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Depois de analisar 10 mil documentos esquecidos, historiadores encontraram pequena fechadura no Parlamento britânico, abriram uma parede de madeira e revelaram passagem usada na coroação de um rei
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 22/07/2026 às 22:21
Construção, Indústria
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A pesquisa histórica no Palácio de Westminster encontrou a passagem secreta do Parlamento britânico, criada entre 1660 e 1661 para a coroação de Carlos II, com portas de 3,5 metros, inscrições de pedreiros e uma antiga instalação elétrica.
Uma pequena fechadura de latão, quase invisível em um painel de madeira, levou historiadores a uma passagem secreta dentro do Parlamento britânico. O espaço havia sido criado para a coroação do rei Carlos II e permaneceu escondido durante décadas.
A redescoberta foi divulgada em 26 de fevereiro de 2020 pelo Parlamento do Reino Unido, instituição que reúne as duas casas legislativas britânicas. Os pesquisadores acreditavam que a antiga entrada havia desaparecido durante reformas realizadas no Palácio de Westminster.
A abertura do painel revelou dobradiças de portas com 3,5 metros, inscrições deixadas por pedreiros em 1851 e um sistema elétrico instalado durante intervenções do século XX. O espaço não é um túnel subterrâneo, mas uma passagem interna ligada ao Westminster Hall.
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Pesquisa começou com 10 mil documentos ainda não catalogados
A descoberta começou longe da parede onde estava a fechadura. Historiadores analisavam cerca de 10 mil documentos ainda não catalogados relacionados ao Palácio de Westminster.
O material estava guardado nos arquivos da Historic England, em Swindon. Entre plantas, registros de obras e outros documentos, a equipe encontrou desenhos que indicavam uma antiga porta no claustro atrás do Westminster Hall.
A consultora histórica Liz Hallam Smith, da Universidade de York, participou da pesquisa. As plantas mostravam que a passagem havia existido, mas ainda era necessário localizar alguma prova dentro do edifício.
Essa etapa mostra por que arquivos antigos são importantes em obras de restauração. Uma planta esquecida pode indicar paredes, portas e espaços que desapareceram da memória, embora continuem preservados dentro da construção.
Pequena fechadura estava escondida em um painel de madeira
Com as plantas em mãos, os historiadores examinaram cuidadosamente o revestimento de madeira. Foi nesse momento que perceberam um pequeno buraco de fechadura feito em latão.
O painel parecia esconder apenas um armário de eletricidade. A fechadura havia passado despercebida porque não existia uma maçaneta visível nem qualquer indicação clara de que aquela parte da parede pudesse se abrir.
A equipe produziu uma chave compatível com o mecanismo. Quando ela foi colocada na fechadura, o painel inteiro se abriu como uma porta, revelando a entrada escondida.
A pesquisa documental indicou o ponto correto, enquanto a inspeção física confirmou a descoberta. Sem a combinação dessas duas etapas, a passagem poderia continuar confundida com uma parte comum do revestimento interno.
Passagem foi construída para a coroação de Carlos II
O exame dos anéis das vigas de madeira mostrou que as árvores usadas na estrutura foram derrubadas em 1659. A idade coincidiu com os registros que situavam a construção da passagem entre 1660 e 1661.
O acesso foi preparado para a procissão do banquete de coroação de Carlos II. Parte do cortejo saía da antiga Câmara dos Lordes e seguia até o salão onde o rei e a rainha estavam sentados.
Depois da cerimônia, a passagem continuou sendo usada em outras coroações. Ela também serviu às procissões do presidente da Câmara dos Comuns e ao deslocamento cotidiano dos parlamentares até a antiga câmara.
A estrutura fazia parte da circulação interna do palácio e ajudava a organizar cerimônias, autoridades e deslocamentos oficiais sem depender das entradas comuns do edifício.
Dobradiças revelaram portas com 3,5 metros de altura
Atrás do painel havia um espaço semelhante a uma pequena sala. As paredes preservavam as dobradiças originais de duas grandes portas de madeira.
Essas portas tinham aproximadamente 3,5 metros de altura e se abriam para o Westminster Hall. A dimensão mostra que o acesso foi preparado para uma função cerimonial, com espaço suficiente para a passagem organizada do cortejo real.
Os pesquisadores não encontraram as antigas portas, mas as dobradiças permitiram entender onde elas ficavam e como se movimentavam. Mesmo escondidos, esses componentes conservaram parte do funcionamento original da construção.
Inscrições de 1851 preservaram a presença dos pedreiros
As paredes também guardavam inscrições feitas por trabalhadores que participaram da recuperação do palácio depois do incêndio de 1834. Parte desses pedreiros ajudou a fechar a passagem pelos dois lados em 1851.
Uma das anotações citava Tom Porter, trabalhador responsável por fechar o cômodo e conhecido entre os colegas por gostar de cerveja. Outro registro trazia a data de 11 de agosto de 1851 e uma assinatura ligada às ideias políticas dos trabalhadores daquele período.
O Parlamento do Reino Unido, instituição que reúne as duas casas legislativas britânicas, relacionou a assinatura ao movimento cartista. O grupo defendia reformas eleitorais e maior participação dos trabalhadores na política.
Mark Collins, historiador do patrimônio do Parlamento, destacou a conservação das palavras escritas a lápis. Mesmo depois de tantos anos, as inscrições permaneciam visíveis e fáceis de ler.
Instalação dos anos 1950 ainda conseguiu acender a lâmpada
A equipe encontrou um interruptor dentro da passagem. O equipamento provavelmente foi colocado durante obras realizadas nos anos 1950, após os danos sofridos pelo palácio durante a guerra.
Quando o interruptor foi acionado, uma grande lâmpada da Osram acendeu. O objeto possuía uma identificação de propriedade governamental e revelou que o espaço recebeu uma instalação elétrica no século XX.
A presença desse sistema também indicava que alguém havia entrado no local durante as reformas. Mesmo assim, a passagem acabou esquecida e passou a ser confundida com um armário elétrico fechado.
Plantas serão preservadas para a passagem não desaparecer novamente
A digitalização das plantas foi prevista em 2020 como parte do Programa de Restauração e Renovação do Palácio de Westminster. A preservação digital reduz o risco de que informações sobre a estrutura voltem a desaparecer entre milhares de documentos.
O caso mostra que edifícios históricos não guardam apenas paredes antigas. Reformas sucessivas podem esconder acessos, dividir ambientes e apagar da memória espaços que continuam fisicamente preservados.
A análise dos 10 mil documentos, a pequena fechadura de latão e a abertura do painel permitiram recuperar uma passagem criada há aproximadamente 360 anos. Dobradiças, inscrições e uma lâmpada completaram a história deixada dentro da parede.
Quantas outras partes de edifícios históricos podem continuar escondidas porque ninguém percebeu uma pequena fechadura? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a descoberta.
Fonte
Parlamento do Reino Unido
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

