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Brasil importa bombas fabricadas sob medida na Dinamarca por R$ 1,5 milhão para ilha a 545 quilômetros de Recife e cria reserva para usina que puxa água do Atlântico, abastece 65% de Fernando de Noronha e produz até 1,7 milhão de litros por dia
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 27/07/2026 às 17:31
Curiosidades
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Equipamentos produzidos sob medida no exterior reforçam um dos sistemas mais estratégicos de Fernando de Noronha, onde a transformação da água do Atlântico sustenta grande parte do abastecimento e depende de uma operação técnica capaz de enfrentar limitações logísticas pouco visíveis aos visitantes.
Em março de 2025, Fernando de Noronha passou a contar com equipamentos de reserva fabricados sob medida na Dinamarca, adquiridos para proteger a operação da usina que transforma água do Oceano Atlântico em água potável e sustenta parte essencial da rotina do arquipélago.
Para ampliar a segurança do sistema, a Companhia Pernambucana de Saneamento, a Compesa, investiu R$ 1,5 milhão na compra de dois conjuntos motobomba, destinados ao dessalinizador responsável por 65% de toda a água distribuída na ilha.
Localizada a 545 quilômetros de Recife, a estrutura atende moradores, serviços públicos, hotéis, pousadas, restaurantes e outras atividades que dependem de fornecimento regular, mesmo em um território cercado pelo oceano e com disponibilidade limitada de fontes naturais de água doce.
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Segundo a Compesa, o dessalinizador opera com capacidade total de 20 litros por segundo, volume que pode alcançar aproximadamente 1,728 milhão de litros em 24 horas quando o sistema funciona continuamente dentro de sua capacidade nominal.
Bombas dinamarquesas ampliam a segurança hídrica da ilha
Projetados para atuar como reserva técnica do equipamento principal, os novos conjuntos podem ser acionados durante uma manutenção emergencial, evitando que a companhia precise aguardar uma nova fabricação, o processo de importação e o transporte até Fernando de Noronha.
Essa resposta mais rápida reduz a vulnerabilidade do abastecimento diante de falhas mecânicas, especialmente porque a planta de dessalinização concentra a maior parcela da água consumida no arquipélago e depende de componentes que não são substituídos facilmente no mercado brasileiro.
Diferentemente de bombas convencionais, os equipamentos instalados no sistema seguem especificações técnicas do fabricante dinamarquês e foram produzidos sob encomenda para atender às exigências de pressão, vazão e compatibilidade presentes na operação por osmose reversa.
Por essa razão, uma falha pode desencadear um desafio logístico complexo, pois a reposição precisa ser fabricada no exterior, importada para o Brasil, transportada até Pernambuco e enviada ao território insular antes de chegar à unidade operacional.
Ao manter conjuntos sobressalentes na própria ilha, a Compesa reduz a exposição a atrasos prolongados e consegue substituir peças críticas com maior rapidez, preservando a continuidade de um serviço essencial para a população e para as atividades econômicas locais.
Osmose reversa exige pressão constante para retirar o sal
Dentro da planta, as motobombas fornecem a pressão necessária para empurrar a água do mar através das membranas utilizadas na osmose reversa, tecnologia responsável por separar grande parte dos sais e de outras substâncias presentes no líquido captado.
Sem a pressurização adequada, a unidade não consegue manter o fluxo exigido para produzir água dentro dos padrões destinados ao consumo humano, porque todo o processo depende da força aplicada para vencer a resistência natural das membranas.
Depois de entrar no sistema, a água salgada atravessa etapas de tratamento antes de seguir para a rede de abastecimento, enquanto as membranas permitem a passagem da água e retêm grande parte dos sais dissolvidos no fluxo original.
Nesse processo, a estabilidade das bombas influencia diretamente a produção, já que qualquer interrupção na pressão compromete a sequência de captação, filtragem, separação dos sais e encaminhamento da água tratada para os reservatórios e para a distribuição.
Dessalinizador fornece a maior parte da água de Noronha
A dependência da dessalinização está ligada à disponibilidade restrita de água doce em Fernando de Noronha, onde a produção obtida a partir do oceano corresponde a 65% do abastecimento, conforme os dados divulgados pela Compesa.
O restante do fornecimento é complementado pela água captada no Açude do Xaréu, tratada na estação local, e por poços artesianos integrados ao sistema, formando uma rede que combina diferentes fontes para atender à demanda do arquipélago.
Com capacidade de 20 litros por segundo, a planta atual tornou-se quase cinco vezes maior que a estrutura anterior, segundo a companhia, e passou a ocupar uma função ainda mais relevante na segurança hídrica da ilha.
A ampliação integrou um pacote de R$ 22 milhões em investimentos no abastecimento de Fernando de Noronha, permitindo elevar a participação da água dessalinizada e reduzir a pressão sobre as fontes naturais disponíveis no território insular.
Mesmo cercada pelo Atlântico, a ilha não pode utilizar diretamente a água ao redor de seu litoral, pois a concentração de sais exige tratamento contínuo por meio de bombas, membranas, tubulações, controles de pressão e procedimentos de qualidade.
Esse contraste entre a abundância visual do oceano e a escassez de água própria para consumo ajuda a explicar por que a infraestrutura de dessalinização se tornou estratégica para manter o funcionamento diário de serviços, residências e empreendimentos turísticos.
Reserva técnica reduz o risco de interrupções
O investimento de R$ 1,5 milhão não foi destinado à construção de uma nova usina, mas à criação de uma camada adicional de proteção para a planta já existente, reduzindo o risco de paralisações causadas pela ausência de componentes específicos.
Sempre que houver necessidade de manutenção, um conjunto reserva poderá substituir o equipamento principal, permitindo que os reparos ocorram sem deixar a produção condicionada à chegada imediata de uma nova peça fabricada fora do país.
A decisão também considera as dificuldades de transporte até Fernando de Noronha, onde materiais pesados e especializados não chegam com a mesma facilidade encontrada em cidades conectadas por rodovias e redes logísticas continentais, especialmente em situações de urgência.
Para alcançar a unidade da Compesa no Boldró, cada equipamento exige planejamento de embarque, compatibilidade com os meios de transporte disponíveis e coordenação entre diferentes etapas, desde a saída do continente até a entrega no arquipélago.
Um dos conjuntos foi recebido diretamente nessa unidade, enquanto o segundo seguiu o processo de deslocamento entre o continente e a ilha, ampliando a capacidade de contingência do sistema para situações que exijam substituição rápida de componentes críticos.
Equipamentos sob medida atendem às exigências da planta
A fabricação específica demonstra como sistemas de dessalinização dependem de peças ajustadas às características de cada instalação, incluindo pressão de trabalho, vazão, compatibilidade com as membranas e resistência ao ambiente salino presente na operação diária da planta.
Por não atender necessariamente a esses requisitos, uma bomba de uso geral não pode substituir automaticamente o equipamento instalado, mesmo quando possui dimensões ou potência semelhantes às utilizadas na planta de Fernando de Noronha.
Além do volume diário produzido, a estabilidade do abastecimento depende da continuidade de todas as etapas técnicas, pois uma falha em um único componente pode afetar a captação, a pressurização e o encaminhamento da água tratada em toda a ilha.
Nesse cenário, a reserva técnica funciona como proteção contra interrupções prolongadas e permite que a companhia organize reparos no conjunto retirado sem deixar o sistema condicionado ao prazo de uma nova encomenda internacional proveniente do exterior.
A Compesa classifica as motobombas como elementos críticos para a confiabilidade hídrica do arquipélago, justamente porque a maior parte da água distribuída depende do funcionamento coordenado desses equipamentos com as demais estruturas da unidade.
Por trás das praias conhecidas internacionalmente, uma operação de alta pressão trabalha continuamente para retirar o sal da água, enquanto bombas produzidas a milhares de quilômetros permanecem disponíveis para substituir o equipamento principal quando houver necessidade.
Em um território cercado por água, mas dependente de máquinas importadas para torná-la potável, quanto vale evitar que uma única falha técnica interrompa o abastecimento de toda uma ilha durante uma emergência de manutenção no sistema?
Fonte
https://servicos.compesa.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

