grande e delicado.

O mecanismo circular instalado na traseira do Hubble em 2009 foi projetado para facilitar uma futura captura por outra nave espacial. Foto: NASA.

A última visita foi em 2009 e a vida do Hubble já foi prolongada cinco vezes

O Hubble chegou ao espaço em 24 de abril de 1990, transportado pelo ônibus espacial Discovery. Sua primeira década teve um problema famoso: um defeito no formato do espelho principal prejudicava a nitidez de imagens. Astronautas corrigiram os efeitos desse defeito com instrumentos instalados em órbita, transformando uma missão ameaçada num dos projetos científicos mais conhecidos do mundo.

Ao longo de cinco missões de manutenção, tripulações trocaram câmeras, giroscópios, baterias e outros componentes. A última visita ocorreu em maio de 2009, quando a missão STS-125 instalou instrumentos modernos e recuperou sistemas que apresentavam problemas. Desde a aposentadoria dos ônibus espaciais, o observatório não recebeu outra equipe de reparo.

O astronauta Michael Good trabalha na parte externa do Hubble durante a missão STS-125, em maio de 2009, a última visita de manutenção ao telescópio. Foto: NASA.

Ao fim dessa última missão, o Hubble voltou a trabalhar com capacidades ampliadas. Seu histórico explica por que a NASA agora estuda uma nova intervenção, mesmo depois de tantas décadas: peças e instrumentos podem continuar funcionando, enquanto a perda de altitude ameaça encerrar toda a operação.

Por que a NASA tenta preservar o Hubble mesmo depois da chegada do James Webb?

O Hubble continua oferecendo observações científicas que o telescópio James Webb não substitui integralmente. O Webb é especializado em luz infravermelha; o Hubble também observa luz visível e ultravioleta, fundamental para estudar a química de gases, o comportamento de estrelas e atmosferas planetárias. As duas missões podem estudar o mesmo fenômeno com instrumentos que enxergam partes diferentes do espectro.

O STScI registra mais de 23 mil trabalhos científicos produzidos com dados do Hubble e mais de mil publicações por ano. A demanda por tempo de observação ainda supera amplamente a capacidade disponível. Pesquisadores recorrem ao observatório para acompanhar desde mudanças atmosféricas em planetas do Sistema Solar até a evolução de galáxias distantes.

Os instrumentos permanecem ativos, embora a equipe já tenha adaptado os métodos de apontamento para utilizar um número menor de giroscópios. A agência avalia que o telescópio pode continuar cientificamente produtivo durante os próximos anos, desde que seus sistemas resistam e a órbita permita.

Ideias de resgate já foram estudadas antes, mas nenhuma missão foi contratada

A discussão sobre elevar a órbita do Hubble não começou em 2026. Em 2022, propostas envolvendo empresas privadas e a possibilidade de usar a nave Dragon foram examinadas pela NASA. Após avaliar riscos para o telescópio, a agência anunciou em 2024 que não avançaria com uma missão de elevação naquele momento.

A nova rodada busca informações de um mercado que desenvolveu veículos para encontros, inspeções e serviços em órbita. As empresas interessadas devem responder até 30 de novembro de 2026. Depois disso, caberá à NASA decidir se existe um projeto tecnicamente viável, suficientemente seguro e com recursos financeiros para sair do papel.

O prazo mais importante para uma eventual missão continua sendo 2032, um ano antes do início da janela estimada de reentrada. Se a NASA conseguir elevar a órbita, o Hubble poderá ganhar tempo para registrar novas imagens do universo; se isso não acontecer, será necessário lidar com o encerramento seguro de um observatório que trabalha desde 1990. Você acha que vale investir em mais uma missão para salvar o Hubble? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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