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Quem mora no caminho entre Barueri e Cubatão pode opinar na quinta (5) sobre o oleoduto de 142 km da Petrobras que vai levar óleo combustível ao Porto de Santos e aposentar um duto dos anos 1970
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 02/11/2026 às 22:20
Atualizado em 02/11/2026 às 22:21
Petróleo e Gás
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Quem mora no caminho entre Barueri e Cubatão terá duas chances em novembro de questionar o Obapi Escuros, oleoduto de 142 km que a Petrobras quer construir para abastecer o Porto de Santos e aposentar um duto dos anos 1970.
A primeira audiência pública está marcada para a quinta-feira (5), em São Bernardo do Campo. A segunda será no dia 17, em Cotia. As duas fazem parte do licenciamento ambiental conduzido pela Cetesb.
O encontro de São Bernardo é organizado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente, o Consema, e é aberto à população, segundo o Repórter Diário.
O que é o Obapi Escuros
O projeto prevê um oleoduto de aproximadamente 142 quilômetros entre o Terminal Terrestre de Barueri e o Terminal Terrestre de Cubatão. A tubulação vai atravessar 13 municípios paulistas.
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Pelo duto vão passar os chamados produtos escuros, derivados de petróleo como o óleo combustível. O objetivo declarado é manter o fornecimento de combustíveis para o Porto de Santos.
O “escuros” do nome indica o tipo de produto que vai circular. O novo duto vai substituir outro, o Obati, que liga Barueri a São Caetano do Sul.
Um duto dos anos 1970 perto do fim
O Obati foi construído com tecnologia da década de 1970 e é operado pela Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras. Segundo a descrição do projeto, o duto está próximo do fim da vida útil.
A nova linha permitiria desativar o Obati sem interromper o abastecimento do porto. O projeto também prevê materiais e tecnologias mais modernos que os da tubulação antiga.
A Petrobras não divulgou nas reportagens o custo da obra, o cronograma nem a data prevista para o novo duto entrar em operação. Esses pontos tendem a aparecer nas audiências.
Por onde o oleoduto passa
O traçado foi desenhado para contornar áreas urbanas densamente ocupadas da Grande São Paulo e reduzir a interferência nas comunidades, segundo o ABC do ABC.
Cerca de 32 quilômetros da nova tubulação vão dividir faixas com dutos que já estão em funcionamento. Com isso, diminui a necessidade de abrir áreas novas ao longo do caminho.
O Jornal Cotia Agora cita entre as cidades do percurso Cotia, Barueri, São Roque, Vargem Grande Paulista, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, São Bernardo do Campo, Embu-Guaçu e Cubatão.
A audiência de quinta em São Bernardo
Na reunião, a Petrobras vai apresentar o projeto, os possíveis impactos ambientais e as medidas previstas para reduzi-los. A população poderá tirar dúvidas e fazer contribuições.
As manifestações serão consideradas pela Cetesb na análise da viabilidade ambiental do empreendimento. Quem não puder ir pessoalmente poderá acompanhar a transmissão pelo YouTube.
O ABC do ABC informou que a empresa ofereceu transporte gratuito a moradores da região, com inscrições até 30 de outubro, prazo que já terminou.
O encontro será na Associação Comercial e Industrial de São Bernardo do Campo, na Rua do Imperador, 14, no bairro Nova Petrópolis, de acordo com o portal da região.
A de Cotia, no dia 17
Em Cotia, a audiência está marcada para 17 de novembro, às 17h, no teatro municipal, segundo o Jornal Cotia Agora. A organização é da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Os estudos do projeto estão disponíveis para consulta na Biblioteca Baptista Cepellos, na Avenida Professor Manoel José Pedroso, 1147, no Jardim Nomura, informou o jornal local.
O alerta dos ambientalistas
O projeto já mobiliza moradores. Em Cotia, ambientalistas fizeram um ato na região do Caputera para alertar sobre a derrubada de mata nativa e o risco de vazamento nas tubulações, segundo o jornal local.
Os estudos de campo começaram antes. Em agosto de 2025, moradores de vários bairros receberam comunicado da Petrobras avisando que a contratada Aerosat faria aerolevantamento, cadastramento e sondagem nos imóveis.
As perguntas que já circulam
Em julho de 2025, quando o projeto veio a público, o Jornal Cotia Agora ouviu o arquiteto e urbanista Fernando Confiança, morador da cidade. Ele listou as dúvidas que esperava ver respondidas pela Petrobras.
A primeira era de segurança: os riscos de vazamento ou explosão perto das casas. A segunda tratava da água, com a pergunta sobre a passagem do duto por rios, córregos e áreas de mananciais.
O urbanista também perguntou o que acontece com quem tiver o terreno cortado pela faixa do oleoduto, se haverá desapropriação ou restrição de uso, e como as obras vão afetar o trânsito da Rodovia Raposo Tavares.
Por fim, questionou se a obra traria empregos para moradores e algum benefício financeiro ou ambiental às cidades em troca dos impactos. São temas que podem voltar ao microfone nas duas audiências.
Em Cotia, o debate chega num momento delicado. Segundo o mesmo jornal, o Plano Diretor e a lei de uso e ocupação do solo da cidade estavam suspensos pela Justiça, e o município voltou a seguir regras de 2008.
A Petrobras em Cubatão
O destino do oleoduto é um dos polos mais importantes da estatal. Como o CPG mostrou em outubro, a refinaria de Cubatão responde por cerca de 11% dos derivados da companhia.
Em junho, a Petrobras também aprovou uma refinaria de US$ 1,2 bilhão em Cubatão para produzir querosene de aviação e diesel a partir de óleos vegetais.
A região já vive o vaivém de obras da estatal. Em julho de 2025, uma parada de manutenção na refinaria de Cubatão mobilizou mais de 3 mil trabalhadores, como o CPG noticiou.
O que acontece depois das audiências
Concluídas as audiências, a Cetesb analisa o estudo de impacto e as contribuições recebidas antes de decidir sobre a viabilidade ambiental. A audiência, por si só, não aprova a obra.
Só depois dessa etapa o projeto pode avançar para as licenças de instalação e de operação, quando o cronograma da construção e o início das obras ficam definidos.
Você moraria perto de um oleoduto se ele passasse pelo seu bairro, ou acha que o traçado deveria ficar longe das cidades?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

