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Visto do espaço, uma imagem feita por um astronauta mostra uma mancha verde que parece impossível no meio de um gigantesco oceano de areia: o oásis de Jubbah rasga o deserto da Arábia Saudita e mantém ruas, palmeiras e plantações vivas graças à água oculta nas profundezas
Escrito por Ana Alice
Publicado em 27/07/2026 às 23:21
Curiosidades
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Uma fotografia feita da Estação Espacial Internacional revela como geologia, água subterrânea, agricultura e ocupação humana transformaram uma antiga bacia lacustre em uma mancha verde cercada pelas dunas do deserto saudita.
Uma mancha de vegetação cercada por extensos campos de areia chama atenção em uma fotografia feita a partir da Estação Espacial Internacional.
O contraste revela Jubbah, cidade construída na área ocupada por um antigo lago no norte da Arábia Saudita.
A imagem ISS064-E-6310 foi registrada em 26 de novembro de 2020 por um integrante da Expedição 64 da Estação Espacial Internacional.
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A NASA a apresentou como Imagem do Dia em 2 de março de 2021, ao explicar as características geológicas e humanas que tornam Jubbah visível em meio ao deserto de An Nafud.
Feita a aproximadamente 415 quilômetros de altitude, a cena mostra dunas claras e alaranjadas ao redor da área urbana, além de campos irrigados que aparecem como círculos e manchas verdes.
A câmera usada foi uma Nikon D5 equipada com lente de 400 milímetros.
O registro ajuda a observar, em uma única escala, elementos que no solo parecem separados: o formato das dunas, as áreas agrícolas, as estradas, a depressão onde a cidade se desenvolveu e a montanha que interfere no deslocamento da areia.
Jubbah ocupa a bacia de um antigo lago
Jubbah está localizada no deserto de An Nafud, cerca de 650 quilômetros a noroeste de Riad, capital da Arábia Saudita.
A cidade foi construída na bacia de um paleolago, nome usado para uma área onde existiu um lago em um período climático anterior.
A antiga superfície do lago não permanece coberta por água.
Segundo a NASA, seu leito está centenas de pés abaixo das dunas vizinhas, condição que ajuda a explicar o aspecto de depressão observado na paisagem.
Antes do avanço da aridez na Península Arábica, o lago de Jubbah fazia parte de uma rede de fontes de água doce em um ambiente mais úmido.
Com a mudança climática ocorrida ao longo de milhares de anos, essas áreas foram gradualmente cercadas ou cobertas por areia.
A posição entre dunas que favoreciam a recarga da água subterrânea teria permitido que o lago mantivesse água por mais tempo do que outros pontos da região.
Esse processo tornou o local importante para animais e grupos humanos que atravessaram o deserto em diferentes períodos.
O verde observado na fotografia, contudo, não representa a permanência do lago antigo.
A vegetação atual depende do acesso à água subterrânea e de sistemas de irrigação usados nas áreas cultivadas.
Círculos verdes mostram a agricultura irrigada
Parte das plantações de Jubbah aparece como formas circulares.
O desenho é produzido pela irrigação por pivô central, sistema no qual um equipamento comprido gira ao redor de um ponto fixo e distribui água sobre o terreno.
Vistos de cima, os campos formam círculos regulares que se destacam entre as tonalidades bege e alaranjada da areia.
O formato não corresponde a uma característica natural da vegetação, mas ao movimento do sistema de irrigação.
Esse método permite distribuir água em áreas amplas e com pouca chuva.
No caso de Jubbah, a agricultura moderna representa uma nova etapa de uma relação antiga entre assentamentos humanos e fontes hídricas disponíveis sob ou perto da superfície.
A fotografia também mostra que a região verde não é uniforme.
Campos cultivados, ruas e construções ocupam partes diferentes da depressão, enquanto as dunas avançam ao redor de seus limites.
A escala orbital torna visível a geometria criada pela ocupação humana.
Estradas aparecem como linhas, áreas agrícolas formam círculos e a parte urbana se apresenta como uma concentração de tons claros entre os campos.
Montanha reduz o avanço das dunas sobre Jubbah
A oeste de Jubbah está Jabal Umm Sinman, formação rochosa escura cujo nome pode ser traduzido aproximadamente como “montanha de duas corcovas de camelo”.
A montanha interfere no fluxo dos ventos predominantes que atravessam a região de oeste para leste.
De acordo com a NASA, a rocha cria uma espécie de sombra de vento, reduzindo a formação e o avanço de dunas na área localizada atrás da elevação.
Isso não significa que Jabal Umm Sinman interrompa completamente o movimento da areia.
Dunas são estruturas dinâmicas, modificadas continuamente pela direção e pela intensidade dos ventos.
O relevo, porém, altera o trajeto do ar e cria uma faixa parcialmente protegida.
A depressão do paleolago e a barreira oferecida pela montanha formam parte das condições físicas que ajudaram a preservar uma área habitável no meio do campo de dunas.
Na fotografia, o contraste entre a rocha escura, os campos verdes e as faixas de areia permite acompanhar essas diferenças.
A imagem mostra que a localização da cidade não é aleatória, mas está relacionada à geologia, ao relevo e à disponibilidade de água.
Imagem foi capturada por astronauta, não por satélite
Imagens da Terra observada do espaço são frequentemente descritas como fotografias de satélite.
Neste caso, porém, o registro foi produzido manualmente por um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional.
A NASA informa que a imagem foi capturada por um integrante da Expedição 64, mas não identifica nominalmente o autor no arquivo público consultado.
O material foi fornecido pela unidade responsável pelas observações da Terra feitas pela tripulação da estação.
A fotografia original passou por corte e ajuste de contraste para destacar os elementos da paisagem.
Artefatos produzidos pela lente também foram removidos durante o processamento realizado para a publicação.
Diferentemente de muitos sensores instalados em satélites, a câmera utilizada trabalha com luz visível de maneira semelhante a equipamentos fotográficos convencionais.
A lente de longo alcance permitiu registrar detalhes do relevo, das dunas e das áreas agrícolas a centenas de quilômetros de distância.
O ponto central da imagem está próximo das coordenadas 28 graus norte e 41,1 graus leste.
No momento do registro, a estação se deslocava sobre uma área situada a noroeste do local fotografado, e a câmera estava inclinada em direção ao sudeste.
Deserto aparece como uma paisagem em movimento
No solo, uma pessoa observa dunas individuais, estradas e áreas cultivadas em uma escala limitada.
Do espaço, esses componentes formam padrões que permitem interpretar o funcionamento de toda a paisagem.
As faixas de areia indicam a ação prolongada dos ventos.
Já os limites das plantações revelam onde a irrigação tornou o cultivo possível, enquanto a concentração urbana acompanha a área mais favorável da antiga bacia.
A fotografia também impede que o deserto seja entendido como uma superfície uniforme e vazia.
O cenário reúne relevos rochosos, sedimentos transportados pelo vento, reservas subterrâneas de água, infraestrutura moderna e vestígios de ocupações humanas muito anteriores à cidade atual.
Ao norte de Jubbah, uma rodovia cruza as dunas por um caminho que, segundo a NASA, acompanha uma rota historicamente utilizada por comerciantes de caravanas.
A estrada atual e os círculos de agricultura irrigada são, portanto, elementos recentes de uma paisagem utilizada há milhares de anos.
Assista o vídeo
Jubbah preserva registros de ocupações antigas
A presença humana na região não começou com as ruas ou as plantações modernas.
Nas áreas rochosas de Jabal Umm Sinman, antigas populações deixaram petróglifos e inscrições que registram animais, pessoas e aspectos da vida no deserto.
O local integra o patrimônio “Arte Rupestre na Região de Hail”, incluído na lista da Unesco em 2015.
O conjunto é formado por Jabal Umm Sinman, em Jubbah, e pelas áreas de Jabal Al-Manjor e Jabal Raat, próximas a Shuwaymis.
A Unesco relaciona essas gravuras às mudanças ambientais e aos modos como diferentes sociedades responderam ao avanço da desertificação.
Os registros preservam representações humanas e animais produzidas ao longo de quase 10 mil anos de história no conjunto reconhecido como patrimônio mundial.
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Quando parte dessas imagens foi criada, o ambiente local apresentava condições diferentes das observadas hoje.
A antiga presença de água doce, animais e rotas de deslocamento ajuda a explicar por que grupos humanos permaneceram ou passaram pela região.
A fotografia espacial conecta essas escalas de tempo.
O paleolago pertence a um ambiente mais úmido, as gravuras registram ocupações antigas e os círculos verdes mostram como a comunidade atual continua utilizando os recursos disponíveis na depressão.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

