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Sem diploma e sem oficina própria, jovem transforma carros sucateados em scooter solar todo-terreno, importa bateria e kit elétrico da China e afirma ter criado por US$ 3.500 um veículo com 200 km de autonomia
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 23/07/2026 às 16:48
Curiosidades
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Protótipo de três rodas foi montado em Bulawayo com peças reaproveitadas e componentes elétricos importados, alcançaria 50 km/h e levaria até 500 kg, embora os números ainda não tenham sido confirmados em testes independentes
Sem concluir o ensino secundário e trabalhando sem uma oficina própria, o mecânico autodidata Charles Ncube, então com 31 anos, passou cinco meses montando uma scooter elétrica de três rodas abastecida por painéis solares. O veículo foi construído no subúrbio de Luveve, em Bulawayo, segunda maior cidade do Zimbábue.
Ncube afirma ter gasto aproximadamente US$ 3.500, o equivalente a cerca de R$ 19 mil em conversão direta pela cotação atual, sem considerar impostos e custos de importação. A maior parte da estrutura veio de peças retiradas de carros sucateados, enquanto bateria, inversor e kit de conversão elétrica foram comprados da China.
Segundo o jornal zimbabuano The Herald, a scooter atingiria velocidade máxima de 50 km/h, percorreria pelo menos 200 quilômetros com a bateria carregada e suportaria aproximadamente 500 quilos. O veículo também possui assento para passageiro, compartimento de carga e tomadas que podem alimentar pequenos eletrodomésticos durante interrupções no fornecimento de energia.
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Esses números foram apresentados pelo próprio inventor. A reportagem original não publicou capacidade da bateria, potência do motor, dimensões dos painéis, tempo de recarga, peso do veículo ou resultados de ensaios realizados por universidades, órgãos de trânsito ou laboratórios independentes.
Problemas com combustível deram origem ao projeto cinco anos antes da construção
A ideia surgiu cerca de cinco anos antes, depois que Ncube comprou seu primeiro carro usado. Ele relatou que ficou sem combustível diversas vezes e precisou abandonar temporariamente o veículo em locais afastados, situação que o levou a procurar uma alternativa elétrica.
O mecânico havia deixado a escola durante o chamado Form Three, etapa do ensino secundário do sistema educacional do Zimbábue. A interrupção dos estudos ocorreu por dificuldades financeiras enfrentadas pela família, mas ele continuou aprendendo ao trabalhar ao lado de mecânicos automotivos e profissionais de manutenção geral.
Sem formação universitária em engenharia, Ncube recorreu a vídeos instrutivos publicados no YouTube para estudar conversões elétricas, instalação de painéis fotovoltaicos e montagem de estruturas. Como informou o Chronicle, ele iniciou a fabricação no primeiro semestre de 2024 e concluiu o protótipo entre cinco e seis meses depois, adaptando manualmente as peças às dimensões da carroceria.
Sucata forneceu estrutura, suspensão e peças mecânicas
Ncube não divulgou uma relação completa dos componentes usados. Ele afirmou, porém, que recolheu localmente boa parte das peças de baixo custo, principalmente em veículos destinados ao desmonte, e modificou cada item de acordo com as necessidades do projeto.
A carroceria foi desenhada pelo próprio mecânico. Os painéis solares foram instalados sobre o teto e nas laterais, formando uma espécie de cobertura ao redor da cabine e ampliando a área disponível para captar luz.
Os componentes mais difíceis de encontrar no mercado local vieram da China. A lista mencionada pelo inventor inclui bateria, inversor e kit de conversão elétrica, conjunto que normalmente reúne motor, controlador, cabos, acelerador e dispositivos responsáveis por administrar o fornecimento de energia.
O maior obstáculo não teria sido o desenho, mas a estrutura disponível para trabalhar. Ncube disse que montou a scooter sem oficina adequada e sem vários equipamentos necessários para cortar, usinar, soldar e alinhar componentes com maior precisão.
Depois de concluído, o protótipo foi apresentado em um evento comunitário realizado em Cowdray Park, também em Bulawayo. A exposição chamou a atenção do então ministro das Finanças, Desenvolvimento Econômico e Promoção de Investimentos do Zimbábue, Mthuli Ncube, que visitava o local durante uma distribuição de alimentos.
Painéis recarregam a bateria, mas não eliminam as limitações do clima
Apesar de ser descrita como scooter solar, a criação funciona essencialmente como um veículo elétrico a bateria. Os painéis convertem a luz em eletricidade, que passa pelo sistema de controle e é armazenada para alimentar o motor.
Ncube disse que o conjunto continua carregando em dias nublados. Isso é tecnicamente possível porque as células fotovoltaicas aproveitam parte da radiação difusa que atravessa as nuvens, embora a quantidade de energia produzida seja menor do que em um dia ensolarado.
O Departamento de Energia dos Estados Unidos explica que a geração fotovoltaica varia conforme horário, estação, nebulosidade, poeira, chuva, sombras e sujeira acumulada sobre os módulos. Portanto, funcionar sob nuvens não significa manter a mesma velocidade de recarga ou recuperar diariamente toda a energia consumida pelo veículo.
Sem dados sobre potência e área dos painéis, não é possível calcular quanto tempo a scooter precisaria permanecer ao sol para recuperar uma carga completa. Também não foi informado se a bateria pode ser conectada à rede elétrica ou a uma fonte externa quando a geração solar for insuficiente.
A autonomia declarada de 200 quilômetros e a capacidade de carga de 500 quilos também precisam ser interpretadas separadamente. A fonte não esclarece se o veículo percorreu essa distância carregando o peso máximo, em qual terreno ocorreu o teste nem qual velocidade média foi mantida.
Outros triciclos elétricos mostram onde a proposta poderia ser aplicada
Assista o vídeo
O uso de triciclos elétricos abastecidos por energia solar não é inédito no Zimbábue. Em 2022, a empresa Mobility for Africa recebeu um compromisso de investimento de US$ 2 milhões para ampliar veículos de carga e estações solares de troca de baterias em comunidades rurais do país.
A própria empresa informou posteriormente que seus triciclos foram desenvolvidos para percorrer até 100 quilômetros transportando 400 quilos. O projeto envolveu engenharia de baterias, sistemas eletrônicos de gerenciamento e testes em estradas rurais irregulares, o que mostra a quantidade de desenvolvimento necessária para transformar um protótipo em equipamento de uso contínuo.
A Agência Internacional de Energia aponta que motos e veículos de três rodas apresentam maior possibilidade de eletrificação em economias emergentes do que automóveis grandes. Os principais obstáculos são acesso a recarga confiável, manutenção, assistência técnica e substituição de baterias.
No caso de Ncube, o diferencial está na construção artesanal com material reaproveitado e orçamento limitado. O protótipo reúne transporte de passageiro, compartimento de carga, cobertura contra chuva e capacidade de fornecer eletricidade para outros aparelhos.
Patente e produção dependem de testes, certificação e investimento
O mecânico declarou que pretendia patentear o conceito e adaptar o sistema para máquinas agrícolas, veículos maiores e até ônibus. A reportagem, porém, não informou se o pedido de patente chegou a ser protocolado ou se o protótipo recebeu autorização para circular regularmente em vias públicas.
Para entrar em produção, o veículo ainda precisaria passar por avaliações de estabilidade, frenagem, resistência estrutural, isolamento elétrico, proteção contra chuva, segurança da bateria e comportamento em colisões. Também seria necessário definir fornecedores, disponibilidade de peças e procedimentos de manutenção.
A construção de uma unidade funcional comprova a capacidade de Ncube de reunir componentes mecânicos, elétricos e solares em um único projeto. Já as promessas de 200 quilômetros de autonomia, transporte de 500 quilos e operação em qualquer clima continuam dependendo da divulgação de uma ficha técnica e de testes reproduzíveis.
Você acredita que uma scooter solar construída com peças de carros sucateados poderia funcionar no transporte rural ou de pequenas cargas? Deixe nos comentários sua opinião sobre o projeto e diga quais testes deveriam ser realizados antes de o veículo chegar às ruas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

