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Quem disse que o Bolsa Família afasta trabalhadores do emprego? Dados do MTE mostram que beneficiários e inscritos no CadÚnico ocuparam 91% das novas vagas formais, com forte presença de mulheres, jovens e trabalhadores pretos ou pardos
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 22/07/2026 às 21:17
Atualizado em 22/07/2026 às 21:18
Economia
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Dados do Caged mostram que trabalhadores de baixa renda ocuparam 1,160 milhão das 1,274 milhão de vagas com carteira assinada abertas no país.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, beneficiários do Bolsa Família e inscritos no CadÚnico ocuparam 91% dos empregos formais criados em 2025.
Ao todo, esse público preencheu 1,160 milhão das 1,274 milhão de vagas abertas no Brasil durante o ano.
Assim, o levantamento inclui tanto integrantes de famílias beneficiárias quanto pessoas cadastradas no CadÚnico que não recebem o auxílio.
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Dados do Caged mostram participação expressiva nas vagas formais
Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o resultado reforça a presença da população de baixa renda no mercado formal.
Além disso, a tendência permaneceu durante os primeiros cinco meses de 2026.
Entre janeiro e maio, o Brasil acumulou saldo positivo de 767 mil empregos com carteira assinada.
Desse total, 517 mil vagas foram ocupadas por integrantes de famílias beneficiárias. Além disso, inscritos no CadÚnico sem auxílio preencheram outras 200 mil.
Enquanto isso, trabalhadores fora desse grupo ficaram com aproximadamente 50 mil oportunidades.
Portanto, mais de dois terços das novas vagas foram ocupadas por pessoas vinculadas às políticas sociais.
Mulheres, jovens e trabalhadores pretos ou pardos lideram admissões
Segundo o MTE, mulheres representaram 61% dos contratados pertencentes às famílias beneficiárias. Fora do CadÚnico, elas corresponderam a 35,8%.
Da mesma forma, jovens entre 18 e 24 anos responderam por 35% das contratações entre beneficiários. Fora do cadastro, o índice ficou em 25%.
Quanto à escolaridade, 69% dos trabalhadores vinculados ao benefício concluíram o ensino médio. Entre profissionais externos ao CadÚnico, o percentual alcançou 64%.
Entretanto, somente 2,3% dos beneficiários admitidos possuíam ensino superior. Fora do cadastro, a participação chegou a 10,5%.
Além disso, aproximadamente 70% dos contratados provenientes de famílias beneficiárias eram pretos ou pardos. Entre trabalhadores externos ao CadÚnico, eram 56%.
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Salários menores e rotatividade continuam como desafios
Apesar do avanço nas contratações, os trabalhadores vinculados ao programa permaneceram concentrados em vagas com remunerações inferiores.
Em maio de 2026, o salário médio de admissão desse público foi de R$ 1.901.
Enquanto isso, inscritos no CadÚnico sem benefício receberam R$ 2.076. Já trabalhadores externos ao cadastro ganharam, em média, R$ 2.612.
Consequentemente, a diferença salarial chegou a 37,4%. Naquele período, o salário mínimo nacional correspondia a R$ 1.621 mensais.
Além disso, beneficiários permaneciam aproximadamente seis meses nos empregos. Inscritos sem auxílio ultrapassavam 14 meses, enquanto outros trabalhadores superavam 20 meses.
Segundo a subsecretária Paula Montagner, salários menores incentivam a procura por melhores oportunidades. Além disso, contratos rurais terminam frequentemente após as safras.
Regra de Proteção evita perda imediata do benefício
Atualmente, a Regra de Proteção permite que beneficiários consigam emprego sem perder imediatamente o auxílio.
Nesse caso, o programa reduz gradualmente o pagamento quando a renda familiar aumenta dentro do limite permitido.
Dessa forma, o mecanismo busca oferecer uma transição segura e reduzir o incentivo ao trabalho informal.
Governo contesta críticas ao Bolsa Família
Diante dos resultados, o MTE contesta a avaliação de que programas de transferência de renda afastam beneficiários do mercado de trabalho.
Segundo o ministro Luiz Marinho, as críticas ao programa estão relacionadas ao preconceito.
Para o ministro, o Bolsa Família funciona como proteção social contra a fome, sem retirar mão de obra do mercado.
Por fim, podem participar famílias com renda de até R$ 218 mensais por pessoa e inscrição atualizada no CadÚnico.
Além disso, famílias com crianças, adolescentes ou gestantes têm prioridade e precisam cumprir exigências de vacinação e frequência escolar.
Diante desses números, você acredita que o Bolsa Família desestimula o trabalho ou funciona como apoio para a entrada no mercado formal?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

