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Aos 16 anos, estudante cria sistema com espelhos que acompanha o Sol para aquecer ervas daninhas, reduzir herbicidas e conquista prêmio internacional de engenharia ambiental
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 23/07/2026 às 16:33
Atualizado em 23/07/2026 às 17:14
Ciência e Tecnologia
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Após observar o uso de herbicidas na fazenda dos avós, Daniel Cox desenvolveu o SunRays, levou o protótipo à ISEF 2026 e conquistou US$ 600 na categoria Engenharia Ambiental com sua solução solar premiada internacionalmente.
Daniel Cox desenvolveu uma alternativa solar ao controle químico de ervas daninhas. O projeto acompanha o movimento do Sol, direciona a radiação para as plantas indesejadas e recebeu reconhecimento internacional em maio de 2026.
Chamado de SunRays, o sistema nasceu de um problema observado longe dos grandes laboratórios. Durante visitas à propriedade rural dos avós, em Bathurst, na Austrália, Daniel viu como os herbicidas faziam parte da rotina agrícola.
O estudante começou, então, a procurar uma maneira de controlar essas plantas sem depender exclusivamente de produtos químicos nem de métodos mecânicos que revolvem o solo e podem interferir no ambiente tratado.
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Segundo reportagem do Adelaide Now, Daniel passou aproximadamente oito meses construindo e aperfeiçoando seu dispositivo.
SunRays usa espelhos móveis para acompanhar o Sol
O SunRays utiliza uma série de espelhos planos controlados individualmente. Esses componentes móveis são chamados de heliostatos e ajustam continuamente sua posição para acompanhar o deslocamento aparente do Sol ao longo do dia.
Em vez de transformar a luz solar em eletricidade, como acontece nos painéis fotovoltaicos, o sistema aproveita diretamente a energia térmica presente na radiação.
Os espelhos redirecionam a luz para uma área central, na qual estão as ervas daninhas. A sobreposição da radiação refletida eleva a temperatura das plantas e produz o efeito térmico utilizado no controle da vegetação.
Em reportagem exibida pela Network 10 e republicada pela patrocinadora Zinfra, Daniel mostrou que conseguia se conectar ao sistema pelo celular por meio de um roteador instalado no equipamento.
O estudante descreveu os componentes como heliostatos “não focalizadores”. Isso significa que cada espelho plano não funciona individualmente como uma lente ou estrutura parabólica. O aquecimento ocorre pela ação conjunta de vários reflexos direcionados à mesma região.
O funcionamento básico é semelhante ao empregado em grandes instalações solares térmicas. Conforme explica o Departamento de Energia dos Estados Unidos, heliostatos são espelhos capazes de acompanhar o Sol e refletir sua luz para um receptor determinado.
Inspiração veio de grandes torres solares da Espanha
Ao investigar possíveis alternativas aos herbicidas, Daniel encontrou referências nas usinas solares térmicas construídas na Espanha. Essas instalações utilizam campos de espelhos para enviar a radiação solar até receptores centrais e gerar calor.
O estudante adaptou esse princípio para uma aplicação agrícola de menor escala. Em vez de aquecer um receptor instalado no alto de uma torre, o SunRays direciona a energia para a vegetação indesejada.
A Industry Update informou que a inspiração agrícola surgiu durante as visitas à propriedade dos avós em Bathurst, cidade situada no estado australiano de Nova Gales do Sul.
O objetivo do projeto não era apenas demonstrar que espelhos poderiam gerar calor. Daniel buscava desenvolver uma solução distribuída, controlável e capaz de atuar sem espalhar herbicidas sobre toda a área.
Projeto levou Daniel Cox à maior feira científica pré-universitária
O trabalho foi selecionado pela Australian Science and Engineering Fair para representar a Austrália na Regeneron International Science and Engineering Fair, conhecida internacionalmente pela sigla ISEF.
O evento reuniu mais de 1.700 jovens cientistas, engenheiros e inventores de aproximadamente 60 países, regiões e territórios. A edição de 2026 aconteceu entre 9 e 15 de maio, no Phoenix Convention Center, em Phoenix, no Arizona.
As datas, o local e o número de participantes constam no registro oficial da Society for Science, organização responsável pela competição.
No programa oficial da ISEF 2026, o participante aparece como Daniel Edward Cox, de 16 anos, estudante do The Scots College, em Sydney.
O projeto recebeu o código ENEV010 e foi registrado com o título científico “A Distributed Solar Photothermal System for Scalable, Chemical-Free Weed Control” — um sistema solar fototérmico distribuído para controle escalável de ervas daninhas sem produtos químicos.
O nome SunRays, utilizado por Daniel nas entrevistas e apresentações públicas, funciona como uma identificação mais simples do protótipo.
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Invenção recebeu prêmio de engenharia ambiental
Daniel não apenas apresentou o equipamento em Phoenix. O SunRays conquistou um prêmio na categoria Engenharia Ambiental da ISEF 2026.
A lista oficial divulgada pela Society for Science coloca o projeto entre os vencedores do Fourth Award, uma das faixas de premiação da categoria, com recompensa de US$ 600.
A Australian Science and Engineering Fair também confirmou o reconhecimento, o valor recebido, a escola de Daniel e o título completo do trabalho.
A classificação não significa que o estudante tenha alcançado o quarto lugar geral entre todos os participantes. A feira distribui diferentes níveis de prêmios dentro de suas respectivas categorias científicas e tecnológicas.
Ainda assim, o resultado colocou o projeto entre os trabalhos reconhecidos pelos avaliadores de Engenharia Ambiental em uma competição que distribuiu mais de US$ 7 milhões em prêmios em 2026.
Tecnologia ganhou versão para ervas daninhas aquáticas
Depois da apresentação voltada ao controle térmico de ervas daninhas, Daniel avançou para uma versão destinada a plantas invasoras em ambientes aquáticos, chamada SunRays Aqua System.
A nova configuração utiliza heliostatos posicionados na margem para projetar um campo térmico sobre um receptor transportado por plataforma flutuante ou drone. A estrutura busca superar a capacidade da água de absorver e dissipar calor.
Segundo a Stockholm Water Foundation, testes com 20 heliostatos permitiram ultrapassar 60 °C.
Nos experimentos realizados com a espécie aquática Azolla filiculoides, o tratamento de maior intensidade reduziu a biomassa seca a 17% do grupo de controle após 14 dias. O resultado superou o tratamento de menor intensidade e a remoção mecânica avaliados no estudo.
A própria documentação classifica a solução como uma prova de conceito. O desenvolvimento ainda exige testes em escala de campo, avaliação de tratamentos repetidos, análise do crescimento posterior das plantas e manejo da biomassa.
O trabalho mostra, entretanto, como uma tecnologia utilizada em grandes usinas solares pode ser adaptada para enfrentar um problema agrícola e ambiental localizado: controlar plantas invasoras usando a própria energia térmica do Sol.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

