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Quem paga conta de luz no Nordeste pode ter alta de 9,58% em 2027, enquanto o Sul terá queda de 7,59%: a Thymos Energia projeta tarifa 2% menor na média do país

Quem paga conta de luz no Nordeste pode ter alta de 9,58% em 2027, enquanto o Sul terá queda de 7,59%: a Thymos Energia projeta tarifa 2% menor na média do país

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Quem paga conta de luz no Nordeste pode ter alta de 9,58% em 2027, enquanto o Sul terá queda de 7,59%: a Thymos Energia projeta tarifa 2% menor na média do país

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 02/11/2026 às 23:11

Atualizado em 02/11/2026 às 23:40

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As tarifas de energia devem cair cerca de 2% na média do país em 2027, mas o alívio não chega a todo mundo: a consultoria Thymos Energia projeta alta de 9,58% para os consumidores do Nordeste.

A projeção foi publicada pela Broadcast+ e reproduzida pelo Estadão neste domingo (1º). O desenho é de um país dividido ao meio na conta de luz.

Enquanto Sul e Sudeste devem pagar menos, Norte e Nordeste caminham no sentido contrário. O Centro-Oeste tende a ficar praticamente estável, com variação negativa de 0,66%.

Região por região

A maior queda prevista é no Sul, de 7,59%. O Sudeste vem em seguida, com recuo de 5,14%. São as duas regiões que puxam a média nacional para baixo.

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No Norte, a Thymos projeta alta de 1,29%. No Nordeste, a alta estimada é de 9,58%, a maior variação entre as cinco regiões.

Os números são projeções da consultoria, não reajustes aprovados. Cada distribuidora tem seu processo tarifário na Aneel, com data própria, e o percentual final pode ser diferente do previsto.

A usina de Itaipu: mudanças no custo da energia da binacional estão entre os fatores de alívio citados pela Thymos (Cmasi/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

Quanto isso representa numa conta de R$ 200

Para ter uma ideia, numa conta de R$ 200 por mês, a alta de 9,58% projetada para o Nordeste somaria R$ 19,16. No ano, seriam cerca de R$ 230 a mais, se o percentual se confirmar.

Na mesma conta de R$ 200, a queda de 7,59% prevista para o Sul tiraria R$ 15,18 por mês. Já no Sudeste, o recuo de 5,14% representaria R$ 10,28 a menos todo mês.

A conta é só uma referência. O efeito real depende do consumo de cada casa, da distribuidora que atende a cidade e dos impostos estaduais, que mudam de um estado para outro.

O que puxa a média para baixo

Segundo a consultoria, a queda média vem da redução de alguns encargos do setor elétrico, como o Proinfa, programa que financia fontes alternativas de energia e é pago por todos os consumidores na conta de luz.

Também pesam mudanças nos custos da energia de Itaipu e das usinas nucleares de Angra. Em algumas regiões, porém, o efeito dessa combinação perdeu força por causa do aumento de outros gastos.

Por que o Nordeste vai na direção contrária

No Nordeste, a pressão vem do aumento dos custos com a compra de energia e com as despesas de distribuição. Parte da alta, segundo a Thymos, reflete o fim de medidas temporárias que seguraram os reajustes de 2026.

Uma delas foi o adiantamento do recurso de uso de bem público, o UBP, pago por hidrelétricas pelo direito de explorar os rios. Esse dinheiro, repactuado, foi usado para aliviar as tarifas nas áreas consideradas elegíveis.

Como o CPG mostrou em maio, a Aneel anunciou que ia devolver R$ 5,5 bilhões a consumidores do Norte e do Nordeste, entre outras áreas, em forma de redução nas tarifas.

A distribuidora vende menos e a conta sobe

Outro fator é a queda estimada de 3,6% no volume de energia vendido pelas distribuidoras no mercado regulado, em que o consumidor compra direto da concessionária local.

A Thymos atribui essa redução, entre outros motivos, à migração de clientes para o mercado livre e ao avanço da geração distribuída, como os painéis solares instalados em telhados.

Com menos energia vendida, parte dos custos fixos é dividida por uma fatia menor de consumo. Na prática, quem continua no mercado regulado tende a pagar mais por cada quilowatt-hora.

O alívio do Sudeste e do Sul

No Sudeste, a queda de 5,14% vem principalmente da retirada ou redução de cobranças temporárias que pesaram em 2026. A consultoria calcula um alívio perto de R$ 8,5 bilhões entre os dois anos.

Esse valor supera o aumento de cerca de R$ 2 bilhões nos custos de compra de energia, transmissão e distribuição. Parte das cobranças anteriores compensava valores que as distribuidoras deveriam ter arrecadado e não receberam.

No Sul, a queda de 7,59% está ligada a um respiro de cerca de R$ 3,5 bilhões nos acertos financeiros e a um crescimento de 1% na base de consumo, que dilui custos de distribuição.

A Central Nuclear de Angra dos Reis (RJ), cujo custo de energia também entra na conta (Rodrigo Soldon/Wikimedia Commons, CC BY 2.0)

E o Norte

No Norte, a alta de 1,29% também reflete gasto maior com compra de energia e distribuição. A pressão é parcialmente compensada pela redução de outras despesas e por um alívio de cerca de R$ 600 milhões nos acertos financeiros.

A região fica no meio do caminho: a alta prevista é bem menor que a do Nordeste, mas ainda vai na direção oposta à da média do país. A projeção não detalha o efeito estado por estado.

Enquanto isso, a bandeira segue verde

No curto prazo, a conta não tem cobrança extra. A Aneel manteve a bandeira verde em novembro pelo segundo mês seguido, segundo a Agência Brasil.

A bandeira verde tinha voltado em outubro, depois de cinco meses de amarela, como o CPG mostrou na época, quando o consumidor deixou de pagar o adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh.

Segundo a agência, os reservatórios do Sistema Interligado Nacional chegaram a 65,9% do volume útil em outubro, o segundo maior valor para o mês desde 2015.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico prevê chuvas acima da média em novembro no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. Para o Norte e o Nordeste, a previsão é de chuvas abaixo da média.

O que o consumidor pode esperar

A projeção da Thymos não substitui os reajustes que a Aneel aprova distribuidora por distribuidora ao longo de 2027. Eles levam em conta custos reais, inadimplência, investimentos e outros itens que ainda podem mudar.

Para o consumidor do Nordeste, porém, o recado é que o fim das medidas temporárias de 2026 deve pesar no bolso, mesmo num ano em que a média do país aponta para uma conta menor.

Você acha justo que o Nordeste pague mais pela luz em 2027 enquanto Sul e Sudeste terão conta menor?

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Fontes

Thymos prevê queda média de 2% nas contas de luz em 2027

Conta de luz permanece sem cobrança extra em novembro


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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