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Igreja construída em 1912 fica abandonada na Espanha, perde os bancos, recebe uma enorme pista de skate e tem paredes e teto cobertos por murais geométricos multicoloridos
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 27/07/2026 às 20:39
Construção, Indústria
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A antiga Igreja de Santa Bárbara, nas Astúrias, foi recuperada por skatistas, recebeu rampas dentro da nave e ganhou murais geométricos multicoloridos, tornando o Kaos Temple um exemplo marcante de reutilização de edifício abandonado na Espanha.
Por fora, a igreja abandonada na Espanha ainda parece uma construção religiosa discreta. Ao atravessar a entrada, porém, o visitante encontra uma enorme pista de skate no lugar dos bancos e vê paredes e teto cobertos por formas geométricas multicoloridas.
As informações foram divulgadas por Okuda San Miguel, site oficial do artista responsável pela intervenção. A transformação artística recebeu o nome de Kaos Temple e foi realizada em 2015, na cidade de Llanera, na região das Astúrias.
A mudança não aconteceu em uma igreja que ainda realizava cerimônias. O edifício estava abandonado e apresentava sinais de deterioração quando um grupo ligado ao skate decidiu criar uma nova função para a estrutura.
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O templo de 1912 ficou vazio e começou a se deteriorar
A Igreja de Santa Bárbara foi construída em 1912, em Llanera, no norte da Espanha. Depois de perder sua função original, o prédio permaneceu fechado durante anos e passou a sofrer com a falta de uso e manutenção.
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A nave, as paredes altas e as abóbadas continuaram preservando a aparência de um templo religioso. No entanto, o interior já não possuía a mesma organização encontrada durante o período em que o local recebia celebrações.
O abandono criou um problema comum em edifícios históricos. Sem uma atividade permanente, essas construções podem acumular danos até que a recuperação se torne difícil ou cara demais.
No caso da Igreja de Santa Bárbara, a solução não foi retomar a função religiosa. O caminho escolhido foi adaptar o prédio para o skate, mantendo a estrutura principal visível e dando movimento a um espaço que estava vazio.
Skatistas retiram os bancos e colocam uma pista dentro da nave
O coletivo Church Brigade, grupo criado para organizar a recuperação do local, assumiu a transformação da antiga igreja. Os bancos deixaram a nave e uma grande pista de skate passou a ocupar o espaço central.
A pista possui curvas elevadas que permitem aos skatistas atravessar o interior do prédio durante as manobras. Acima dela, janelas, colunas, paredes e abóbadas continuam revelando a forma original da igreja.
Essa combinação produz uma imagem pouco comum. A arquitetura religiosa permanece ao redor, enquanto rodas, rampas e movimentos ocupam o espaço onde antes ficavam os assentos.
A mudança também alterou a experiência sonora do edifício. O ambiente alto e fechado passou a receber o barulho das rodas e dos impactos das manobras, em contraste com o uso mais silencioso do passado.
Financiamento coletivo ajuda a recuperar a igreja abandonada
Transformar um edifício deteriorado exigia materiais, mão de obra e recursos. Para avançar com a recuperação, os responsáveis buscaram apoio por meio de financiamento coletivo, modelo em que várias pessoas contribuem para viabilizar um projeto.
A mobilização reuniu apoiadores interessados no skate, na arte urbana e na preservação do prédio. O envolvimento do público ajudou a tirar a proposta do papel e permitiu que o espaço permanecesse ocupado.
A participação de apoiadores também aproximou o projeto da comunidade ligada ao skate. Em vez de depender apenas de uma intervenção externa, a recuperação ganhou força com pessoas que desejavam utilizar o local.
O resultado prático foi a criação de uma atividade capaz de atrair visitantes e reduzir o risco de um novo abandono. A pista trouxe uso contínuo para uma estrutura que estava se deteriorando.
Okuda San Miguel cobre paredes e teto com arte geométrica
A maior mudança visual ocorreu em 2015, quando o artista espanhol Okuda San Miguel levou sua linguagem de cores intensas para o interior da antiga igreja. Paredes, colunas e abóbadas receberam figuras formadas por linhas, blocos coloridos e desenhos geométricos.
Okuda San Miguel, site oficial do artista responsável pela intervenção, registra que o trabalho procurou preservar a sensação de espiritualidade do edifício enquanto criava um ambiente cheio de vida, cor e alegria.
A pintura não tentou esconder a arquitetura original. As formas acompanham o teto e as paredes, utilizando a altura da nave como parte da composição artística.
O contraste começa ainda na entrada. A fachada histórica permanece relativamente discreta, mas o interior apresenta uma mudança radical, com rampas de skate cercadas por murais geométricos multicoloridos.
Kaos Temple reúne arte urbana, skate e arquitetura religiosa
Depois da intervenção, o espaço passou a ser chamado de Kaos Temple. O nome identifica a união entre o edifício histórico, a cultura do skate e a obra visual criada por Okuda San Miguel.
A arte urbana deixou de aparecer apenas em muros externos e passou a ocupar uma construção fechada, com teto alto e elementos religiosos ainda reconhecíveis. A pista, por sua vez, transformou a nave em uma área de movimento.
Essa combinação fez com que o edifício ganhasse uma nova identidade sem perder completamente as marcas do passado. Quem observa o interior ainda reconhece uma igreja, mas também encontra um espaço esportivo e artístico.
O projeto mostra uma forma de reutilização de edifício abandonado que não exige apagar tudo o que existia antes. A estrutura antiga serve como cenário e suporte para a nova atividade.
A transformação preservou o prédio ou mudou demais sua identidade
A instalação da pista e dos murais alterou profundamente o interior da Igreja de Santa Bárbara. Por esse motivo, o Kaos Temple também levanta uma discussão sobre os limites entre preservação e descaracterização.
Uma restauração tradicional poderia tentar devolver ao prédio sua aparência anterior. A solução adotada em Llanera seguiu outra direção, criando um uso que ajudasse a manter a construção aberta, movimentada e protegida contra uma nova fase de abandono.
A fachada, a nave e as abóbadas ainda conservam a memória religiosa do local. Ao mesmo tempo, as cores e as rampas mostram que o prédio passou a atender outro público e outra atividade.
A igreja construída em 1912 não voltou a desempenhar sua função original, mas deixou de permanecer vazia. A pista de skate e os murais realizados em 2015 deram ao edifício uma nova etapa, marcada pela convivência entre arquitetura antiga, esporte e arte urbana.
Ao trocar os bancos por rampas e preencher paredes e teto com cores, o Kaos Temple transformou um espaço deteriorado em um ponto de encontro. O projeto não apaga a história da igreja, mas acrescenta uma camada que muda completamente a maneira de observar e utilizar o prédio.
Você acredita que dar uma função totalmente nova a uma construção abandonada é a melhor forma de preservá-la, ou algumas mudanças podem apagar parte de sua história? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta publicação.
Fonte
Okuda San Miguel
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

