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Por cerca de R$ 34,9 mil é possível ter uma casa inteira feita de contêiner, com piso vinílico, banheiro revestido e elétrica pronta, e por R$ 5 mil a mais ainda dá para incluir uma varanda usando as portas originais da estrutura
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 27/07/2026 às 21:36
Atualizado em 27/07/2026 às 21:37
Construção
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Uma kitnete montada dentro de um contêiner de 20 pés saiu do pátio da fabricante com piso vinílico, banheiro revestido, fiação instalada e varanda feita com as portas originais da estrutura. O valor de partida divulgado pela própria empresa é de R$ 34.900, e a varanda entra como adicional de R$ 5 mil.
Paulo, responsável pelos vídeos da Solution Containers, apresentou no canal da empresa uma kitnete finalizada construída dentro de um contêiner de 20 pés, com 6 metros de comprimento por 2,44 metros de largura, entregue com piso vinílico em todo o ambiente, banheiro revestido, instalação elétrica feita e uma varanda montada a partir das portas originais da estrutura. O valor citado por ele no vídeo é de R$ 34.900 para o modelo sem varanda, com adicional de R$ 5 mil para quem quiser incluir o espaço externo.
Todas as informações do projeto, incluindo medidas, materiais, prazo e preço, foram divulgadas pela própria fabricante em vídeo publicado no canal da empresa, o que significa que se trata da versão do vendedor, sem verificação independente. O prazo informado para produção de uma unidade igual à do vídeo é de 30 a 40 dias úteis, e o próprio Paulo avisa que esse número muda conforme o volume de obras no pátio.
O que cabe dentro de 6 metros de contêiner
A base do projeto é um contêiner de 20 pés, medida padrão do transporte marítimo, com 6 metros de comprimento e 2,44 metros de largura. Com a varanda somada na ponta, o comprimento total chega a 7,20 metros, o que coloca a área construída na casa dos 17,6 metros quadrados, número que a fabricante arredonda para 18.
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O interior é um ambiente único, sem paredes internas separando cozinha e quarto. A divisão é feita visualmente por uma janela posicionada no meio da lateral, e o que fica de um lado é cozinha, o que fica do outro é quarto. Metade do contêiner vira área de dormir, metade vira área de refeições, e o único cômodo fechado da unidade é o banheiro, no fundo.
A distribuição da mobília segue uma lógica quase obrigatória em espaços assim. A cama costuma encostar na parede lateral, deixando um corredor de circulação de um lado e outro corredor na frente, enquanto a parede oposta recebe o painel de televisão, onde a fiação já foi deixada esperando. Não é decoração livre: em uma faixa de 2,44 metros de largura, cada centímetro ocupado por um móvel é centímetro que sai da passagem.
A varanda que nasce das portas originais do contêiner
O detalhe que mais chama atenção no projeto é a varanda. Em vez de descartar as portas de carga, a equipe abriu as duas folhas originais do contêiner e construiu o espaço entre elas. O parapeito foi feito totalmente em ferro e soldado junto às portas nos dois cantos, o assoalho saiu em madeira de pinus tratado e o teto foi fechado em policarbonato.
Existe uma consequência prática nessa escolha, e Paulo faz questão de explicar porque recebe a pergunta com frequência. Depois de soldadas, as portas originais do contêiner não fecham mais e ficam travadas naquela posição de forma permanente. A varanda é fixa. Quem imagina poder trancar a casa fechando as portas de aço da estrutura, como acontece com o contêiner ainda em uso no transporte, não consegue fazer isso nesse modelo.
Uma porta de vidro de 2,30 metros no lugar da abertura de carga
A separação entre o interior e a varanda é feita por vidro. A abertura original do contêiner foi aproveitada inteira, e ali entrou uma porta de vidro de quatro folhas medindo 2,30 metros de largura por 2,50 metros de altura, que abre parte para cada lado. Toda a extremidade do contêiner virou envidraçado.
O cliente dessa unidade específica escolheu vidro fumê, mais escuro, para acompanhar a pintura externa. O contêiner foi pintado inteiro de preto por fora, incluindo paredes, teto e a parte da varanda. Em volta das portas e das janelas foram aplicados detalhes em painel isotérmico, e no lado externo há ainda uma luminária do tipo tartaruga aguardando o acabamento final.
Piso vinílico do começo ao fim e nada de contrapiso aparente
O acabamento do chão em toda a unidade é piso vinílico emborrachado, aplicado de ponta a ponta no ambiente interno. É uma escolha comum em projetos modulares por dispensar obra úmida e reduzir peso, dois pontos que importam em uma estrutura que precisa ser transportada pronta até o terreno do comprador.
A porta de entrada não fica na ponta, e sim na lateral do contêiner, o que preserva o vão de vidro na extremidade e melhora a distribuição interna. Cada projeto sai desenhado conforme o pedido do cliente, o que muda a posição da pia, o tipo de revestimento e o padrão do balcão de um contrato para outro.
O banheiro entra pronto, com ACM no lugar da cerâmica
O banheiro é entregue montado. A porta é de madeira semilaqueada, a bancada vem com pia e espelho no formato que a fabricante trata como padrão de entrada, e há um nicho de plástico incluído sem custo. Quem quiser balcão em granito ou mármore precisa pedir a alteração, o que muda o valor final.
O ponto técnico interessante está no revestimento da área de banho. Em vez de cerâmica, foi usado ACM, placa que sobe do chão até o teto sem rejunte entre peças. Sem rejunte não há a linha de sujeira que costuma escurecer com o tempo no box tradicional. A cerâmica segue disponível como alternativa e aparece em outros projetos da empresa. O registro já vem instalado, com espera de chuveiro pronta, e o box foi isolado ainda no pátio para que a porta de vidro não corra durante o transporte do contêiner.
A ressalva que o próprio fabricante fez sobre o banheiro
Paulo registrou uma discordância técnica com a decisão do cliente: a janela basculante de ventilação foi instalada fora do box, e ele preferiria que estivesse dentro. O motivo é simples e vale para qualquer banheiro pequeno.
O box da unidade vai do chão até o teto do contêiner, fechado por completo. Com a janela do lado de fora, o vapor quente do banho fica preso dentro do box até alguém abrir a porta de vidro. A janela abre no estilo basculante, com correntinha para fixar a abertura, e ventila bem o cômodo, só que não resolve o problema do vapor concentrado. A empresa executa conforme o desenho aprovado pelo cliente, mesmo quando a equipe sugere caminho diferente.
Elétrica instalada e o que ainda faltava na unidade filmada
A parte elétrica do contêiner já estava executada no momento da gravação. A caixa de disjuntores aparece montada, a fiação corre por todo o projeto e existe ponto específico deixado para o ar condicionado, já com tampa colocada. Há também espera de tomada na parede onde normalmente vai o painel de televisão, além do ponto previsto para a cabeceira da cama.
O que faltava eram os acabamentos. Tomadas, caixinhas e espelhos ainda seriam instalados antes da entrega, junto com a limpeza final da unidade. No banheiro existe apenas uma tomada, combinada com o interruptor, porque o cliente não pediu pontos adicionais. Quem pretende usar secador, máquina de barbear ou qualquer aparelho no banheiro precisa considerar esse detalhe na hora de desenhar o próprio projeto.
Quanto custa e em quanto tempo o contêiner fica pronto
O valor apresentado no vídeo é de R$ 34.900 para uma kitnete igual à mostrada, sem a varanda. O adicional de R$ 5 mil contempla o conjunto completo do espaço externo: parapeito de ferro, assoalho de pinus tratado, teto de policarbonato e a porta de vidro instalada na extremidade do contêiner. Somados, os dois valores levam o modelo do vídeo, com varanda, para R$ 39.900.
Colocando na ponta do lápis, a varanda representa um acréscimo de pouco mais de 14 por cento sobre o valor de partida, e entrega em troca quase 3 metros quadrados extras de área coberta, além da porta envidraçada que fecha o vão. É a diferença entre um contêiner fechado e um projeto com área externa de estar. O prazo é de 30 a 40 dias úteis, com a ressalva de que ele oscila conforme a demanda. Vale tratar o valor como ponto de partida, não como preço final fechado, já que a própria fabricante afirma que os projetos são desenhados caso a caso e que trocas de material alteram o orçamento.
O que o vídeo não informa e o comprador precisa perguntar
Aqui entra a parte que interessa a quem está fazendo conta. O material divulgado detalha o contêiner pronto, mas não trata de frete até o terreno, base ou fundação para apoiar a estrutura, ligação de água, esgoto e energia, nem das exigências da prefeitura de cada município para instalação de moradia modular.
São justamente esses pontos que costumam separar o preço de fábrica do custo real de morar. Uma casa de contêiner chega pronta, mas não chega instalada. Antes de fechar contrato, o comprador precisa levantar quanto custa levar a unidade até o local, o que a prefeitura exige em termos de projeto e alvará, e como será feita a ligação com as redes públicas. A empresa afirma desenhar cada projeto conforme o pedido, o que torna essas perguntas ainda mais necessárias na hora do orçamento.
Você moraria em 18 metros quadrados de contêiner
Assista o vídeo
O modelo mostrado resume bem o momento da construção modular no Brasil: entrega rápida, valor abaixo do que se paga em obra convencional pelo mesmo espaço e acabamento definido antes de a estrutura sair do pátio. Também traz limitações claras, como o ambiente único de cozinha e quarto, as portas originais que nunca mais fecham e uma metragem que exige planejamento de mobília centímetro a centímetro.
Agora queremos ouvir você. Por R$ 39.900, com varanda incluída, você trocaria um aluguel de kitnete por uma casa de contêiner instalada em terreno próprio, ou acha que o desconforto de morar em 18 metros quadrados não compensa a economia? E se fosse para usar como escritório, casa de praia ou espaço de aluguel por temporada, sua resposta mudaria? Comenta aqui embaixo o que você faria com esse projeto.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

