O cenário político acreano segue marcado por articulações intensas e divergências estratégicas entre lideranças tradicionais. O senador Márcio Bittar tem sido apontado como o principal entrave para que o MDB, sob a presidência estadual do ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Vagner Sales, formalize uma aliança com o Progressistas e caminhe ao lado da vice-governadora Mailza Assis nas próximas eleições.
Segundo interlocutores próximos ao ex-gestor, a posição de Vagner é clara: onde Márcio Bittar estiver politicamente, ele tende a seguir no campo oposto. O distanciamento entre os dois tem raízes recentes e profundas, especialmente após o processo eleitoral municipal de 2024 em Cruzeiro do Sul.

Na ocasião, aliados de Vagner afirmam que o senador teria retirado o apoio do Partido Liberal (PL) à candidatura de sua filha, a ex-deputada federal Jéssica Sales, e decidido apoiar o atual prefeito Zequinha Lima. O resultado foi uma das disputas mais apertadas da história política do município, com vitória definida por apenas 197 votos de diferença.
O episódio foi interpretado por aliados do MDB como uma ruptura definitiva entre antigas lideranças que, no passado, caminharam juntas. Vagner Sales e sua esposa, a deputada estadual Antônia Sales, já integraram chapas majoritárias ao lado de Márcio Bittar e tiveram papel importante ao garantir legenda e sustentação política para sua eleição ao Senado Federal.
Nos bastidores, a indefinição também envolve a disputa pelo Governo do Acre. Márcio Bittar ainda não declarou apoio público à eventual candidatura de Mailza Assis ao Palácio Rio Branco. Paralelamente, o senador teria atuado para impedir que o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, disputasse o governo pelo Partido Liberal, movimento interpretado como parte de uma estratégia maior visando uma composição com o governador Gladson Cameli em uma possível dobradinha para o Senado.
Analistas avaliam que, sem uma aliança consolidada dentro do campo governista, Márcio Bittar corre o risco de enfrentar um cenário eleitoral fragmentado e sem base sólida para buscar a reeleição. Ao mesmo tempo, o MDB, liderado por Vagner Sales, sinaliza que poderá trilhar caminho independente, redesenhando o tabuleiro político acreano nos próximos meses.

O desfecho dessas articulações deve influenciar diretamente a formação das chapas majoritárias e proporcionais, consolidando alianças e definindo adversários na corrida eleitoral que se aproxima.

