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Home»Brasil»Terapeutas da sacanagem oferecem “xerecada da alegria” em clínica no DF
Brasil

Terapeutas da sacanagem oferecem “xerecada da alegria” em clínica no DF

Por Metrópoles10 de novembro de 20254 Mins Read
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Terapeutas da sacanagem oferecem “xerecada da alegria” em clínica no DF
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Sob a fachada discreta de uma “clínica de massoterapia”, no subsolo de uma movimentada quadra comercial da Asa Norte, pulsa um universo de prazer tarifado, onde a palavra “terapeuta” ganha um significado bem mais apimentado.

O que o local anuncia como um refúgio de bem-estar com serviços de massoterapia e acolhimento, destacando “ambiente reservado”, “toalhas higienizadas” e “atendimento profissional”, rapidamente se revela um engenhoso esquema de serviços sexuais, cuidadosamente embalado em uma roupagem de discrição e saúde.

No fim das contas, o discurso terapêutico serve como fachada para ofertar “rapidinhas” na hora do almoço ou no fim do expediente, sempre de olho na clientela da Esplanada dos Ministérios. A casa de massagem investe pesado no véu da decência. Pelo WhatsApp, o estabelecimento garante entrada recatada e salas privativas. A logística de acesso, minuciosamente detalhada, é o primeiro sinal da natureza sigilosa do negócio.

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Em horário comercial, o cliente deve usar a escada lateral do prédio. Após as 18h, e aos sábados e feriados, o acesso é estritamente pela portaria dos fundos, mediante uso de interfone, isolando o fluxo do público regular da quadra. Tudo é pensado para que a chegada do cliente, quase sempre preocupado com a exposição, não levante suspeitas no burburinho da Asa Norte.

Paraíso libertino

No entanto, toda a fachada “terapêutica” desmorona no instante em que o cliente atravessa a porta de vidro fumê e pisa no pequeno, mas eficaz, paraíso libertino. No ambiente de espera — apertado com um divã de couro preto, uma cadeira e o indispensável ar-condicionado — é onde a cortina de fumaça se dissipa.

A recepção é feita por uma guardiã de meia-idade, loira, de olhos claros e de simpatia desconcertante. Ela é quem, sem rodeios e com a desenvoltura de quem lida com o assunto há tempos, anuncia o “esquema sacana”.

“Olha, são R$ 250 pela massagem e o relax final”, dispara a gerente, apontando para um QR code fixado na parede. O cartaz de cobrança é a prova final do artifício: o valor está destrinchado em R$ 170 pela suposta “terapia” e um adicional de R$ 80 por um “aditivo especial”, a explicitamente nomeada “xerecada da alegria”.

Desfile das “terapeutas”

Aguardando na saleta, o cliente é apresentado ao “elenco”. As jovens, anunciadas como “terapeutas”, desfilam individualmente, cada uma com seu nome de guerra e seu estilo.

A primeira, de cabelos longos e pretos, aparenta pouco mais de 20 anos, e ostenta um sorriso matreiro emoldurado por um aparelho fixo nos dentes. Seu traje, um short e um top, cumpre a função de sedução sem respeitar, de forma muito clara, o código de vestimenta de uma “massagista”.

Logo depois, a segunda chega serelepe. Ela entra e paralisa o ambiente. Voluptuosa, a moça veste apenas uma camisola vermelha de renda, completamente transparente, deixando pouco à imaginação e revelando, sem meias palavras, a real natureza da “sessão”.

A terceira, de visual mais recatado, vestindo short e mini blusa, era a mais velha do trio disponível naquela tarde de início de semana, logo após o horário de almoço. Naquele dia, apenas as três moças estavam à disposição para oferecer os “serviços de relaxamento”.

Após a apresentação, a gerente da casa retorna para perguntar qual terapeuta é a grande escolhida. Após uma desculpa sobre “agenda apertada”, a reportagem deixou o local sem passar pela sessão terapêutica.

Ética do Toque 

A utilização do termo “terapeuta” por estabelecimentos com fins sexuais não é apenas um eufemismo, mas uma apropriação indevida que descredibiliza profissionais sérios. A massoterapia e outras terapias exigem formação, ética e conhecimento técnico para auxiliar a saúde física ou psicológica das pessoas. O uso do título em um contexto puramente libidinoso desrespeita a seriedade e os requisitos de qualificação fundamentais para a segurança e o bem-estar dos pacientes que buscam tratamento legítimo.

A apuração da coluna aponta para um claro caso de violação ética e desvirtuamento de função, onde o “toque terapêutico” é apenas a senha para um prazer proibido e mercenário no coração de Brasília. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que o uso do termo “terapeuta” nesses casos tem o objetivo de driblar fiscalização e conferir legitimidade profissional ao atendimento.

“A massoterapia é uma prática que exige formação, ética e conhecimento técnico para garantir bem-estar e saúde do paciente. Quando o termo é apropriado para encobrir outras atividades, há não só fraude, mas risco para a saúde física e psicológica das pessoas envolvidas”, explica uma profissional registrada, que preferiu não se identificar.

Fonte:
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