MG
Faça um comentário
5 min de leitura
R$ 138,7 milhões por ano de economia estimada: inteligência artificial criada por uma equipe de cinco pessoas no Ministério Público de Minas Gerais já escreve até 3,5 mil minutas e transcreve até 900 audiências por dia
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 08/11/2026 às 17:33
Atualizado em 08/11/2026 às 17:34
Ciência e Tecnologia
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A inteligência artificial do MP Inteligente custa cerca de R$ 3,27 milhões por ano em nuvem e evita R$ 142 milhões em custo de pessoal, segundo levantamento do próprio MPMG, que exige revisão humana em tudo o que a máquina produz.
O MP Inteligente, programa de inteligência artificial do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), gera uma economia líquida estimada de R$ 138,7 milhões por ano, segundo levantamento divulgado pela instituição em 4 de novembro.
A ferramenta foi feita dentro de casa, pela Superintendência de Tecnologia da Informação (STI). Hoje ela é usada por 4 mil a 5 mil pessoas em cerca de 370 unidades do Ministério Público mineiro.
De onde sai a economia de R$ 138,7 milhões por ano?
A conta do MPMG tem dois lados. De um, as ferramentas de inteligência artificial evitam um custo de aproximadamente R$ 142 milhões por ano. Esse valor vem da automação da produção de peças e da transcrição de audiências.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Do outro, o MP Inteligente custa cerca de R$ 3,27 milhões por ano, valor ligado principalmente à infraestrutura em nuvem. A diferença entre os dois números é a economia líquida anual de R$ 138,7 milhões informada pela instituição.
Em 12 meses, segundo a STI, a geração automática de peças evitou um custo de pessoal de cerca de R$ 115,2 milhões. A transcrição de audiências respondeu por outros R$ 26,7 milhões. Somadas, as duas parcelas dão R$ 141,9 milhões (conta nossa), o que fecha com o total arredondado de R$ 142 milhões.
Dividida por mês, a economia líquida passa de R$ 11,5 milhões (conta nossa). Cada real gasto com a nuvem do MP Inteligente evita cerca de R$ 43 em custo (conta nossa, R$ 142 milhões divididos por R$ 3,27 milhões).
O levantamento é uma estimativa do próprio MPMG, e o comunicado da instituição não detalha a metodologia usada para chegar ao custo de pessoal evitado.
O que a inteligência artificial do MPMG faz no dia a dia?
Hoje o MP Inteligente produz entre 3 mil e 3,5 mil minutas por dia, que são rascunhos de peças como denúncias, representações e arquivamentos. A mesma plataforma faz a transcrição de 600 a 900 audiências diariamente.
Na fase inicial, a página oficial do programa falava em uma média de 700 minutas por dia e na transcrição de 93% das audiências gravadas. O volume atual de minutas é de quatro a cinco vezes aquele patamar (conta nossa).
A plataforma também cria apresentações, converte texto em áudio e tem ferramentas de reconhecimento facial e de apoio a investigação e inteligência. Novos módulos estão sendo ligados ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), para gerar minutas e consultar documentos da área administrativa.
Quem criou a ferramenta e em quanto tempo?
O MP Inteligente foi desenvolvido por uma equipe interna de apenas cinco pessoas dedicadas à inteligência artificial, segundo o MPMG. O trabalho começou em março de 2025.
Os primeiros produtos saíram poucos meses depois, em junho de 2025: um sistema de transcrição automática e uma ferramenta para gerar minutas de denúncias. O programa foi lançado oficialmente em 4 de junho de 2025, em Belo Horizonte, e regulamentado pela Resolução Conjunta PGJ/CGMP nº 6/2025.
A TV MP, canal oficial do MPMG, gravou a cerimônia de lançamento:
Assista o vídeo
O coordenador da STI, promotor de Justiça Daniel Piovanelli Ardisson, diz que a ferramenta “libera tempo” para que membros e servidores se dediquem a tarefas mais complexas.
A máquina decide sozinha?
Pelas regras do próprio programa, não: a resolução que criou o MP Inteligente diz que a inteligência artificial deve ser aliada e nunca substituta do trabalho humano. O artigo 3º afirma que a supervisão humana dos atos praticados é intransferível em qualquer hipótese.
Na prática, toda minuta passa por revisão humana obrigatória, e a responsabilidade pessoal de quem usa a ferramenta continua valendo em todas as fases. A norma também manda respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O primeiro balanço do programa saiu em outubro de 2025. O relatório de 100 dias mostrou que a média diária de manifestações do MPMG subiu de 379 para 591 depois da chegada da ferramenta, um salto de 55,9%.
O que vem depois no MP Inteligente?
A nova fase prevê uma inteligência artificial mais ativa. Entre os projetos em desenvolvimento estão sistemas que analisam grandes volumes de documentos, resumem automaticamente o que importa num processo e antecipam cenários para os promotores.
Outro projeto é de jurimetria, que cruza os pedidos feitos pelo MPMG, os fundamentos usados e as decisões dos juízes. O objetivo é entender o que dá mais resultado em cada área de atuação.
Os Procons de Minas também devem ganhar uma ferramenta. A ideia é usar análise de dados para identificar, em tempo real, reclamações em massa contra empresas, produtos ou serviços. Assim, o problema poderia ser tratado antes de atingir milhares de consumidores.
O projeto concorre a prêmio?
Piovanelli é finalista da sétima edição do Prêmio Judiciário Exponencial, na categoria Executivo de Tecnologia do Ministério Público. Segundo o MPMG, o cadastro para votar vai até 10 de novembro, às 18h, e a votação acontece de 13 a 16 de novembro. Os vencedores serão anunciados em 16 de novembro, em São Paulo.
A economia anunciada pelo MP Inteligente é estimada pela própria instituição, e o comunicado não cita auditoria externa. Mesmo assim, o caso mostra quanto uma ferramenta de transcrição e de redação feita dentro de um órgão público pode pesar na conta de um ano inteiro.
Tags
inteligencia artificial
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

