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Ela deixou o emprego para fundar sua própria marca: Ex-diretora de RH investe R$ 900 mil para criar marca de jogos educativos, projeta faturar R$ 1,3 milhão e levará projeto a 21 escolas públicas
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 25/07/2026 às 15:36
Curiosidades
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Marca de jogos educativos criada por ex-diretora de RH projeta faturar R$ 1,3 milhão em 2027 e levará sua metodologia a 21 escolas públicas.
Uma empresa paulistana de jogos educativos pretende encerrar seu primeiro ano comercial com aproximadamente R$ 300 mil em receitas e alcançar R$ 1,3 milhão em 2027. A Mosaïque, fundada por Karina Almeida, também começará em agosto um projeto de R$ 2 milhões que atenderá 4 mil estudantes de escolas públicas.
A expansão ocorre menos de um ano depois da empreendedora abandonar uma trajetória de mais de duas décadas em Recursos Humanos. Aos 41 anos, ela direcionou R$ 900 mil de recursos próprios para desenvolver produtos que combinam conteúdos escolares, brincadeiras rápidas e participação familiar.
Projeto levará jogos educativos a 21 escolas
A iniciativa financiada por meio da Lei Rouanet será aplicada em instituições localizadas no litoral Sul de São Paulo, em Belo Horizonte e em Contagem. O trabalho reunirá atividades ligadas à arte, ao futebol e à matemática. Ao todo, 21 escolas públicas participarão da ação.
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Cada unidade receberá materiais físicos e orientações pedagógicas para continuar utilizando a metodologia após o encerramento das atividades presenciais. A proposta deverá alcançar 4 mil alunos a partir de agosto.
Para a Mosaïque, o projeto funcionará como uma oportunidade de ampliar o impacto educacional e testar sua abordagem em diferentes contextos escolares. Atualmente, 70% da receita da empresa vem de negociações com instituições particulares. Essas vendas ocorrem principalmente por meio de lotes destinados ao uso em sala de aula.
Os outros 30% correspondem às compras realizadas por pais, avós e demais consumidores. Nesse segmento, os produtos são comercializados pelo site da marca, pelo Instagram e pelo Mercado Livre. A presença mais forte no mercado empresarial permite trabalhar com pedidos maiores. Ao mesmo tempo, o canal direto aproxima a companhia das famílias que procuram alternativas às atividades digitais.
Partidas foram pensadas para durar até 20 minutos
Os produtos utilizam regras simples, assuntos familiares às crianças e rodadas curtas. A maioria das partidas pode ser concluída em até 20 minutos, o que facilita o uso em casa ou durante o período escolar.
O conteúdo dialoga com habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular. Entretanto, a empresa não apresenta os tabuleiros apenas como material didático, pois a diversão ocupa uma posição central na experiência.
A aprendizagem aparece durante a interação entre os participantes. A intenção é fazer com que adultos e crianças permaneçam juntos à mesa enquanto resolvem desafios e avançam no jogo.
A marca terminou 2025 com 17 criações próprias. Depois de adquirir um acervo desenvolvido por pedagogas parceiras, passou a ter acesso a mais de 200 propostas que podem ser adaptadas à sua identidade.
Na fase atual, a Mosaïque mantém 19 produtos disponíveis. Os conteúdos já contemplam estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Até dezembro, a meta é ampliar a oferta para 49 jogos educativos. O trabalho envolve selecionar, ajustar e nacionalizar parte do material adquirido antes de colocá-lo à venda.
Matemática Futebol Clube tornou-se o principal produto
O título de maior destaque combina partidas de futebol com desafios numéricos. A aceitação levou a empresa a iniciar a tradução do jogo para outros idiomas. Um torneio realizado na escola frequentada pelo filho da fundadora reuniu mais de cem estudantes. Durante o evento, os participantes disputaram 48 rodadas.
A experiência serviu como demonstração do potencial do produto em ambiente escolar. Para Karina, também representou um momento pessoal importante ao acompanhar de perto a participação do filho João.
A fabricação dos produtos segue modelos diferentes para controlar custos e atender pedidos de tamanhos variados. Uma parte do catálogo é produzida em escala por uma empresa gráfica, enquanto outra permanece sob responsabilidade direta do ateliê.
A organização atual está dividida da seguinte forma:
- Educare: jogos acondicionados em caixas, fabricados por uma gráfica parceira e aprovados pelo Inmetro;
- Craft: itens montados artesanalmente, conforme a entrada de pedidos;
- Protótipos: versões testadas antes da impressão definitiva;
- Materiais escolares: kits acompanhados de instruções para educadores.
Essa separação permite manter produtos padronizados sem abandonar formatos de menor tiragem. Também reduz o risco de produzir grandes quantidades antes de confirmar a aceitação de um lançamento.
Desenvolvimento e testes concentram os maiores custos
Criar um novo tabuleiro exige mais do que definir perguntas ou ilustrações. A empresa precisa verificar se as regras são compreendidas, se as rodadas permanecem equilibradas e se o conteúdo desperta interesse.
Pedagogas e profissionais de design participam desse processo. As primeiras experiências foram realizadas na casa da fundadora, com João entre os responsáveis por experimentar as dinâmicas. As observações feitas durante as partidas orientavam mudanças nos protótipos. Somente depois dos ajustes o material era encaminhado para a produção.
Embora a saída do emprego tenha ocorrido no ano passado, a estruturação da Mosaïque começou aproximadamente dois anos antes. Karina utilizou sua experiência em reorganização financeira para montar uma equipe pequena e controlar as despesas iniciais.
A transição foi feita enquanto ela ainda ocupava uma posição executiva. Antes de deixar a carreira corporativa, a empreendedora buscou validar os primeiros títulos e entender as exigências industriais. Esse planejamento reduziu o risco de iniciar a operação sem produtos testados. Também permitiu que a nova empresa começasse com processos mais definidos.
Rotina entre São Paulo e Minas motivou a mudança
Durante sete anos, Karina conciliou a vida em São Paulo com deslocamentos frequentes para Contagem, onde exercia uma função de direção em Recursos Humanos. A agenda profissional limitava o tempo disponível para acompanhar a infância do filho.
A percepção ficou mais forte durante a pandemia. Ao participar da criação de uma iniciativa corporativa voltada ao desempenho escolar dos filhos de funcionários, ela passou a observar a própria ausência dentro de casa.
O contato posterior com um jogo apresentado pelo sobrinho ajudou a transformar essa inquietação em ideia empresarial. A partir desse momento, ela passou a estudar produtos que também atraíssem os adultos.
Na última empresa em que trabalhou, Karina acumulava a gestão de RH com a liderança de uma fundação. Sua equipe desenvolveu o programa Aluno Nota 10, que reconhecia filhos de colaboradores com bom desempenho escolar.
A vivência aproximou a executiva de projetos ligados à educação e à participação das famílias. Esse histórico também influenciou o posicionamento da Mosaïque.
O trabalho desenvolvido anteriormente contribuiu para que ela recebesse o prêmio Leader Legacy, concedido pela Think Work na categoria Mudança na Sociedade. O reconhecimento reforçou a decisão de seguir com o novo negócio.
Jogos educativos foram criados para envolver adultos
Um dos problemas identificados pela empreendedora era a dificuldade de muitos responsáveis em participar das brincadeiras. Alguns não tinham tempo, enquanto outros não encontravam atividades capazes de manter o interesse de crianças e adultos simultaneamente.
Por isso, os jogos educativos foram desenhados com temas que pudessem estimular diferentes faixas etárias. O objetivo comercial não se limita à venda de um material escolar. A empresa posiciona os produtos como ferramentas de convivência. O aprendizado surge durante a troca entre familiares, professores e estudantes.
A atuação em escolas não será a única frente de crescimento. A Mosaïque estuda levar seus materiais para setores hospitalares que acompanham crianças afastadas temporariamente da rotina escolar. Nesse ambiente, os tabuleiros poderiam contribuir para manter o contato com conteúdos educacionais.
As partidas também seriam usadas como momentos de descontração durante a internação. Outra iniciativa em desenvolvimento atende empresas interessadas em programas de parentalidade. A proposta é ajudar trabalhadores a conciliar responsabilidades profissionais e familiares com maior equilíbrio.
Estrutura física será ampliada
Para atender o crescimento projetado, a companhia pretende abrir um escritório próprio no próximo ano. A mudança deverá reunir a equipe e melhorar a organização das atividades de criação, produção e comercialização.
As tiragens também deverão aumentar. O planejamento prevê lotes com quantidades entre 200 e mil unidades, conforme a demanda de cada produto. A ampliação da fabricação será necessária para abastecer escolas e clientes individuais. O desafio será aumentar o volume sem elevar os custos a ponto de comprometer a proposta de acesso.
A origem da empresa está ligada à decisão de Karina Almeida de reorganizar sua vida profissional. No entanto, a continuidade do negócio dependerá da capacidade de converter essa história em produtos, contratos e resultados financeiros.
Com 19 títulos em catálogo, um projeto de R$ 2 milhões e previsão de crescimento para 2027, a marca inicia uma fase de expansão. O atendimento às escolas públicas poderá aumentar a visibilidade da metodologia e abrir novos caminhos comerciais.
Ao combinar jogos educativos, participação familiar e conteúdos escolares, a Mosaïque busca ocupar um espaço entre o entretenimento e a aprendizagem. O próximo passo será ampliar a produção e levar essa proposta a públicos além das escolas particulares.
Fonte: Revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios
Fonte
Revista PEGN
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

