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O Telescópio Espacial James Webb analisava um planeta já conhecido quando encontrou por acaso a assinatura química de Beta Pictoris d, gigante com pelo menos o dobro da massa de Júpiter que elevou para três o número de mundos identificados ao redor da jovem estrela
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 23/07/2026 às 23:15
Atualizado em 23/07/2026 às 23:28
Ciência e Tecnologia
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Escondido em um brilhante disco de poeira, Beta Pictoris d foi identificado por sinais químicos de sua atmosfera e tornou-se o terceiro planeta conhecido em torno da jovem estrela, a 63 anos-luz da Terra.
O Telescópio Espacial James Webb descobriu Beta Pictoris d, um exoplaneta com pelo menos o dobro da massa de Júpiter que permanecia oculto em um sistema planetário localizado a cerca de 63 anos-luz da Terra.
Beta Pictoris d eleva para três o número de planetas conhecidos
A descoberta eleva para três o número de planetas conhecidos ao redor da jovem estrela Beta Pictoris. O sistema já abrigava Beta Pictoris b e Beta Pictoris c, ambos classificados como planetas massivos.
Beta Pictoris b foi um dos primeiros exoplanetas fotografados diretamente. Com a confirmação do terceiro mundo, Beta Pictoris tornou-se o segundo sistema planetário conhecido com pelo menos três planetas fotografados.
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Os pesquisadores estimam que Beta Pictoris d possua pelo menos duas vezes a massa de Júpiter. Apesar disso, ele parece ser o menor entre os três planetas gigantes identificados no sistema.
Modelos computacionais indicam que o novo planeta provavelmente orbita sua estrela a uma distância aproximada de 30 unidades astronômicas, região comparável à localização de Netuno no Sistema Solar.
Entre os três planetas conhecidos de Beta Pictoris, o novo mundo apresenta a órbita mais ampla. Ainda assim, sua trajetória permanece dentro do limite interno do disco de detritos que circunda a estrela.
Localizada a aproximadamente 63 anos-luz da Terra, Beta Pictoris teria cerca de 23 milhões de anos. A juventude e a proximidade do sistema permitem investigar a interação entre planetas recém-formados e resíduos do processo de formação planetária.
Sinal químico apareceu durante observação de outro planeta
A equipe não utilizava o James Webb para procurar um novo planeta. Beta Pictoris d apareceu inesperadamente enquanto os astrônomos analisavam a atmosfera de Beta Pictoris b com o Espectrógrafo de Infravermelho Próximo, o NIRSpec.
“Não estávamos procurando um novo planeta”, afirmou Aidan Gibbs, autor principal do estudo publicado no Astrophysical Journal Letters e pesquisador de pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em San Diego.
“Estávamos tentando entender um que já sabíamos que existia. Então, esse sinal revelador apareceu nos dados onde não esperávamos”, acrescentou Gibbs.
Os cientistas empregaram a Unidade de Campo Integral do NIRSpec, capaz de registrar simultaneamente uma imagem e um espectro para cada pixel. O espectro separa a luz em diferentes comprimentos de onda.
Essa separação permite examinar a composição química e o movimento de objetos distantes. No local onde era esperado um espectro uniforme gerado pela luz refletida pela poeira, os pesquisadores encontraram uma sequência de picos e vales.
O sinal apresentava linhas de absorção de monóxido de carbono organizadas em um padrão semelhante a um código de barras. Essa característica é esperada nas atmosferas de planetas gigantes.
A equipe também mediu a velocidade radial do objeto, relacionada ao seu movimento em direção ao observador ou no sentido oposto. Velocidade, localização e alinhamento com o disco eram compatíveis com um planeta em órbita de Beta Pictoris.
As medições ajudaram a afastar outras possibilidades, como uma estrela distante ao fundo ou uma anã marrom cuja atmosfera também apresentasse monóxido de carbono.
Vapor d’água e metano reforçaram identificação do planeta
Jean-Baptiste Ruffio, cientista pesquisador da Universidade da Califórnia, em San Diego, explicou que a imagem apresentava uma fonte luminosa inesperada, mas manchas brilhantes também podem ser provocadas por instrumentos ou estruturas do disco.
Segundo Ruffio, a obtenção simultânea da imagem e do espectro permitiu verificar rapidamente as suspeitas. O espectro forneceu evidências de que a fonte de luz correspondia a uma atmosfera planetária.
Observações posteriores foram realizadas com o Instrumento de Infravermelho Médio do Webb, o MIRI, após uma solicitação de tempo discricionário do diretor. O equipamento detectou vapor d’água e metano.
Essas detecções forneceram evidências adicionais de que o objeto era um planeta e revelaram informações sobre sua atmosfera. Desde a primeira observação, os pesquisadores puderam investigar sua composição química e suas propriedades físicas.
“Você não apenas descobre que algo é um planeta; imediatamente começa a aprender sobre sua temperatura, composição química e movimento”, afirmou Ruffio ao explicar as informações disponíveis em um espectro.
Uma investigação independente também corroborou a descoberta. O trabalho, liderado por Ben Sutlieff, da Universidade de Edimburgo, e Markus Bonse, do Observatório Europeu do Sul, utilizou dados do Very Large Telescope e da NIRCam do Webb.
Disco de poeira dificultou a descoberta durante anos
Beta Pictoris d permaneceu despercebido por estar inserido em um dos discos de detritos mais brilhantes já observados. A poeira dispersa a luz da estrela central e produz um efeito semelhante ao de uma neblina.
Esse brilho dificulta a distinção entre um planeta, estruturas próximas de poeira e outras fontes luminosas. A espectroscopia reduziu essa confusão ao isolar sinais moleculares estreitos característicos de uma atmosfera planetária.
A existência do planeta também oferece uma possível explicação para algumas estruturas do disco, incluindo seu limite interno bem definido. Astrônomos já haviam proposto que um planeta ainda desconhecido poderia estar moldando essas características.
Beta Pictoris d é o primeiro planeta descoberto com imagem direta principalmente por espectroscopia de resolução moderada. O resultado demonstra uma estratégia de localização baseada nas assinaturas moleculares atmosféricas, especialmente útil em ambientes brilhantes e empoeirados.
Os pesquisadores pretendem continuar analisando as observações do Webb para aperfeiçoar as estimativas da temperatura, da composição atmosférica e da órbita do planeta.
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NASA
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

