O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira que vai tentar convencer a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a reassumir a presidência nacional do PL Mulher após o pedido público de desculpas feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ao GLOBO, o dirigente disse que não vê outro nome capaz de substituí-la no comando do segmento feminino da legenda e afirmou que pretende se reunir pessoalmente com Michelle na próxima semana.
— Vou insistir muito na semana que vem para ela voltar para a presidência do PL Mulher. Não existe ninguém melhor do que ela. Vou trabalhar muito. Volto quinta-feira a Brasília e vou encontrá-la.
A declaração ocorre momentos depois de Flávio divulgar um vídeo em que admite erros na condução da crise com a ex-primeira-dama e faz uma série de acenos para tentar reaproximá-la da campanha presidencial. Logo no início da gravação, o senador afirma que “ninguém é perfeito” e pede desculpas “pelos momentos que causaram desconforto”. Em seguida, diz que o país “não aguenta mais quatro anos de PT”, pede que aliados “entrem em campo” para ajudá-lo e dedica boa parte da mensagem a reconhecer a importância política de Michelle.
No vídeo, Flávio elogia o trabalho da ex-primeira-dama à frente do PL Mulher, afirma que ela “percorreu o Brasil inteiro inspirando milhares de mulheres a ingressarem na vida pública”, destaca sua atuação em defesa das pessoas com doenças raras e da comunidade surda e afirma que, desde a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, Michelle assumiu um papel fundamental nos cuidados com o ex-presidente.
Valdemar afirmou que recebeu o gesto com otimismo e disse esperar agora uma manifestação pública da ex-primeira-dama.
— Estou esperando o vídeo dela. A gravação pode ser hoje.
Apesar da expectativa pela reconciliação, o presidente do PL acredita que Michelle não participará da convenção nacional do partido, marcada para este sábado, por permanecer ao lado de Jair Bolsonaro.
— Acho que ela não vai à convenção por causa do Bolsonaro. Não tem quem a substitua.
Michelle deixou a presidência nacional do PL Mulher no fim de junho, em meio ao agravamento da crise com Flávio. Oficialmente, a decisão foi atribuída à necessidade de se dedicar aos cuidados com Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Nos bastidores, porém, a saída foi interpretada como um dos principais desdobramentos do rompimento entre a ex-primeira-dama e o então candidato do PL à Presidência.
A crise começou durante as negociações eleitorais no Ceará. Michelle se opôs ao apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado e defendeu que a deputada Priscila Costa fosse a candidata do partido ao Senado. Flávio apoiou a estratégia da direção nacional da legenda e chegou a classificar a postura da madrasta como “autoritária”. O conflito atingiu o ápice quando Michelle publicou um vídeo de 27 minutos afirmando ter sido “maltratada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo enteado durante um telefonema, anunciando em seguida seu afastamento da campanha.
Desde então, Valdemar tentou interceder na crise. O ex-presidente se reuniu com os dois reservadamente e fez apelos por pacificação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por O Globo.

