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Orplana alerta para rentabilidade negativa de R$ 3 mil por hectare na cana e teme impactos de mudanças trabalhistas e tributárias
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 06/11/2026 às 18:45
Atualizado em 06/11/2026 às 19:20
Indústria
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Entidade que representa cerca de 12,5 mil produtores de cana-de-açúcar aponta aumento dos custos, dificuldades de contratação e necessidade de ampliar o seguro rural para proteger a atividade.
A Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil) aponta que a produção de cana-de-açúcar registra rentabilidade negativa de aproximadamente R$ 3 mil por hectare na safra atual. A entidade, formada por 35 associações que representam cerca de 12,5 mil produtores no país, relaciona o resultado ao encarecimento das atividades agrícolas e também acompanha possíveis alterações nas regras trabalhistas e tributárias que podem afetar o setor sucroenergético.
Além da pressão financeira, a organização defende a ampliação da proteção oferecida pelo seguro rural e considera a modernização das operações agrícolas uma alternativa diante da dificuldade de encontrar trabalhadores.
Custos de produção pressionam fornecedores e ampliam debate sobre seguro rural
Os gastos necessários para manter as lavouras em operação estão entre os principais desafios identificados pela Orplana. O aumento dos preços de fertilizantes, diesel e lubrificantes, somado às despesas com transporte, tem comprometido o retorno financeiro dos fornecedores de cana.
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O impacto também aparece na movimentação de insumos utilizados nas propriedades rurais. Mesmo quando produtos como gesso e calcário não apresentam reajustes equivalentes, o valor cobrado pelo frete torna sua entrega mais cara, acrescentando despesas à produção agrícola.
Nesse cenário, a entidade considera necessário ampliar os mecanismos de proteção financeira disponíveis aos produtores. Uma das principais reivindicações envolve a subvenção ao seguro rural, cujo orçamento de aproximadamente R$ 1 bilhão é considerado insuficiente para atender às necessidades do campo.
José Guilherme Nogueira, diretor da Orplana, estima que a disponibilização de uma cobertura mais abrangente exigiria recursos superiores a R$ 3 bilhões. A organização defende o fortalecimento desse instrumento como forma de diminuir a exposição dos fornecedores aos riscos da atividade.
Reforma tributária pode alterar consumo de açúcar no mercado brasileiro
Outra preocupação envolve os possíveis reflexos da reforma tributária sobre a demanda por açúcar. Embora o produto faça parte da cesta básica nacional, sua utilização na fabricação de bebidas poderá ser afetada pela incidência do Imposto Seletivo, também conhecido como imposto do pecado.
A possibilidade de cobrança adicional sobre bebidas açucaradas pode levar fabricantes a modificar suas receitas, diminuindo a quantidade de açúcar utilizada nas formulações. Para os produtores, uma eventual redução no consumo desse ingrediente representa mais um ponto de atenção em um período de dificuldades econômicas.
Apesar desse cenário, a Orplana identifica oportunidades no comércio internacional. Nogueira avalia que as exportações em crescimento, acompanhadas pelo avanço do consumo em países asiáticos e africanos, podem ajudar a compensar parte de uma eventual retração da demanda brasileira e de outros mercados, como Estados Unidos e Europa.
Essa perspectiva, entretanto, não elimina a preocupação da entidade com os efeitos que mudanças tributárias poderão provocar na cadeia produtiva.
Possível mudança na jornada de trabalho preocupa setor durante a safra
A discussão sobre a adoção de uma jornada com dois dias de descanso semanal também mobiliza a Orplana. A principal reivindicação da organização é que uma eventual regulamentação considere o funcionamento das atividades agrícolas, cuja necessidade de trabalhadores varia conforme o calendário de produção.
Durante a safra, quando as operações no campo e nas unidades industriais exigem maior disponibilidade de profissionais, a entidade considera importante preservar a possibilidade de recorrer a horas extras para atender às necessidades sazonais.
A preocupação ocorre em um contexto no qual a contratação e a permanência de trabalhadores já representam dificuldades para diferentes segmentos do agronegócio. Na avaliação da Orplana, alterações nas regras de jornada precisam levar em conta essa realidade para não agravar a escassez de mão de obra.
Máquinas autônomas surgem como alternativa, mas investimento ainda limita adoção
A dificuldade de contratação também reforça o interesse por tecnologias capazes de executar parte das atividades agrícolas sem a intervenção direta de operadores. Entre as soluções mencionadas pela Orplana estão equipamentos utilizados na preparação do solo, na colheita e no controle de plantas daninhas.
Alguns tratores já contam com recursos para realizar operações de maneira autônoma, enquanto sistemas robotizados permitem direcionar a aplicação de herbicidas. Um dos modelos citados combina câmeras e painéis solares em um sistema que identifica plantas indesejadas e realiza aplicações específicas nas áreas necessárias.
A capacidade operacional desse tipo de equipamento pode superar 100 hectares, mas o investimento necessário chega a R$ 350 mil. O valor de aquisição, associado às condições de financiamento disponíveis, ainda dificulta a expansão dessas tecnologias entre os produtores brasileiros.
A Orplana também acompanha soluções desenvolvidas por empresas que trabalham em parceria com fabricantes de máquinas agrícolas, incluindo a John Deere, para ampliar a autonomia dos tratores.
A proposta defendida pela organização não se limita à substituição de tarefas manuais por equipamentos. A intenção é reduzir a exposição dos trabalhadores às atividades fisicamente mais exigentes, permitindo que passem a desempenhar funções relacionadas ao acompanhamento e ao controle das máquinas.
Para a entidade, o avanço tecnológico pode contribuir para melhorar a eficiência das operações, mas sua utilização em maior escala depende de condições econômicas que permitam aos fornecedores investir na modernização das propriedades.
Fonte
CNN Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

