O dólar registrou leve alta de 0,01% em relação ao real, cotado a R$ 5,52, nesta quinta-feira (18/12). Por ser ínfima, a variação indicou que o câmbio se manteve estável na sessão. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), operava em alta de 0,35%, aos 157.885,72 pontos, às 17h10.
Com esses resultados, os mercados de câmbio e de ações recuperaram-se, embora parcialmente, dos últimos pregões. Nesta semana, eles registraram altas expressivas do dólar e quedas abruptas do Ibovespa, afetados por pesquisas eleitorais que indicaram chances precárias dos candidatos de centro-direita e direita na eleição presidencial de 2026.
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Nesta quinta-feira, na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a sessão também foi marcada por volatilidade nos ativos domésticos, com o dólar e os juros futuros avançando ao longo do dia. “No entanto, o sentimento do mercado mudou no início da tarde, depois da divulgação de noticiário político, que trouxe algum alívio às expectativas eleitorais”, diz.
Ele observa que a “leitura de que a pré-candidatura presidencial ainda está em aberto” favoreceu uma melhora marginal do humor dos agentes econômicos, “permitindo recuperação do Ibovespa em direção às máximas do dia, enquanto câmbio e curva de juros passaram a devolver ganhos”.
Lula, Flávio e Tarcísio
Nicolas Gass, sócio da GT Capital, acrescenta que, sobre a questão política, o mercado acompanhou durante o pregão as manifestações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), “sinalizando apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que imediatamente chamou a atenção dos investidores”.
O analista cita ainda uma pesquisa da Atlas Intel mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria em todos os cenários simulados, inclusive em um eventual confronto com Tarcísio. Para Gass, “esse desenho eleitoral” provoca volatilidade nos ativos, pois “uma eventual reeleição de Lula não seria bem recebida pelo mercado”.
“Mas vale destacar que, em um eventual segundo turno contra Tarcísio, a diferença para Lula seria de apenas 4 pontos percentuais, o que adiciona ainda mais incerteza ao ambiente”, afirma Gass. “Foi, essencialmente, esse fator político que ditou o comportamento dos preços hoje no mercado brasileiro.”
Juros nos EUA
Shahini, porém, observa que dados sobre a inflação divulgados nos Estados Unidos reforçaram o viés de desinflação no país e mantiveram vivas as apostas em um novo corte de juros em janeiro. “O CPI (o índice de inflação ao consumidor) anual ficou em 2,7%, abaixo do esperado, com o núcleo em 2,6%, também aquém das projeções”, afirma o analista. “A surpresa foi bem recebida pelos investidores e levou a uma sessão de alta nos principais índices acionários dos EUA.”

