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Entre 300 e 400 metros de extensão, canal romano subterrâneo encontrado na Turquia possui passagem de dois metros, túnel central de 1,2 metro e plataformas laterais, mas acabou reaproveitado como esgoto depois de possivelmente transportar água limpa
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 31/07/2026 às 21:09
Curiosidades
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Estrutura localizada durante transformação urbana fica até dois metros abaixo da superfície, possui passagem central e plataformas laterais e pode ter sido construída no período dos imperadores Trajano ou Adriano.
Obras de transformação urbana no bairro de Çömlekçi, em Trabzon, na Turquia, revelaram um canal subterrâneo de pedra atribuído ao período romano. A estrutura possui entre 300 e 400 metros e continuava recebendo água residual quando foi inspecionada.
O canal foi identificado durante escavações realizadas em 2025. Após a descoberta, técnicos verificaram as condições de segurança do espaço e representantes do Museu de Trabzon e da Universidade Técnica de Karadeniz entraram na passagem para analisar sua construção.
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Canal segue em direção ao antigo porto de Trabzon
A estrutura subterrânea começa nas proximidades do entroncamento de Arafilboyu e avança em direção à estrada costeira e à área associada ao antigo porto de Trabzon.
As primeiras estimativas apontaram aproximadamente 350 metros de extensão. Levantamentos posteriores trabalharam com um intervalo de 300 a 400 metros, o que significa que o comprimento exato ainda depende de limpeza, escavações e documentação mais detalhada.
O canal está situado entre 1,5 e dois metros abaixo do nível atual do solo. Essa profundidade sofreu alterações porque as próprias obras mudaram parte da elevação do terreno.
Segundo as medidas divulgadas pelo Hürriyet Daily News, a passagem possui aproximadamente dois metros de altura e dois metros de largura.
No centro existe um canal com cerca de 1,2 metro de largura. Nas laterais foram identificadas plataformas com 50 a 60 centímetros, provavelmente utilizadas para circulação e manutenção da estrutura.
Construção foi atribuída ao início do período romano
A atribuição ao período romano foi apresentada pelo professor Mehmet Yavuz, decano da Faculdade de Letras e chefe do Departamento de História da Arte da Universidade Técnica de Karadeniz.
De acordo com Yavuz, o tipo de trabalho, os materiais empregados e as características estruturais apontam para o início do período romano. A construção pode estar relacionada aos reinados de Trajano ou Adriano, entre o final do século I e a primeira metade do século II.
A datação permanece como uma avaliação técnica. Não foi divulgada uma inscrição que identifique o responsável pela obra nem um estudo arqueológico conclusivo que determine seu ano exato de construção.
O teto possui formato abobadado e foi construído com pedras cuidadosamente cortadas. Nas paredes laterais aparecem tanto blocos regulares quanto pedras menores e irregulares, posteriormente cobertas por uma camada espessa de reboco.
Esse revestimento provavelmente funcionava como isolamento e ajudava a impedir a perda de água. A combinação dos materiais e o desenho da abóbada foram considerados pelos especialistas elementos característicos da engenharia romana.
O percurso não segue uma linha totalmente reta. Existem curvas, mudanças de direção e degraus no piso. Uma das possibilidades levantadas é que esses elementos reduzissem a velocidade da água, embora algumas alterações também possam ter sido provocadas por intervenções posteriores.
Estrutura foi transformada em canal de esgoto
Os pesquisadores consideram que o sistema teria sido originalmente construído para transportar água limpa. Como a linha desce em direção à antiga zona portuária, existe a hipótese de que abastecesse embarcações, uma instalação próxima ou habitantes daquela área.
Essa finalidade ainda não está comprovada. A extremidade do canal voltada ao porto não pôde ser examinada completamente porque as obras continuavam no local.
Ao longo dos séculos, a função da estrutura mudou. Aberturas adicionais foram feitas nas paredes laterais, provavelmente entre o final do período otomano e os primeiros anos da República Turca, permitindo sua ligação com redes de esgoto.
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Fabio Lucas Carvalho
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Quando o canal foi inspecionado, havia pouca água em seu interior, mas o líquido era residual. Portanto, a estrutura antiga ainda recebia fluxo, porém já não desempenhava comprovadamente sua possível função romana de transportar água potável.
Relatório foi enviado às autoridades
Em fevereiro de 2026, Yavuz informou à agência İhlas Haber Ajansı que um relatório sobre o canal havia sido encaminhado aos órgãos responsáveis e que a estrutura estava sob proteção.
O pesquisador afirmou que máquinas utilizadas no canteiro danificaram alguns trechos. Ele defendeu proteção arqueológica mais rigorosa, além da realização de limpeza e escavações de resgate para localizar possíveis reservatórios, ramificações ou construções associadas.
Yavuz também comparou o canal com estruturas encontradas na antiga cidade de Esmirna e em Istambul. Segundo ele, embora existam exemplos semelhantes, as características construtivas do sistema de Çömlekçi fazem do achado uma estrutura sem paralelo conhecido na Turquia.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

