7 min de leitura
Baterias de vapes descartados movem carro elétrico por 29 quilômetros após britânico reunir mais de 500 células, montar pacote de 50 volts impresso em 3D e recarregá-lo por USB-C, experimento que atingiu cerca de 56 km/h e expôs quanta energia ainda vai para o lixo eletrônico
Escrito por Carla Teles
Publicado em 25/07/2026 às 14:28
Ciência e Tecnologia, Curiosidades
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Experimento conduzido por Chris Doel no Reino Unido reaproveitou baterias de vapes coletadas principalmente em um festival, organizou as células em módulos protegidos por fusíveis e sensores, substituiu a bateria original de um Reva G-Wiz e mostrou quanta energia ainda permanece em dispositivos eletrônicos descartados prematuramente no ambiente urbano moderno.
As baterias de vapes descartados foram usadas pelo britânico Chris Doel para alimentar um pequeno carro elétrico no Reino Unido. Após reunir mais de 500 células de íon-lítio, ele construiu um pacote de 50 volts, instalou o conjunto em um Reva G-Wiz e percorreu aproximadamente 29 quilômetros.
As informações foram publicadas pela Popular Science em 11 de março de 2026, com base no experimento apresentado por Doel em vídeo. O sistema improvisado atingiu por breves momentos cerca de 64 km/h, pôde ser recarregado por USB-C e expôs o desperdício de energia presente em dispositivos eletrônicos tratados como descartáveis.
Mais de 500 células foram retiradas de vapes usados
Chris Doel recolheu grande parte dos cigarros eletrônicos em uma área utilizada por um festival de música. Antes de montar o sistema, ele abriu os dispositivos e testou individualmente as células para verificar quais ainda apresentavam condições adequadas de funcionamento.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A coleta mostrou que muitos produtos jogados fora ainda continham baterias recarregáveis utilizáveis. O descarte do vape completo transforma uma célula potencialmente funcional em lixo eletrônico, mesmo quando sua capacidade energética não foi totalmente consumida.
Células foram testadas antes da montagem
A aparência externa de uma bateria não permite determinar com segurança seu estado. Por isso, Doel precisou medir as células e separar aquelas que apresentavam desempenho ou condições incompatíveis com o projeto.
O procedimento era importante porque o pacote reuniria centenas de unidades trabalhando em conjunto. Uma única célula danificada ou instável poderia comprometer o equilíbrio do módulo e aumentar o risco de superaquecimento.
Estrutura impressa em 3D organizou os módulos
As baterias de vapes foram distribuídas em 14 fileiras acomodadas em suportes produzidos por impressão 3D. A estrutura permitiu posicionar as células de maneira ordenada e criar módulos capazes de ser conectados ao sistema principal.
O conjunto precisava resistir às vibrações e aos movimentos do carro. Os suportes impressos ajudaram na organização, mas também foram complementados por painéis de alumínio para evitar que as células se deslocassem durante o percurso.
Pacote entregava 50 volts ao veículo
Quando conectadas, as células formaram uma bateria com tensão de 50 volts, compatível com o sistema original utilizado pelo Reva G-Wiz. A capacidade energética informada no experimento ficou na faixa de aproximadamente 2,3 a 2,5 quilowatts-hora.
Essa quantidade é pequena quando comparada às baterias de carros elétricos modernos. Ainda assim, foi suficiente para ligar o veículo e movimentá-lo em condições reais, demonstrando que centenas de dispositivos descartados ainda armazenavam energia relevante.
Reva G-Wiz foi escolhido pela baixa potência
O veículo utilizado era um Reva G-Wiz, pequeno carro elétrico lançado no início dos anos 2000. Com potência modesta e bateria muito menor que a de modelos atuais, ele oferecia uma plataforma mais viável para o teste.
Doel avaliou que alimentar um automóvel moderno exigiria milhares de células. Segundo sua estimativa, um veículo do porte de um Tesla poderia demandar aproximadamente 12 mil baterias de cigarros eletrônicos, quantidade que tornaria a montagem pouco prática.
Sistema de segurança monitorava cada célula
O projeto não consistiu apenas em conectar baterias ao motor. Doel instalou um sistema de gerenciamento para acompanhar continuamente a tensão das células e identificar possíveis desequilíbrios durante o uso.
Também foram posicionadas sondas de temperatura em diferentes partes do pacote. Caso alguma área aquecesse excessivamente, um alarme seria acionado, permitindo interromper o funcionamento antes que o problema evoluísse.
Fusíveis reduziram riscos no conjunto
Cada grupo de células recebeu fusíveis destinados a interromper a corrente em situações anormais. Esse cuidado era especialmente importante porque baterias de íon-lítio podem entrar em fuga térmica quando sofrem danos, sobrecarga ou aquecimento excessivo.
A fuga térmica pode gerar uma reação em cadeia entre células próximas. Mesmo com proteção, o sistema permaneceu experimental e não deve ser reproduzido sem conhecimento técnico, controle de qualidade e medidas rigorosas de segurança.
Conversor alimentou faróis e limpadores
A bateria improvisada conseguiu atender ao sistema principal de propulsão, mas funções auxiliares do veículo exigiam outra solução. Doel instalou um conversor DC-DC para ajustar a energia destinada aos faróis, limpadores e demais componentes elétricos.
A necessidade do conversor mostra que substituir uma bateria automotiva envolve mais do que alcançar a tensão do motor. Diferentes sistemas do veículo trabalham com exigências específicas de corrente e voltagem, que precisam permanecer estáveis durante o deslocamento.
Recarga foi feita por conexão USB-C
Um dos aspectos mais incomuns do experimento foi a forma de recarregar o pacote. Doel utilizou um adaptador USB-C conectado a um carregador de laptop com potência de 138 watts.
A recarga era lenta em comparação com carregadores automotivos convencionais, mas funcionava. O pequeno G-Wiz tornou-se, segundo a experiência apresentada, um veículo elétrico capaz de receber energia por meio de uma conexão normalmente associada a computadores e celulares.
Carro percorreu aproximadamente 29 quilômetros
Depois da instalação, Doel levou o veículo para vias públicas e realizou tarefas comuns, incluindo uma visita a uma loja e uma passagem por um serviço de atendimento para carros. Um acompanhante permaneceu preparado para acionar o disjuntor caso surgisse algum problema.
O carro percorreu cerca de 29 quilômetros antes de esgotar a carga. A autonomia de 18 milhas confirmou que as baterias de vapes poderiam movimentar o veículo por uma distância real, embora limitada para padrões automotivos atuais.
Velocidade chegou perto de 64 km/h
Durante alguns momentos do teste, o Reva G-Wiz alcançou aproximadamente 40 milhas por hora, equivalentes a cerca de 64 km/h. O valor ficou próximo do desempenho máximo esperado para o modelo com sua bateria convencional.
O resultado não transformou o pequeno carro em um veículo de alto desempenho. Ele demonstrou, porém, que o pacote reaproveitado conseguia fornecer potência suficiente para acelerar e manter o automóvel em movimento.
Experimento não propõe solução para uso cotidiano
Apesar do funcionamento, o projeto não representa uma alternativa comercial pronta para substituir baterias automotivas. As células vieram de dispositivos diferentes, apresentavam históricos desconhecidos e precisaram ser verificadas e organizadas uma a uma.
Também seria difícil garantir padronização, durabilidade e segurança em grande escala. O valor do experimento está principalmente em demonstrar o desperdício, e não em defender que consumidores fabriquem baterias veiculares dentro de casa.
Vapes ampliam um problema de lixo eletrônico
Cigarros eletrônicos descartáveis combinam plástico, circuitos, metais e células de íon-lítio em produtos projetados para uso limitado. Quando são jogados em lixeiras comuns ou abandonados no ambiente, esses materiais deixam de entrar em fluxos adequados de reaproveitamento.
A Popular Science citou uma estimativa das Nações Unidas segundo a qual pelo menos 844 milhões desses dispositivos foram descartados em 2022. O volume evidencia como objetos pequenos podem formar uma corrente expressiva de resíduos eletrônicos.
Baterias ainda armazenavam energia aproveitável
A autonomia obtida pelo carro tornou visível uma energia que normalmente desapareceria junto com os vapes descartados. Individualmente, cada célula parecia pouco relevante, mas centenas delas reunidas produziram um pacote funcional.
O experimento transformou resíduos dispersos em uma medida concreta de desperdício. Em vez de permanecer como uma discussão abstrata, a energia acumulada foi suficiente para movimentar um automóvel por dezenas de quilômetros.
Reutilização exige controle e responsabilidade
Assista o vídeo
Reaproveitar células de íon-lítio pode prolongar sua vida útil, mas o processo exige avaliação técnica. Baterias danificadas, perfuradas, deformadas ou submetidas a condições desconhecidas podem apresentar riscos graves.
Sistemas reutilizados também precisam de monitoramento, fusíveis, isolamento e controle de temperatura. A experiência de Doel reforça tanto o potencial do reaproveitamento quanto a necessidade de estruturas profissionais para realizá-lo com segurança.
Carro expôs a energia descartada todos os dias
As baterias de vapes permitiram que um pequeno carro elétrico percorresse 29 quilômetros e atingisse cerca de 64 km/h, mesmo tendo sido retiradas de produtos abandonados como lixo. O resultado não elimina os riscos técnicos, mas evidencia o valor energético ainda presente nesses componentes.
O teste levanta uma questão sobre a forma como eletrônicos baratos são fabricados, consumidos e descartados. Você considera que fabricantes deveriam ser obrigados a recolher e reciclar as baterias desses dispositivos, ou a responsabilidade deve permanecer com os consumidores? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

