A artista italiana Ulrike Belloni estreou sua primeira mostra em solo brasileiro, intitulada Encantarias do Cotidiano. As obras inéditas foram reveladas ao público brasiliense nessa quinta-feira (25/6), na Livraria Platô, na Asa Sul, reunindo amantes da arte para conferir um trabalho ligado à tradição pictórica clássica — com quadros pintados com modelos vivos. A mostra fica aberta ao público até 5 de julho.
Natural de Milão e apaixonada pelo Brasil, Ulrike escolheu Brasília por um motivo afetivo: ela é casada com um brasileiro e mãe de uma filha nascida na capital. Entre o ateliê em Florença e a vida no Planalto Central, ela encontrou na cidade o espaço e a inspiração para criar.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, Ulrike Belloni detalhou seu processo criativo em meio ao Cerrado. “São 16 obras no total. Tem obras que foram feitas na Calúça, outra em Milão, Londres, e duas na Irlanda. Mas a maioria foi feita em Brasília. Estou adorando a cidade, acho que a região tem me ajudado muito”, comentou.
A vernissage contou com convidados ilustres. O embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, e a embaixatriz, Elsie Cortese, estiveram entre os presentes e se encantaram com as produções da artista compatriota. Enquanto exploravam as obras da artista, o público também pôde apreciar a apresentação de um chorinho — bem brasileiro.
Artista italinia Ulrike Belloni estreia primeira mostra no Brasil
À frente da agência Lavanda, responsável pela montagem da mostra, Ana Rita de Holanda revelou que a ideia de montar uma exposição com as criações de Ulrike Belloni surgiu da vontade de apresentar o que já estava sendo desenvolvido há seis meses em Brasília.
“Desde que ela se mudou para cá, a gente se conheceu e eu falei: ‘Ulrike, a gente precisa fazer uma exposição do seu trabalho’. Ela fez as obras em seu ateliê na Galeria Alfinete do Dalton. A maioria foi feita aqui em Brasília — o que é muito especial”, vibrou.
Em meio ao universo criativo de Ulrike Belloni, os convidados puderam compreender a fundo a técnica e o estilo característicos de sua assinatura. Formada na tradição clássica de Florença com o mestre Charles H. Cecil, ela se debruçou no estilo pictórico para suas criações, usando óleo sobre tela ou madeira.
“Eu pinto principalmente pessoas e naturezas mortas ligadas à cotidianidade, em torno das cores e da harmonia entre elas. Então comecei a trabalhar aqui como costumava trabalhar na Itália: chamei algumas modelos para vir e posar para mim no ateliê, porque eu trabalho ao vivo”, detalhou Ulrike Belloni.
Para a produção dos quadros, Ulrike utilizou a técnica sight-size. “É uma técnica pela qual o sujeito do retrato — ou a natureza morta — fica vivo na minha frente, e a tela fica do lado dele, na altura da cabeça. Assim, em um mesmo olhar, eu consigo ver a realidade e a tela ao mesmo tempo”, esclareceu.
O processo exige luz natural. “Eu controlo a luz com uma série de cortinas. E dizem que o primeiro pintor a pintar dessa forma — diretamente na tela com tinta a óleo, sem desenho preparatório — foi Ticiano. É uma tradição veneziana: os florentinos faziam um desenho bem elaborado antes de pintar por cima; já os venezianos, a partir de Ticiano, iam direto na tela”, detalhou.
“Foram algumas semanas. A modelo veio umas 15 a 20 vezes para posar para mim no ateliê. É bem devagar”, complementou.
Veja quem prestigiou o evento pelos cliques do fotógrafo Gustavo Lucena:
Serviço
Onde: Livraria Platô
Endereço: CLS 405 Bloco A, Brasília (DF)
Quando: 26 de junho a 5 de julho de 2026
Horário: Das 13h30 às 20h
Preço: Entrada gratuita
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