A preparação de atletas de alto rendimento envolve uma rotina de extrema pressão psicológica ligada a dietas, treinos e cobranças por alta performance. Para quebrar o clima de tensão no futebol, a seleção dos Estados Unidos inovou ao introduzir cachorros em seu centro de treinamento em Atlanta, auxiliando os jogadores no processo de relaxamento físico e mental após as partidas da Copa do Mundo.
A iniciativa, aprovada pelo técnico Mauricio Pochettino, utiliza animais de uma organização de resgate para aliviar o estresse da competição em casa. A ciência explica que essa interação com os pets de suporte emocional vai muito além do entretenimento, sendo uma ferramenta terapêutica essencial que atua de forma direta no equilíbrio biológico do corpo humano.
De acordo com a psicóloga Munik Monteiro, o cotidiano já envolve muitas cobranças, o que não é diferente com os profissionais do esporte. O contato com os animais traz conforto e acolhimento em momentos de crise, funcionando como uma terapia de apoio eficiente.
O impacto neurológico e o suporte sem julgamentos
Ao contrário de técnicas de relaxamento tradicionais, a companhia de um pet atua diretamente na saúde mental.
Diante disso, a psicóloga Munik destaca que os bichinhos quebram barreiras emocionais porque “trazem esse conforto e acolhimento sem julgamento”, o que afeta positivamente o jogador sob forte cobrança da torcida ou que acabou de falhar em campo.
A preferência neurológica por esses animais ocorre porque a convivência com os pets ajuda na liberação de hormônios essenciais para o equilíbrio do corpo.
De acordo com a professora, a presença dócil dos animais de estimação gera respostas químicas imediatas no organismo humano que “ajudam a regular a ansiedade, a depressão e, também, na autorregulação para neurodivergentes”.

O controle do cortisol e a melhora na recuperação física
A redução do estresse proporcionada pelos pets gera um efeito cascata que atinge diretamente a fisiologia e o descanso do jogador. Munik Monteiro adverte que a rotina exaustiva pode sabotar a performance se não for controlada, pois fatores como o sono e descanso são essenciais para a recuperação do corpo e da mente.
Quando o esportista passa por momentos de desgaste extremo, o corpo reage de forma prejudicial ao desempenho físico e muscular.
Critérios de seleção e cuidados com o cão funcionário
A aplicação dessa metodologia em atletas lesionados ou em processos de fisioterapia mostra que os animais são grandes aliados na medicina esportiva. A especialista detalha que “existem pets de suporte emocional essenciais para a recuperação não só de atletas, como também de diagnósticos diversos”. Ela ressalta que é necessário que o pet seja adestrado, e a raça do cão precisa ser adequada de acordo com a necessidade do paciente.
Cada caso se torna único na terapia e, embora existam raças que são mais fáceis de serem adestradas e conseguem se adaptar melhor à rotina do paciente, a individualidade deve ser respeitada.
O uso de cachorros treinados também se mostra indispensável em acompanhamentos de saúde complexos, sendo “muito comum inclusive em casos de demência, convulsões, AVC, os pets serem essenciais para o acompanhamento do paciente”, pontua Munik.
Para garantir que o bicho também não se estresse em um ambiente barulhento e de energia competitiva alta, o planejamento exige cuidados rigorosos com a rotina do animal.
A psicóloga conclui lembrando que, para o bem-estar do bicho, “é necessário adestramento, boas condições e um ambiente confortável para o pet”. Como todo cachorro, o cão terapeuta requer cuidados diários e períodos de descanso.











