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Rodando 500 quilômetros por dia entre Buritis e Brasília e trocando óleo a cada 10 mil, taxista chegou a 1 milhão de quilômetros no mesmo Etios de 2013, e a Toyota trocou de graça o painel que travou em 999.999 e levou a peça embora para estudar
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 26/07/2026 às 00:24
Atualizado em 26/07/2026 às 00:31
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O carro foi comprado zero quilômetro em 2013 numa concessionária de Brasília e virou táxi no mesmo dia. Sete anos depois, o taxista peruano radicado no Brasil viu o hodômetro digital chegar ao limite físico do painel e parar, sem nunca ter aberto o motor do sedã.
Walter Rivasplata comprou um Toyota Etios Sedan XS zero quilômetro em 2013, na concessionária Kyoto Toyota, em Brasília, e passou a usá-lo como táxi. Em fevereiro de 2020, o taxista chegou à marca de 1 milhão de quilômetros rodados com o mesmo veículo, uma média de aproximadamente 143 mil quilômetros por ano ao longo de sete anos, segundo apuração publicada por Renan Bandeira em 14 de fevereiro de 2020 e informações repassadas pela concessionária e pela família.
A quilometragem veio de uma rotina fixa e pesada. Ele mora em Buritis, em Minas Gerais, e ia todos os dias até Brasília levando e trazendo passageiros, percorrendo cerca de 500 quilômetros por dia, conforme relatou o filho dele, Ramon Rivasplata, em publicação nas redes sociais. Quando o carro se aproximou do número redondo, o painel travou em 999.999 quilômetros, e a Toyota forneceu um painel novo sem cobrar, recolhendo o componente antigo.
O painel travou em 999.999 e ninguém viu o número virar
O momento foi combinado. Faltando pouco para o hodômetro alcançar a casa dos sete dígitos, o taxista e o chefe de oficina da concessionária, Marcus Watanabe, entraram juntos no sedã para acompanhar a virada. O visor foi mudando, marcou 999.998, depois 999.999, e parou ali.
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O marcador digital simplesmente não tinha para onde ir. Nenhum dos dois viu o número que estavam esperando aparecer no painel. Diante do que foi tratado como defeito, a concessionária abriu um chamado para a fábrica informando o problema.
A resposta da montadora veio rápido e sem custo. A Toyota disponibilizou um painel novo, que ficou aguardando na concessionária até o taxista voltar de viagem para a instalação. O componente antigo foi recolhido para análise, com o objetivo de entender o que causou a parada do contador depois de tantos quilômetros em serviço.
Quinhentos quilômetros por dia, todo dia, entre Minas e o Distrito Federal
A rota que produziu o número não tem nada de espetacular. É o mesmo trajeto, repetido diariamente, entre Buritis, no noroeste mineiro, e Brasília, onde ficam os filhos e onde ele trabalha transportando passageiros. Cerca de 500 quilômetros por dia, ida e volta, sem variação relevante.
Havia ainda um complemento fora da rotina de trabalho. Segundo o chefe de oficina, o taxista costumava viajar ao Peru com o próprio carro para visitar a família, o que ajudou a engordar a conta. Somando o serviço diário e as viagens internacionais, o Etios acumulou aproximadamente 143 mil quilômetros por ano.
Para dimensionar: um motorista comum levaria mais de uma década para rodar o que esse Etios fazia em doze meses. O carro alcançou 1 milhão de quilômetros em cerca de sete anos, algo que muitos veículos particulares não fazem em toda a vida útil.
O verdadeiro segredo não era o que muita gente repete
Este é o ponto em que a versão popularizada da história se afasta da apuração original. Circula bastante a ideia de que o mérito veio de uma disciplina rigorosa de revisões. A declaração do próprio chefe de oficina da concessionária vai em outra direção.
Segundo Marcus Watanabe, Walter não fazia revisões em concessionária e mal fazia alinhamento e balanceamento. Ainda de acordo com ele, o taxista só voltou à loja quando o veículo já marcava cerca de 990 mil quilômetros, para uma manutenção. Todos os demais serviços do carro foram feitos fora da rede oficial ao longo dos sete anos.
O que se sustenta de fato é bem mais simples e mais barato. Óleo e filtro eram substituídos a cada 10 mil quilômetros, sem exceção, o que na prática significava trocar o óleo quase todo mês, dado o volume rodado. A regularidade da troca de óleo, e não o carimbo da concessionária, é o único hábito que aparece em todas as versões da história.
A lista de peças que aguentou o serviço
Os números divulgados pela família, com base no vídeo publicado pelo filho, impressionam pela simplicidade. Em todo o período, o carro passou por apenas uma troca de embreagem, feita com 700 mil quilômetros rodados. Em um veículo de câmbio manual usado como táxi, é um resultado bem acima do comum.
O sistema de freios conta outra parte da história. Os discos nunca foram trocados até a marca de 1 milhão. As pastilhas, sim: a primeira substituição aconteceu com 250 mil quilômetros e as seguintes vinham acontecendo a cada 150 mil quilômetros.
As velas de ignição foram trocadas duas vezes, aos 350 mil e aos 700 mil quilômetros. E o item que dá nome à façanha: segundo o filho do taxista, o motor do Etios Sedan nunca foi aberto, sem retífica em nenhum momento da trajetória.
Por que rodovia castiga menos que trânsito de cidade
Existe um fator de contexto que ajuda a explicar o desempenho e que costuma ser ignorado nas comparações. Praticamente toda a quilometragem do Etios foi feita em rodovia, em trecho longo, não em trânsito urbano parado.
Esse tipo de uso é mecanicamente menos agressivo. O motor trabalha em rotação constante e em temperatura estável, sem os ciclos de aquecimento e resfriamento que se repetem várias vezes ao dia em cidade. A embreagem quase não é acionada em rodovia, e os freios são usados com muito menos frequência, o que explica em parte discos originais chegando ao milhão.
A comparação mais justa, portanto, não é entre esse Etios e um carro de uso urbano com 80 mil quilômetros. Rodar 500 quilômetros seguidos por dia desgasta menos o conjunto mecânico do que rodar 50 quilômetros parando e saindo o tempo todo. Isso não diminui o feito, apenas explica parte dele.
O carro comprado sem nem conhecer, que ninguém quer vender
A escolha do veículo teve pouco de racional no começo. De acordo com o filho, Walter comprou o Etios ainda no lançamento do modelo no Brasil, sem sequer conhecer o carro pessoalmente antes de fechar negócio.
A reação na concessionária, sete anos depois, dá a medida do que aconteceu. “Parou a oficina!”, contou Watanabe ao descrever a chegada do carro com a quilometragem milionária. Ele afirmou trabalhar havia 17 anos na rede da marca e já ter visto veículos com 500 mil quilômetros, mas nunca aquilo em um carro pequeno.
Sobre o futuro, a posição da família era clara na época. O taxista não pretendia se desfazer do sedã, e o filho resumiu dizendo que o pai seguiria rodando com ele até não dar mais. O carro seguiu em atividade depois da troca do painel.
O que a apuração original confirma e o que virou lenda
Vale separar o que está documentado do que passou a circular depois. Estão confirmados pela apuração de 2020: a compra do Etios Sedan XS zero em 2013 em Brasília, o uso como táxi, os cerca de 500 quilômetros diários entre Buritis e Brasília, a troca de óleo e filtro a cada 10 mil quilômetros, a única troca de embreagem aos 700 mil, as pastilhas aos 250 mil e depois a cada 150 mil, as velas aos 350 mil e aos 700 mil, os discos originais e o motor nunca aberto.
Não constam da apuração original alguns dados que aparecem em textos recentes sobre o caso, como uma suposta troca preventiva de corrente de comando aos 900 mil quilômetros, garantias sobre o estado interno do câmbio e detalhes sobre a especificação exata do óleo utilizado. Sem confirmação da concessionária ou da família, esses pontos ficam no campo do não verificado.
Há também uma diferença de enquadramento sobre o painel. A explicação de que o sistema do Etios nunca foi programado para exibir um sétimo dígito é plausível e amplamente repetida, mas a apuração de 2020 registra que o caso foi tratado como defeito e reportado à fábrica, e que o componente antigo foi levado para análise justamente para entender o motivo da parada.
O que essa história ensina sobre trocar de carro
Sete anos, 1 milhão de quilômetros, um painel que travou no limite e um motor que nunca foi aberto. A trajetória do taxista peruano em Buritis mostra que quilometragem alta não é sinônimo de carro acabado, e que rodovia mais óleo em dia pode valer mais do que planilha de revisão carimbada.
E você, o que acha? Trocar de carro antes dos 100 mil quilômetros é cuidado ou desperdício, considerando que um compacto de táxi chegou a 1 milhão com o motor fechado? Você compraria um usado com quilometragem alta se soubesse que ele rodou quase tudo em estrada? Qual foi a maior quilometragem que você já viu de perto, e o carro estava inteiro ou caindo aos pedaços? Comente aí, principalmente se você é taxista, motorista de aplicativo ou mecânico e tem número real para colocar na mesa.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

