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Reajuste de 5,6% rejeitado: metalúrgicos da Parker Filtros, em São José dos Campos, aprovam aviso de greve e, segundo o sindicato, pedem 5,7% agora, INPC mais 1,7% em 2027 e vale de R$ 1.270
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 07/11/2026 às 01:39
Atualizado em 07/11/2026 às 01:40
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Votação na Parker Filtros foi em 3 de novembro, nos dois turnos de uma fábrica de cerca de 400 trabalhadores, e o que passou é aviso, não paralisação. A conta mostra que a diferença de 2026 é pequena e que o peso do pedido está em 2027.
Reajuste de 5,6%, cláusulas sociais renovadas por um ano e vale-alimentação de R$ 1.150. Foi essa a proposta que os metalúrgicos da Parker Filtros, na zona leste de São José dos Campos (SP), rejeitaram na terça-feira, 3 de novembro, informa o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região. A votação correu nos dois turnos e terminou com a aprovação de um aviso de greve, não com paralisação.
Os números são os divulgados pelo sindicato, que é parte na negociação. A versão é dele, e a Rádio Peão Brasil a repetiu em 5 de novembro. A Parker não tem fala em nenhuma das duas publicações.
Quanto separa os 5,6% oferecidos pela Parker Filtros dos 5,7% pedidos?
Em 2026, 0,1 ponto percentual. Num salário hipotético de R$ 3.000, usado só para dar escala, o reajuste oferecido soma R$ 168 e o pedido soma R$ 171. São R$ 3 por mês (conta nossa).
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O vale-alimentação de R$ 1.150 é igual nos dois lados em 2026. A distância aparece no ano seguinte: o degrau pedido para 2027 é de R$ 120 por mês, ou R$ 1.440 em 12 meses (conta nossa).
No pedido, reajuste e vale de 2027 já sairiam fixados, e as cláusulas sociais valeriam por dois anos, o dobro da oferta.
“Os trabalhadores da Parker colocam a mão na massa todos os dias para a empresa lucrar e exigem uma proposta melhor. Caso contrário, haverá mobilização”, afirma Fatima Silva, trabalhadora da fábrica e diretora do sindicato, na publicação da entidade. O argumento da categoria é o bom momento econômico da empresa, que tornaria a oferta insuficiente.
O que os 5,6% rendem acima do INPC desta campanha dos metalúrgicos?
O sindicato informou em 17 de setembro que o INPC de setembro de 2025 a agosto de 2026 ficou em 3,98%. Descontado esse índice, a oferta da Parker Filtros deixa um ganho real perto de 1,56%. Os 5,7% pedidos chegam a cerca de 1,65% (conta nossa).
A mesma campanha já tem outras réguas na região. Em 7 de outubro, a entidade registrou acordos de 5,4% e 5,2% em dois grupos de fábricas, os dois abaixo do que a Parker Filtros colocou na mesa.
A comparação que mais parece com o pedido é a da GM. Lá, os metalúrgicos aprovaram em 9 de setembro INPC mais 1% em 2026 e em 2027, com direitos renovados por dois anos. O vale ali foi a R$ 1.100 e depois a R$ 1.200.
O INPC de 2027 ainda não existe. Se repetisse os 3,98%, a fórmula de INPC mais 1,7% daria cerca de 5,75% (conta nossa, hipótese).
Aviso de greve aprovado significa que a fábrica parou?
Não: o texto do sindicato de 3 de novembro fala no envio do aviso de greve à empresa e não marca data de paralisação.
A Lei de Greve, a 7.783 de 1989, manda notificar o empregador com pelo menos 48 horas de antecedência depois de frustrada a negociação. O prazo de 72 horas é o de serviços essenciais. O aviso de greve é o passo que a lei pede antes de uma parada; sozinho, ele não interrompe a produção.
Por que a jornada de 40 horas entrou na conversa da Parker Filtros?
Junto do reajuste, o sindicato levou à fábrica a discussão sobre a redução imediata para 40 horas, sem período de transição. A regra nova é a Emenda Constitucional 141, de 16 de outubro de 2026: 42 horas semanais dois meses após a publicação e 40 horas um ano depois.
Nas datas informadas pelo sindicato em 5 de novembro, as etapas caem em 15 de dezembro de 2026 e 16 de dezembro de 2027. A entidade quer antecipar a segunda.
Na mesma quinta-feira, trabalhadores da Bosch, também na zona leste de São José dos Campos, cruzaram os braços por uma hora por essa negociação.
O que a greve de Jacareí tem a ver com essa fábrica?
A portaria da Parker Filtros já apareceu neste ano em outra disputa. Trabalhadores da Parker Hannifin de Jacareí mantiveram acampamento em frente à unidade de São José dos Campos desde 3 de agosto, contra o fechamento da fábrica de lá.
A greve de Jacareí terminou em acordo depois de 38 dias, com indenização social de R$ 35 mil, aprovado em 27 de agosto em assembleia diante da matriz, relata o sindicato. São conflitos diferentes: lá, fechamento; aqui, reajuste.
Na conta da campanha, as autopeças ficaram para o fim. O grupo do Sindipeças, em que o sindicato lista a Parker Filtros, ficou fora das cinco convenções assinadas em setembro e seguia em negociação em 7 de outubro. Agora, a resposta é da empresa: o sindicato condiciona a mobilização a uma proposta melhor, e o aviso de greve da Parker Filtros não traz data de parada no texto de 3 de novembro.
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Parker Filtros
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

