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Projeto de hidrogênio verde de até 2 GW na Dinamarca avança com apoio de € 245 milhões e reserva de gasodutos entre dois países para atender demanda industrial da Alemanha

Projeto de hidrogênio verde de até 2 GW na Dinamarca avança com apoio de € 245 milhões e reserva de gasodutos entre dois países para atender demanda industrial da Alemanha

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Projeto de hidrogênio verde de até 2 GW na Dinamarca avança com apoio de € 245 milhões e reserva de gasodutos entre dois países para atender demanda industrial da Alemanha

Escrito por Carla Teles

Publicado em 06/11/2026 às 18:29

Atualizado em 06/11/2026 às 18:31

Energia Renovável

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Everfuel fecha acordo de € 245 milhões para produzir hidrogênio verde na Dinamarca e prepara gasoduto para abastecer a indústria alemã até 2031.

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A Everfuel reservou capacidade equivalente a 400 MW em gasodutos dos dois países, enquanto prepara uma instalação que poderá chegar a 2 GW de eletrólise.

A empresa dinamarquesa Everfuel assinou um acordo de apoio financeiro de € 245 milhões com o governo alemão para produzir hidrogênio verde destinado à indústria da Alemanha. O contrato foi firmado em 30 de outubro de 2026 e anunciado em 4 de novembro, junto com a reserva de capacidade em gasodutos que deverão conectar os dois países até o início da próxima década.

Segundo comunicado oficial da Everfuel, o financiamento está vinculado ao Projeto Frigg, planejado para o Parque Energético de Revsing, no município de Vejen, na Dinamarca. A iniciativa prevê apoio de € 0,98 por quilo de hidrogênio renovável produzido e representa uma das etapas necessárias para a futura decisão de investimento na instalação industrial.

Projeto Frigg terá apoio de € 245 milhões e poderá alcançar 2 GW de capacidade

Everfuel já produz hidrogênio renovável na Dinamarca e prepara o Projeto Frigg para ampliar o fornecimento à Alemanha. Imagem: Everfuel.

O Frigg foi concebido para produzir hidrogênio verde em escala industrial e abastecer consumidores alemães por meio de uma infraestrutura de transporte transfronteiriça.

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A primeira fase apoiada pelo governo alemão prevê 200 megawatts (MW) de capacidade de eletrólise. O projeto completo poderá chegar a 2 gigawatts (GW), equivalentes a 2.000 MW, caso a demanda e as condições comerciais permitam novas expansões.

A eletrólise é o processo que utiliza eletricidade para separar as moléculas de água em hidrogênio e oxigênio. Quando a produção atende aos critérios europeus de utilização de eletricidade renovável e redução de emissões, o combustível pode receber a classificação RFNBO.

A sigla significa Renewable Fuels of Non-Biological Origin, ou combustíveis renováveis de origem não biológica. Essa categoria inclui o hidrogênio produzido conforme as exigências estabelecidas pela União Europeia.

A seleção do Projeto Frigg pelo governo alemão ocorreu em 2026, com uma proposta de apoio de € 0,98 por quilograma, inferior aos valores apresentados por outros projetos incluídos posteriormente na mesma modalidade de financiamento.

O contrato de subvenção não significa que os € 245 milhões já foram desembolsados. Os pagamentos estão associados à produção elegível de hidrogênio, conforme as condições do programa.

Gasoduto de 133 quilômetros deverá conectar produtores dinamarqueses à indústria alemã

A Everfuel também reservou capacidade de transporte equivalente a 400 MW de eletrólise nas futuras redes de hidrogênio da Dinamarca e da Alemanha.

A reserva é uma etapa comercial para garantir acesso à infraestrutura quando o projeto estiver em operação. Não representa 400 MW de produção já instalada nem confirma que todo esse volume começará a ser entregue imediatamente.

O corredor dinamarquês planejado terá aproximadamente 133 quilômetros e deverá ligar Esbjerg, Vejen e a fronteira alemã. A partir desse ponto, o hidrogênio poderá seguir pela rede alemã até consumidores industriais.

Em comunicado de novembro, a associação Hydrogen Denmark informou que empresas já haviam reservado mais de 500 MW de capacidade na futura infraestrutura, atingindo o requisito mínimo estabelecido em acordo político dinamarquês para o avanço do projeto.

O planejamento também envolve as operadoras Energinet, na Dinamarca, e Gasunie Deutschland, na Alemanha. As companhias estabeleceram mecanismos de coordenação para alinhar a capacidade de transporte e as conexões entre os sistemas.

Segundo a Gasunie Deutschland, o objetivo é disponibilizar uma infraestrutura transfronteiriça operacional até o final de 2030, condicionado às autorizações regulatórias e às decisões de investimento.

A previsão de fornecimento a consumidores alemães a partir de 2031 depende do cumprimento dessas etapas.

Alemanha financia hidrogênio dinamarquês para ampliar abastecimento industrial

O apoio ao Frigg faz parte de uma estratégia alemã para criar novas fontes de fornecimento de hidrogênio renovável.

O país possui grandes polos industriais que utilizam hidrogênio em processos químicos e de refino e avaliam sua aplicação em atividades que exigem elevadas temperaturas ou matérias-primas com menor intensidade de carbono.

Para estimular a produção, o governo alemão participa do mecanismo Auctions-as-a-Service, vinculado ao Banco Europeu de Hidrogênio.

O sistema permite que países utilizem recursos nacionais para financiar projetos selecionados em leilões coordenados pela União Europeia, sem precisar organizar um processo competitivo inteiramente separado.

Segundo o Ministério Federal de Assuntos Econômicos e Energia da Alemanha, o financiamento busca reduzir a diferença entre os custos de produção do hidrogênio renovável e os preços que os consumidores industriais conseguem pagar.

Em maio de 2026, o governo havia selecionado três projetos dinamarqueses que, juntos, previam aproximadamente 78 mil toneladas anuais de hidrogênio renovável a partir de 2031. A composição dos projetos foi posteriormente alterada, após a saída de um dos participantes e a entrada de outro empreendimento.

A estratégia alemã envolve diferentes rotas internacionais de abastecimento. O CPG já noticiou um corredor de importação de hidrogênio envolvendo Alemanha, Países Baixos e Omã.

No caso dinamarquês, a proximidade geográfica permite planejar o transporte por gasoduto, evitando algumas das etapas logísticas necessárias para trazer o combustível de regiões mais distantes.

Dinamarca aposta na energia eólica para produzir hidrogênio destinado à exportação

A Everfuel já realizou fornecimentos de hidrogênio da Dinamarca para a Alemanha por transporte rodoviário. Imagem: Everfuel.

A localização do Projeto Frigg é um dos fatores considerados pela Everfuel para reduzir custos de produção.

A instalação ficará na zona elétrica DK1, que abrange a parte ocidental da Dinamarca. Segundo projeções da Agência Dinamarquesa de Energia citadas pela empresa, a participação de fontes renováveis no consumo elétrico da região deverá superar 90% em 2026.

A disponibilidade de eletricidade renovável influencia diretamente os custos do hidrogênio produzido por eletrólise, pois o consumo energético representa uma parcela relevante das despesas operacionais.

O projeto também poderá ser integrado à geração solar e eólica regional, conforme o planejamento de infraestrutura e as condições de fornecimento de energia.

O aumento da capacidade renovável é acompanhado por exigências relacionadas à transmissão. Em reportagem anterior, o CPG mostrou como a expansão das redes elétricas é necessária para conectar novos projetos de geração aos consumidores.

Na Europa, o desafio também inclui transportar o hidrogênio produzido até os centros industriais. A Alemanha aprovou uma rede principal de aproximadamente 9.040 quilômetros de gasodutos para hidrogênio, incluindo novas instalações e adaptações de tubulações existentes.

De acordo com a agência reguladora alemã Bundesnetzagentur, os investimentos previstos para essa infraestrutura somam € 18,9 bilhões.

O corredor Dinamarca–Alemanha deverá se integrar a esse sistema, permitindo que produtores dinamarqueses alcancem consumidores conectados à rede alemã.

Everfuel já exporta hidrogênio verde por caminhões antes da conexão por gasoduto

Embora o Frigg ainda esteja em desenvolvimento, a Everfuel possui experiência comercial com uma instalação de menor porte.

A empresa opera a unidade HySynergy, localizada em Fredericia, na Dinamarca, com 20 MW de capacidade de eletrólise.

A planta foi inaugurada oficialmente em novembro de 2025 e realizou entregas de hidrogênio renovável certificado para consumidores alemães, inicialmente utilizando caminhões equipados para transportar o combustível.

Segundo o Observatório Europeu do Hidrogênio, a operação marcou uma etapa no fornecimento internacional de hidrogênio renovável certificado produzido na Dinamarca.

A HySynergy permite à Everfuel testar procedimentos comerciais, de produção e de transporte antes da implantação de projetos maiores.

A capacidade prevista para o Frigg, entretanto, será muito superior. Apenas sua primeira fase, com 200 MW, representará dez vezes a potência de eletrólise instalada na HySynergy.

Essa diferença explica a necessidade de construir infraestrutura específica para transportar grandes volumes de hidrogênio de maneira contínua.

Decisão final de investimento ainda depende de contratos com compradores alemães

Apesar do acordo de financiamento e das reservas de transporte, a Everfuel ainda precisa concluir etapas para transformar o Frigg em uma instalação operacional.

Entre elas estão o avanço da engenharia, o alinhamento com os operadores de gasodutos e a assinatura de contratos firmes de compra do hidrogênio.

Esses contratos, conhecidos como offtake agreements, estabelecem condições comerciais para a aquisição futura da produção. São instrumentos utilizados para dar maior previsibilidade de receita a projetos industriais de grande porte.

A empresa também precisará tomar a decisão final de investimento, etapa em que seus responsáveis aprovam formalmente a aplicação dos recursos necessários à construção.

O fundador e CEO da Everfuel, Jacob Krogsgaard, afirmou no comunicado de 4 de novembro que a coordenação entre governos, desenvolvedores, operadores de infraestrutura e consumidores será necessária para viabilizar essa decisão.

A companhia continuará desenvolvendo o projeto em conjunto com seus acionistas e parceiros comerciais, enquanto as operadoras dos gasodutos avançam nas condições necessárias à construção.

O calendário divulgado aponta para infraestrutura transfronteiriça até o final de 2030 e fornecimento industrial a partir de 2031. Antes disso, a Everfuel precisará converter as negociações comerciais em compromissos definitivos e confirmar o investimento na primeira fase do Frigg.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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