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Visto da Espanha para brasileiro morar sem trabalhar exige renda de 2.400 euros por mês, cerca de R$ 14,5 mil, quatro vezes o indicador oficial de 600 euros fixado desde 2023
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 01/11/2026 às 20:18
Economia
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O regulamento espanhol de estrangeiros pede a quem solicita o visto da Espanha de residência não lucrativa 400% do IPREM por mês e mais 100% por familiar, valor que precisa estar comprovado para o ano inteiro da primeira autorização
O visto da Espanha para morar sem trabalhar tem nome técnico: residência temporal não lucrativa. A regra está no Real Decreto 1155/2024, o regulamento de estrangeiros publicado no Boletín Oficial del Estado (BOE) em 20 de novembro de 2024 e em vigor desde 20 de maio de 2025.
O artigo 62 manda o titular provar, para o próprio sustento, uma quantia mensal equivalente a 400% do IPREM, o indicador público de renda que a Espanha usa como régua para benefícios e exigências oficiais. Para cada familiar a cargo, somam-se mais 100% do IPREM.
O IPREM mensal é de 600 euros, valor fixado na Lei 31/2022 e não atualizado desde então. Quatro vezes 600 dá 2.400 euros por mês para quem pede sozinho.
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Essa residência não autoriza a trabalhar. A página do consulado da Espanha em São Paulo diz isso com todas as letras: o visto serve para residir no país “sem exercer uma atividade lucrativa”.
Quanto são 2.400 euros em reais?
A conversão usa a cotação PTAX de venda do euro divulgada pelo Banco Central no fechamento de 30 de outubro de 2026: R$ 6,0522.
A conta do titular fica assim: 2.400 x 6,0522 = R$ 14.525,28 por mês. Com o salário mínimo brasileiro de 2026, de R$ 1.621, isso equivale a quase nove salários mínimos (14.525,28 ÷ 1.621 = 8,96).
O visto da Espanha não pede só a renda de um mês. O artigo 62.2 diz que a quantia global deve cobrir o tempo de vigência da autorização pedida, e a primeira autorização dura um ano (artigo 61.4). Na prática, o valor anual do titular é 2.400 x 12 = 28.800 euros. Em reais, 28.800 x 6,0522 = R$ 174.303,36, cerca de R$ 174,3 mil, o equivalente a 107,5 salários mínimos de 2026.
Para quem leva a família no visto da Espanha, cada pessoa a cargo acrescenta 600 euros por mês (600 x 6,0522 = R$ 3.631,32).
Os reais da tabela mudam com a cotação do euro, porque a exigência do visto da Espanha é em euros. O artigo 62.1 diz ainda que os valores são mínimos e contam no momento do pedido do visto ou da renovação.
Quem entra como familiar no visto da Espanha?
O artigo 61.3 do regulamento lista quem conta como familiar nessa residência não lucrativa:
- cônjuge, parceiro registrado ou parceiro estável com vínculo comprovado (o texto aceita como prova pelo menos um ano seguido de convivência, ou convivência estável se o casal tiver filhos em comum);
- filhos menores de idade e solteiros do titular ou do cônjuge;
- filhos maiores com deficiência que precise de apoio, ou que não consigam se manter por causa do estado de saúde.
Cada um deles soma 100% do IPREM à conta. Uma família de quatro pessoas, por esse cálculo, precisa mostrar 4.200 euros por mês, ou 50.400 euros no ano.
Como provar o dinheiro para o consulado da Espanha?
O artigo 62.3 aceita qualquer meio de prova admitido em Direito. O texto cita títulos de propriedade, cheques certificados e cartões de crédito, estes acompanhados de certificado do banco com o valor disponível.
Os 2.400 euros mensais da residência não lucrativa também podem vir de uma fonte periódica de renda, como diz o artigo 62.1. Quem apresenta conta ou aplicação fora da Espanha, caso de quem mora no Brasil, precisa entregar:
- nome completo e endereço do banco;
- identificação completa das contas;
- data de abertura;
- saldo em 31 de dezembro do ano anterior ao pedido e saldo médio do último ano.
O consulado da Espanha em São Paulo acrescenta que os documentos estrangeiros devem estar legalizados ou apostilados e, quando for o caso, com tradução oficial para o castelhano.
Quais documentos o consulado da Espanha em São Paulo pede?
A página do Consulado-Geral da Espanha em São Paulo sobre o visto de residência não lucrativa lista dez itens para o titular:
- formulário de pedido de visto nacional;
- impresso EX-01 de pedido da autorização de residência;
- foto recente, colorida, com fundo claro;
- passaporte com validade mínima de um ano e duas páginas em branco, emitido há menos de dez anos;
- prova dos meios econômicos (400% do IPREM, mais 100% por familiar);
- seguro de doença público ou privado, de seguradora autorizada a operar na Espanha, com a mesma cobertura do sistema público espanhol;
- certidão de antecedentes criminais dos países onde a pessoa morou nos últimos cinco anos;
- atestado médico de que não tem doença com impacto grave na saúde pública, conforme o Regulamento Sanitário Internacional de 2005;
- prova de residência na área atendida pelo consulado;
- pagamento da taxa da autorização (modelo 790, código 052).
A mesma página informa que a taxa do visto da Espanha é de 80 euros. Na PTAX de 30 de outubro, 80 x 6,0522 = R$ 484,18.
O pedido é feito em pessoa no consulado da Espanha, com hora marcada. O consulado avisa que pode exigir documentos extras e chamar o candidato para entrevista. Cada familiar entrega quase os mesmos papéis, além das certidões de nascimento, de casamento ou de união que provam o parentesco.
Quanto tempo leva e quanto vale a autorização?
O pedido do visto da Espanha já carrega o pedido da autorização de residência (artigo 63.1). O consulado informa prazo legal de três meses para a decisão, contados do dia seguinte à entrega, e diz que esse prazo pode crescer se houver pedido de documentos ou entrevista.
Dentro desse caminho, a oficina de estrangeiros na Espanha tem até um mês para decidir sobre a autorização depois de receber a comunicação do consulado. Se não responder nesse prazo, o pedido é considerado negado, segundo o artigo 63.4.
Com resposta favorável, o visto precisa ser retirado em até um mês e vale 90 dias. Já na Espanha, o titular tem um mês para pedir o cartão de identidade de estrangeiro, o TIE. Em caso de recusa, o consulado indica recurso de reposição em um mês ou ação no Tribunal Superior de Justiça de Madri em dois meses.
A primeira autorização vale um ano. A renovação, pelo artigo 64, deve ser pedida nos dois meses antes do vencimento e exige de novo a prova da renda, seguro de doença mantido, filhos em idade escolar matriculados e residência real na Espanha por mais de 183 dias no ano. A autorização renovada vale dois anos.
Por que o IPREM está em 600 euros desde 2023?
O valor de 600 euros por mês está na disposição adicional nonagésima da Lei 31/2022, o orçamento espanhol para 2023. O texto fixa o IPREM em 20 euros por dia, 600 euros por mês e 7.200 euros por ano.
Como o regulamento atrela a residência não lucrativa ao IPREM, a exigência de 2.400 euros acompanha esse valor. Se a Espanha publicar um IPREM novo no BOE, o piso do visto muda junto, e a conta em reais também muda com o câmbio.
Quem planeja o pedido do visto da Espanha a partir do Brasil faz a conta em duas camadas: o múltiplo do IPREM, que é fixo no regulamento, e a cotação do euro no dia, que muda o tamanho do valor em reais. O passaporte brasileiro com pelo menos um ano de validade é o primeiro item a conferir, porque sem ele o pedido nem entra na fila.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

