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Pescadores puxaram a rede em São Francisco do Sul e vieram 1.440 tainhas de uma vez só, um dos maiores lanços da temporada no local, e a reação registrada em vídeo emocionou a internet
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 30/07/2026 às 16:36
Atualizado em 30/07/2026 às 16:45
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Um único lanço na Praia de Itaguaçu rendeu 1.440 tainhas ao Rancho do Ivan, em São Francisco do Sul. O vídeo com a reação dos pescadores, gravado em 30 de julho de 2026, tomou as redes sociais e reacendeu a conversa sobre a safra da tainha em Santa Catarina.
A cena durou poucos segundos e bastou para viralizar. Na manhã de 30 de julho de 2026, pescadores do Rancho do Ivan, na Praia de Itaguaçu, em São Francisco do Sul, no Litoral Norte catarinense, puxaram a rede e encontraram 1.440 tainhas de uma só vez, um dos maiores lanços registrados no local nesta temporada, segundo reportagem publicada pelo ND Mais no mesmo dia, com imagens do perfil @sao_chico_aereo.
No vídeo, um dos trabalhadores olha para a rede cheia e agradece a Deus. “Deus é Pai. Te agradeço, Pai”, ele diz, enquanto os companheiros ainda estão com os pés na água. A emoção do grupo, mais do que o número de peixes, foi o que fez o registro circular.
O que aparece nas imagens gravadas em Itaguaçu
O vídeo mostra o momento seguinte à retirada da rede da água, com o volume de peixes ainda concentrado na malha. Não há narração nem produção. É o registro cru de um dia de trabalho que deu certo, feito por quem estava ali.
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A frase dita pelo pescador acabou virando o título de boa parte das publicações sobre o caso. Ela resume um tipo de reação que se repete nos ranchos catarinenses durante a safra e que raramente é filmada de perto: o alívio de quem passou horas ou dias de vigília esperando o cardume aparecer. Nem todo lanço enche a rede, e é isso que dá peso à cena.
Por que 1.440 tainhas em um lanço chama atenção
O lanço é a operação completa do arrasto de praia. Os pescadores cercam o cardume com a rede a partir da beira, fecham o cerco com auxílio de embarcação e puxam tudo de volta para a areia com força de braço, geralmente com a comunidade inteira ajudando. Cada lanço é uma aposta. Pode render centenas de peixes ou quase nada.
Por isso o número não é lido como estatística, e sim como acontecimento. Mil quatrocentos e quarenta peixes em uma única puxada representa o resultado de uma temporada inteira condensado em um episódio. O próprio registro trata a captura como um dos maiores do ano naquele rancho, o que dá a medida do contraste com a rotina normal do local, feita de lanços bem mais modestos e de dias em que a rede volta praticamente vazia.
A reação nas redes sociais
Os comentários seguiram uma linha de reconhecimento ao trabalho da comunidade pesqueira. Uma internauta chamou a cena de bênção e desejou proteção ao grupo, tratando os pescadores como gente guerreira. Outro seguidor disse conhecer a turma pessoalmente e afirmou que eles mereciam o resultado.
Vale notar o que não apareceu: praticamente nenhuma discussão sobre preço, mercado ou lucro. O engajamento se organizou em torno da figura do pescador artesanal, uma categoria que carrega no litoral catarinense um capital simbólico grande e que costuma aparecer no noticiário mais pelas dificuldades do que pelas conquistas. Foi um vídeo de trabalho braçal que rendeu mais empatia do que qualquer campanha institucional sobre pesca.
Como funciona o rancho de praia e o arrasto
O arrasto de praia é a modalidade mais tradicional da pesca da tainha em Santa Catarina, e o rancho é a estrutura que a sustenta. São construções simples instaladas na areia, onde ficam as redes, os equipamentos e a organização do grupo. Cada rancho reúne pescadores que dividem tarefas, turnos de vigília e a produção capturada.
A vigília é a parte invisível do processo. Alguém precisa ficar de olho na água, muitas vezes de um ponto elevado, esperando a mancha escura do cardume passar. Quando a tainha aparece, o aviso é dado e o rancho inteiro se mobiliza em minutos. Esse arranjo coletivo é o que transforma a safra em evento social, com famílias e moradores acompanhando a puxada da beira. É por isso que a atividade é tratada oficialmente como patrimônio cultural do estado, e não apenas como economia.
A safra 2026 teve cota maior e um susto pelo caminho
A temporada deste ano começou em 1º de maio de 2026, sob uma portaria assinada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente. A norma ampliou em cerca de 20% o limite total de captura em relação às safras anteriores, decisão baseada na avaliação de estoque da espécie feita em 2025.
O caminho até aqui, porém, não foi linear. A produção veio tão forte que a cota do arrasto de praia foi atingida bem antes do fim do período previsto, e os pescadores catarinenses ficaram impedidos de trabalhar no meio da safra. A situação gerou reação no setor e levou o governo federal a publicar a Portaria Interministerial MPA e MMA nº 63 de 2026, divulgada em junho, que alterou as regras e liberou uma cota adicional para a pesca artesanal em Santa Catarina. Sem essa reabertura, o lanço de Itaguaçu provavelmente não teria acontecido.
As regras que valem para a captura de tainhas
Cada modalidade tem calendário e limite próprios. O arrasto de praia, que é o caso do Rancho do Ivan, tem temporada aberta de 1º de maio a 31 de dezembro, com cota de 1.332 toneladas e 419 embarcações licenciadas em Santa Catarina. O emalhe costeiro de superfície com até 10 AB pode operar de 15 de maio a 15 de outubro, e as embarcações acima desse porte tinham autorização até 31 de julho.
Há ainda gatilhos de encerramento antecipado, aplicados quando a captura se aproxima do teto. O arrasto de praia é interrompido ao atingir 90% da cota coletiva, o emalhe anilhado para em 85% e o cerco com traineira encerra ao alcançar 90% da cota individual por embarcação. O acompanhamento é feito pelo programa PesqBrasil, com envio obrigatório de dados de produção, mapas de bordo e rastreamento das embarcações. É esse controle que define até quando redes como a de Itaguaçu poderão continuar entrando na água.
O que a tainha representa no litoral catarinense
A safra acontece no inverno, período de baixa temporada, e é justamente aí que está boa parte do seu valor econômico. Restaurantes, pousadas e comércio de praias catarinenses organizam festivais em torno do peixe entre maio e julho, movimentando cidades que ficariam paradas nesses meses.
Para as comunidades pesqueiras, o cálculo é mais direto: a safra concentra a renda do ano. Um lanço grande não é sinônimo apenas de fartura naquele dia, mas de folga financeira para as semanas seguintes, dividida entre todos que participaram da puxada. É essa lógica de divisão coletiva que explica por que a comemoração no vídeo aparece no plural, e não como conquista individual.
E você, já viu de perto uma puxada de rede no litoral de Santa Catarina? Conta aqui nos comentários em que praia foi e como foi a experiência, e diga também o que achou da reação dos pescadores de São Francisco do Sul.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

