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Trabalhadores de Sete Lagoas (MG), no maior complexo da Iveco no mundo, passam a ter patrão indiano: a Tata Motors ficou com 89,42% das ações e une 27 fábricas e 73 mil funcionários

Trabalhadores de Sete Lagoas (MG), no maior complexo da Iveco no mundo, passam a ter patrão indiano: a Tata Motors ficou com 89,42% das ações e une 27 fábricas e 73 mil funcionários

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Trabalhadores de Sete Lagoas (MG), no maior complexo da Iveco no mundo, passam a ter patrão indiano: a Tata Motors ficou com 89,42% das ações e une 27 fábricas e 73 mil funcionários

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 05/11/2026 às 13:45

Atualizado em 05/11/2026 às 13:46

Logística e Transporte

Grupo

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A indiana Tata Motors assumiu o controle do Grupo Iveco, dono da fábrica de caminhões e motores de Sete Lagoas, em Minas Gerais, o maior complexo industrial da marca italiana no mundo.

No dia 30 de outubro, a Tata passou a deter 89,42% das ações da Iveco. A apresentação global da nova empresa aconteceu na terça-feira (3), em Turim, na Itália.

Para quem trabalha em Sete Lagoas, a mudança é de dono.

A Tata diz que vai manter as marcas e as operações industriais das duas fabricantes, e que os contratos com clientes, concessionárias e fornecedores continuam valendo.

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O tamanho do novo grupo.

Juntas, Tata e Iveco vendem cerca de 590 mil veículos por ano e somam receita anual de 21 bilhões de euros, segundo a Automotive Business.

O grupo passa a ter 27 fábricas, 25 centros de pesquisa e desenvolvimento, mais de 73 mil funcionários e uma rede de 9.300 pontos de venda e assistência em mais de 130 países.

Com isso, vira o quarto maior fabricante de veículos comerciais do mundo, considerando as vendas de caminhões acima de seis toneladas.

Quem é a Tata no mundo dos caminhões.

A Tata Motors tem forte atuação na Índia e em mercados da Ásia, do Oriente Médio e da África. A Iveco é forte na Europa e na América Latina, sobretudo em comerciais leves, caminhões médios e pesados.

A ideia do novo grupo é compartilhar tecnologia e ganhar escala na compra de componentes e nos processos de fábrica, segundo o Mecânica Online.

Como a compra foi fechada.

A aquisição foi anunciada no ano passado, no valor de 3,8 bilhões de euros, e só agora está sendo concluída. Em outubro, a Tata já tinha elevado a oferta final pela Iveco para fechar o negócio.

Depois da liquidação inicial, a oferta foi reaberta entre 2 e 6 de novembro para os acionistas que ainda não venderam. A liquidação dessas ações extras está prevista para o dia 13.

Na prática, a Tata já manda na empresa, mesmo com essa segunda janela da oferta ainda aberta para os acionistas minoritários.

A divisão de defesa da Iveco ficou fora da transação. Ela foi comprada separadamente pela italiana Leonardo.

Apresentação global da união entre Tata Motors e Iveco Group, em Turim, na terça-feira (3) (Reprodução/Mecânica Online)

O peso de Sete Lagoas.

O complexo mineiro é o maior da Iveco no mundo. Ali a marca monta veículos e também desenvolve e fabrica os motores da FPT, a divisão de motores do grupo.

A unidade tem papel estratégico para toda a operação da Iveco na América Latina, região em que a fabricante mantém presença industrial e comercial, segundo a Automotive Business.

É de lá que saem os caminhões que a marca vende no Brasil.

O investimento que já estava previsto.

Em março, a Iveco anunciou que vai investir R$ 1 bilhão na fábrica de Sete Lagoas até 2028. O dinheiro vai para a modernização da unidade e para o desenvolvimento de motores, caminhões e ônibus.

Até agora, nem a Tata nem a Iveco anunciaram mudança nesse plano depois da troca de controle.

A sede da Iveco continua em Turim, com as mesmas marcas, equipes e estrutura industrial, segundo a nova administração.

O que muda para quem compra caminhão.

Por enquanto, nada de imediato. As garantias e o pós-venda seguem em vigor, assim como os contratos com concessionárias e fornecedores, de acordo com o Mecânica Online, que acompanhou a coletiva global.

A Tata tem caminhões que vão de modelos leves até pesados de 55 toneladas. A combinação abre espaço para novos produtos, mas ainda não há lançamento confirmado para o Brasil.

No transporte rodoviário, um caminhão parado por falta de peça ou de assistência pode custar mais que a diferença de preço na compra, lembra a análise do Mecânica Online.

As duas marcas trabalham com motores a combustão, gás natural, eletrificação e hidrogênio, um leque que o novo grupo promete ampliar.

A rede que interessa à Tata.

Para Antonio Jorge Martins, coordenador de cursos automotivos da FGV, a estrutura de concessionárias, peças e assistência da Iveco pode ajudar o grupo a enfrentar as fabricantes chinesas no Brasil.

Num país de grandes distâncias, a disponibilidade de peças e oficina pesa na decisão de quem compra caminhão, avalia o especialista ouvido pelo Mecânica Online.

A chegada de marcas chinesas com caminhões elétricos e a gás vem pressionando as montadoras tradicionais no mercado brasileiro.

Evento com trabalhadores na fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG), em agosto de 2023 (Cadu Gomes/VPR, CC BY 2.0)

Quem manda agora.

N. Chandrasekaran passa a presidir ao mesmo tempo a Tata Sons, a Tata Motors e o Iveco Group. Na coletiva, ele disse que o objetivo é investir no longo prazo e trocar competências entre as empresas.

A Tata Motors pertence ao conglomerado indiano comandado pela holding Tata Sons, que Chandrasekaran também preside.

A prioridade inicial, segundo a nova administração, é garantir a continuidade das operações e uma transição sem interrupções para clientes e parceiros.

A Fenatran como primeira vitrine.

A Iveco reservou para a Fenatran, de 9 a 13 de novembro, em São Paulo, lançamentos de veículos comerciais e anúncios para a América Latina, segundo a Transporte Moderno.

A marca terá um estande de 2.228 metros quadrados e marcou coletiva de imprensa para 9 de novembro, primeiro dia da feira. Os modelos ainda não foram revelados.

“Construímos uma trajetória sólida nos últimos anos e agora estamos prontos para dar mais um passo importante nessa jornada”, disse Marcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina.

O que ainda falta saber.

A formação de um grupo maior não garante, por si só, caminhão mais barato nem mais vendas. Isso depende de decisões sobre produção nacional, novos modelos e atendimento.

Também não há, por enquanto, anúncio sobre o quadro de funcionários de Sete Lagoas depois da troca de controle.

Em Sete Lagoas, a primeira pista deve vir na Fenatran.

Na sua opinião, a Tata vai trazer caminhões indianos para Sete Lagoas ou manter só a linha da Iveco? Conta pra gente nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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