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Investigando de onde vinha o ar frio do banheiro, uma moradora de Nova York removeu o espelho e achou atrás da parede um apartamento inteiro de três quartos, vazio e inacabado, num mistério que passou de 9 milhões de visualizações
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 24/07/2026 às 23:00
Atualizado em 24/07/2026 às 23:26
Curiosidades
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A moradora reclamava do frio dentro de casa havia semanas e culpava o aquecedor. O ar gelado, porém, entrava por um lugar que ninguém imagina checar: o espelho do banheiro. Atrás dele não havia parede, e sim um buraco quadrado que dava para outro apartamento inteiro.
Samantha Hartsoe tinha 26 anos e dividia um apartamento em Roosevelt Island, na cidade de Nova York, com dois colegas quando notou algo estranho ao voltar de uma viagem. O imóvel vivia gelado por mais que o aquecimento fosse aumentado, e no banheiro dava para sentir o vento batendo no rosto. A moradora já havia vedado todas as frestas que encontrou, sem resultado.
Rastreando a corrente de ar, ela chegou ao espelho preso à parede. Ao removê lo, no início de março de 2021, encontrou um buraco quadrado quase do tamanho da própria peça, e o buraco não dava para tijolo nem para tubulação: dava para um cômodo escuro. A série de quatro vídeos que ela publicou no TikTok documentando o que veio depois passou de 9 milhões de visualizações em dois dias.
O ar gelado que não vinha de lugar nenhum
O ponto de partida foi banal. Prédio antigo, corrente de ar, inverno em Nova York. A diferença é que o vento não parava, e nenhuma fresta explicava a intensidade. A moradora contou que o aquecedor parecia não dar conta, por mais alto que estivesse.
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O detalhe que a fez desconfiar foi o comportamento do ar dentro do banheiro. Não havia grelha de ventilação, não havia janela aberta e mesmo assim ela sentia o sopro na pele. Em vídeo, chegou a mostrar o cabelo se mexendo perto da porta.
A investigação foi por eliminação. Vedou o que podia ser vedado, checou o entorno e, ao aproximar a mão do espelho, percebeu que o ar vinha de trás dele. Foi aí que a história deixou de ser um problema de manutenção.
O espelho saiu da parede e atrás não havia parede nenhuma
O espelho estava apenas apoiado no suporte e saiu com facilidade. A primeira reação da moradora, segundo ela contou depois em entrevista, não foi curiosidade e sim susto: ela percebeu que aquela peça poderia ter caído sobre ela a qualquer momento enquanto escovava os dentes.
O susto seguinte foi maior. No lugar do revestimento havia uma abertura retangular de tamanho parecido com o do espelho, e do outro lado não estava a estrutura do prédio. Estava um corredor com um cômodo no fim. Amigos que acompanhavam a cena compararam o achado a uma passagem do filme sul coreano Parasita, e nos comentários apareceu também a comparação com o terror Candyman, de 1992, justamente por causa do espelho.
Ninguém no apartamento sabia que aquilo existia. A moradora afirmou que jamais imaginara haver outra unidade colada ao seu banheiro, muito menos com passagem aberta entre as duas.
Máscara, martelo e lanterna presa na testa
A decisão de atravessar dividiu a casa. Um dos colegas de apartamento tentou dissuadi la. Ela resumiu o próprio impulso dizendo que a curiosidade mata o gato e que ia matá la também, e que simplesmente não conseguiria seguir a vida sem saber o que havia do outro lado do banheiro.
O colega que mais insistiu para que ela desistisse foi John, um dos dois com quem ela dividia o apartamento. O argumento dele era o óbvio: não se sabia o que havia do outro lado, nem quem. Ela foi assim mesmo, avisando que estava gravando tudo.
O equipamento improvisado virou parte do folclore do vídeo: máscara no rosto, luvas, tênis, um martelo na mão como defesa e uma lanterna presa na cabeça por um elástico de cabelo. Assim, aos poucos, ela torceu o corpo e passou pelo buraco. Os colegas ficaram do lado de cá esperando, convencidos, segundo ela, de que a moradora não voltaria viva.
Do outro lado, o primeiro cômodo era só o começo. Havia um lance curto de escada levando a uma porta, e a partir dali ficou claro que não se tratava de um quarto esquecido, mas de uma unidade inteira.
Um apartamento inteiro de três quartos, vazio e inacabado
O que a moradora encontrou foi um apartamento de três quartos, distribuído em dois pavimentos, sem ninguém dentro e em estado de obra interrompida. Fiação exposta, tubulação aparente, paredes quebradas, piso com azulejo estourado e sacos de lixo espalhados pelo chão. Havia também um vaso sanitário ainda não instalado.
Pelo relato dela, o lugar aparentava abandono de longa data. Paredes arrebentadas, azulejo do piso partido e, no que deveria ser o banheiro, cano aparente sem acabamento. A avaliação da moradora foi direta: não havia como alguém ter morado ali recentemente.
Ela procurou sinais de ocupação enquanto andava. Encontrou uma garrafa de água vazia, o que a deixou desconfortável, porque garrafa vazia sugere gente. Foi o item que mais a assustou em todo o percurso, mais do que o escuro e mais do que os sacos de lixo. Também disse ter esperado dar de cara com rato, camundongo ou barata, coisa que ela mesma tratou como expectativa razoável em Nova York.
Depois de percorrer os dois andares e constatar que não havia banheiro em condições de uso, a moradora concluiu que o lugar não era habitável. Antes de voltar, fez uma coisa prática: trancou a porta da frente daquele apartamento. Só então atravessou o buraco de volta para o próprio banheiro e anunciou aos colegas que tinha saído viva.
Uma série em quatro partes construída como suspense
Parte do alcance se explica pelo formato. A moradora não publicou um vídeo único com o desfecho. Dividiu tudo em quatro partes e deixou cada uma terminar no ponto de maior tensão, o que empurrou o público de um episódio ao outro.
No primeiro, só o problema: o frio, o vento sem origem e a caça à fresta. No segundo, a retirada do espelho e a revelação do buraco, com ela apontando o celular para dentro e constatando em voz alta que havia um cômodo ali. O terceiro mostra a preparação e a travessia. O quarto entrega a exploração e o retorno.
Na legenda do primeiro vídeo ela avisou que jamais esperaria encontrar aquilo e que tinha documentado tudo. Funcionou como abertura de série de mistério, e o público tratou exatamente assim, batizando o caso de um mistério de Nova York nos comentários.
O mistério tem uma explicação bem menos assustadora
A pergunta que sustentou os 9 milhões de visualizações é de onde vinha o ar. A resposta é decepcionantemente simples: as janelas da unidade vazia estavam abertas. O frio de Nova York entrava por elas, atravessava o apartamento inacabado, encontrava o buraco atrás do espelho e desembocava no banheiro dela.
A garrafa de água e os sacos de lixo apontam para a hipótese mais provável, e também a mais sem graça: alguém ligado à administração ou à manutenção do prédio esteve ali recentemente. Não é passagem secreta nem morador escondido. É uma reforma parada e uma parede que nunca foi fechada.
O que continua sem resposta é institucional, não sobrenatural. Segundo a apuração feita na época, a administração do prédio não soube explicar direito a situação daquela unidade. A moradora contou que acionou o setor de manutenção para fechar o buraco atrás do espelho antes mesmo de falar com o proprietário do imóvel.
Restou também uma questão de regularidade. A unidade descrita nos vídeos, com fiação exposta e vaso sanitário fora do lugar, não aparentava atender às exigências de habitabilidade, e a abertura entre os dois imóveis simplesmente não deveria existir. A moradora pediu o fechamento do buraco, mas na semana seguinte ele ainda estava lá.
O que aconteceu depois dos 9 milhões de visualizações
A repercussão foi imediata. O primeiro vídeo da série de quatro partes bateu 9 milhões de visualizações em poucos dias, e os comentários se dividiram entre pânico e oportunismo imobiliário. Boa parte do público, ciente do preço do aluguel em Nova York, aconselhou a moradora a não contar nada a ninguém e simplesmente passar a usar o segundo apartamento.
Em 9 de março de 2021, ela apareceu em um dos maiores programas de entrevistas dos Estados Unidos e revelou que o buraco continuava aberto. Contou ainda a reação da família: a irmã exigindo explicações, o pai enviando as reportagens sobre o caso e a mãe quase chorando de orgulho. No fim da participação, ganhou um conjunto novo para o banheiro e um cheque de 10 mil dólares.
O caso rendeu checagem até de agência de verificação de fatos, que confirmou a essência da história e explicou a origem da corrente de ar. O que virou fenômeno não foi o susto, foi a pergunta que qualquer pessoa faz ao ver o vídeo: o que existe atrás da minha parede?
Vale registrar o que a moradora não fez. Não arrombou nada, não levou objeto algum e não escondeu o achado do prédio. Entrou por uma abertura que já estava lá, filmou, trancou a porta da unidade vazia ao sair e comunicou a manutenção. Boa parte do público sugeria exatamente o contrário, e a diferença entre uma coisa e outra, num prédio alugado, é o que separa curiosidade de invasão.
Cinco anos depois, o episódio segue circulando nas redes como se fosse novo, e continua servindo de lembrete prático. Espelho de banheiro que sai fácil da parede não é charme de prédio antigo. Pode ser sinal de que o revestimento nunca foi terminado ali.
E você, teria coragem de atravessar esse buraco como ela fez, ou teria ligado direto para a administração do prédio e fingido que não viu nada? Comenta aí o que você faria se o espelho do seu banheiro saísse da parede hoje.
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ar frio
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

