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Para percorrer os 39 quilômetros, um submarino de mais de 350 toneladas levou 482 dias, andou a 10 km/h sobre um reboque de 30 eixos e 240 rodas e precisou ser inclinado 73 graus para caber embaixo das pontes do rio
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 25/07/2026 às 22:10
Curiosidades
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Um trajeto de 39 quilômetros, que de carro leva 40 minutos, virou uma epopeia de 482 dias quando o passageiro era um submarino de mais de 350 toneladas. A embarcação da Marinha alemã atravessou estradas e rios, fechou rodovias e teve que ser deitada de lado para caber embaixo das pontes.
Para percorrer os cerca de 39 quilômetros entre dois museus na Alemanha, o submarino U17, de mais de 350 toneladas, levou uma jornada colossal de 482 dias, avançando a apenas 10 km/h sobre um reboque com 30 eixos e 240 rodas. A operação foi registrada pelo Museu Técnico de Sinsheim e pelo Museu Técnico de Speyer, e ganhou repercussão a ponto de ter a última etapa transmitida ao vivo pelo YouTube, conforme relato publicado pelo site Xataka Brasil.
O destino final era o Museu Técnico de Sinsheim, no estado de Baden-Württemberg, onde a embarcação passou a receber visitantes depois da travessia. De carro, o mesmo trajeto se faz em cerca de 40 minutos, mas o enorme submarino levou semanas para completar o percurso por terra, por causa dos seus 48 metros de comprimento, 4,6 metros de largura e mais de 350 toneladas de peso.
Uma operação que fechou estradas e parou trens
Mover um submarino por terra e água não é tarefa comum, e a logística por trás disso foi gigantesca. O deslocamento envolveu transporte pesado em grande escala por rodovias e pelos rios Reno e Neckar, o que exigiu o fechamento de estradas e uma série de restrições ao tráfego ao longo de todo o caminho.
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As interferências foram muito além de desviar carros. Foi preciso interromper a circulação de trens e remover temporariamente semáforos e placas de trânsito para abrir espaço, já que a embarcação se arrastava a apenas 10 km/h. Cada obstáculo no caminho precisava ser retirado ou contornado, transformando a viagem num quebra-cabeça de engenharia a cada trecho percorrido.
Um reboque de 30 eixos e 240 rodas
A dimensão da operação fica clara ao olhar para o veículo que carregava o submarino. A embarcação foi transportada sobre um reboque com 30 eixos e um total de 240 rodas, distribuídas justamente para suportar as mais de 350 toneladas sem danificar o piso das estradas por onde passava.
Somando a estrutura de transporte à própria embarcação, a carga ganhava proporções impressionantes. O conjunto tinha 90 metros de comprimento e 10 metros de altura, e precisou ser manobrado não só sob pontes baixas, mas também pelas ruas estreitas da região de Kraichgau, descrita pelo museu como uma área pitoresca. Era esse tamanho todo que obrigava o comboio a andar em passo de tartaruga e a tratar cada curva como um desafio.
Inclinado a 73 graus para passar sob as pontes
imagem:Museu Técnico de Sinsheim e Speyer
O momento mais impressionante da travessia aconteceu na parte fluvial do trajeto. Como o submarino era grande demais para passar sob várias pontes sobre o rio Neckar, os responsáveis pela operação precisaram inclinar a embarcação em 73 graus, fazendo com que ela navegasse praticamente de lado pelo rio.
Essa manobra foi uma das partes mais delicadas de toda a jornada. Girar a embarcação várias vezes sobre a balsa foi um dos momentos mais complexos, uma operação que, até então, só havia sido feita em terra, segundo o museu. Deitar de lado um submarino de mais de 350 toneladas em cima da água, para que ele passasse por baixo das pontes, foi o tipo de solução que transformou o transporte num feito de engenharia.
O U17 e sua história na Marinha alemã
Por trás da operação está uma embarcação com décadas de serviço militar. O U17 esteve ativo na Marinha alemã entre 1973 e 2010, período em que podia transportar até 23 tripulantes e mergulhar a profundidades de até 100 metros, cumprindo missões antes de virar peça de museu.
Sua ficha técnica revela o porte da máquina. O submarino era equipado com um motor elétrico de propulsão Siemens de 1.100 kW, o equivalente a 1.500 cv, além de dois motores a diesel MTU de 440 kW cada, responsáveis por acionar os geradores. Na superfície, alcançava velocidade máxima de 10 nós, cerca de 18,52 km/h, bem mais do que os 10 km/h a que foi arrastado na última viagem por terra.
Quando um submarino vira o maior desafio da estrada
imagem:Museu Técnico de Sinsheim e Speyer
O que o U17 protagonizou entre dois museus alemães resume bem o tamanho do desafio de mover uma máquina feita para o fundo do mar por cima do asfalto. Foram 482 dias, um reboque de 240 rodas, rodovias fechadas, trens parados e uma inclinação de 73 graus sobre a água, tudo para vencer 39 quilômetros que um carro faria em menos de uma hora.
E aí fica a pergunta que rende conversa de verdade. Você acha que vale todo esse esforço e dinheiro para transportar um submarino inteiro até um museu, ou seria mais sensato desmontar a embarcação para facilitar a mudança? Comenta aqui embaixo se você visitaria um museu para ver de perto uma máquina dessas e qual objeto gigante você já viu sendo transportado pela estrada.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

