4 min de leitura
Asteroide observado há quase 170 anos surpreende astrônomos ao revelar três “pontas”, uma pequena lua escondida em sua órbita e pistas sobre a formação dos planetas rochosos
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 01/08/2026 às 20:31
Atualizado em 01/08/2026 às 20:32
Ciência e Tecnologia
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
44 Nysa pode ser o primeiro asteroide conhecido com três lóbulos conectados e ainda abriga um pequeno satélite descoberto em novas observações astronômicas.
Uma estrutura extremamente incomum foi identificada no asteroide 44 Nysa, localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.
Novas imagens indicam que o objeto pode apresentar três lóbulos conectados, configuração nunca identificada dessa maneira em outro asteroide do Sistema Solar.
A campanha de observações também revelou uma surpresa adicional: uma pequena lua orbitando o Nysa.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Essas características podem ajudar pesquisadores a compreender melhor a origem do asteroide e parte da evolução inicial do Sistema Solar.
Asteroide conhecido desde 1857 revela formato inesperado
O 44 Nysa foi descoberto em 1857 e já chamava atenção dos astrônomos por causa de seu formato incomum.
Durante mais de um século, diferentes observações ajudaram a construir uma imagem mais detalhada do objeto.
Registros feitos pelo Telescópio Espacial Hubble, por exemplo, indicavam anteriormente uma estrutura aparentemente formada por dois lóbulos.
Novas observações, entretanto, revelaram uma configuração ainda mais complexa.
Astrônomos utilizaram o Large Binocular Telescope, no Arizona, e o Very Large Telescope, no Chile, para analisar a superfície.
Os instrumentos permitiram identificar detalhes que estavam escondidos em observações anteriores.
Imagens revelam três lóbulos e dois vales profundos
A estrutura registrada pelos pesquisadores apresenta características que podem transformar a compreensão sobre o formato do Nysa.
Segundo Kate Minker, pesquisadora do Lowell Observatory e líder do estudo, as imagens mostram um objeto extraordinariamente incomum.
A principal hipótese indica que o Nysa possa ser um trinar de contato.
Nesse cenário, três corpos menores teriam se unido pela própria gravidade até formar uma única estrutura.
Outra possibilidade considera que o Nysa seja apenas um asteroide extremamente irregular.
As novas imagens também mostram dois vales profundos.
Essas depressões parecem marcar exatamente as regiões de conexão entre os três possíveis lóbulos.
O asteroide possui aproximadamente 75 quilômetros de diâmetro em seu ponto mais largo.
Recomendado para você
Curiosidades
Mais de 6 mil bebês foram registrados fora do estado onde suas mães moravam no Brasil, e cinco rotas interestaduais concentraram mais da metade dos casos em 2024
Dados do IBGE mostram que 6.105 registros ocorreram fora do estado de residência materna, enquanto Goiás e Distrito Federal formaram a principal rota do país.
Um movimento pouco percebido nos registros…
Viviane Alves
0
Pequena lua surge durante as observações
A investigação também revelou outro elemento importante ao redor do 44 Nysa.
Astrônomos identificaram uma pequena lua com aproximadamente um quilômetro de diâmetro.
O satélite permanece a pelo menos 170 quilômetros do asteroide.
A lua recebeu provisoriamente a designação S/2026 (44) 1.
O acompanhamento de sua órbita poderá permitir o cálculo da massa e da densidade do Nysa.
Esses dados serão importantes para testar as diferentes hipóteses sobre a origem da estrutura incomum.
Formação do Nysa ainda desafia os pesquisadores
Uma das explicações considera que três pequenos asteroides possam ter se unido lentamente pela gravidade.
Outra hipótese envolve uma colisão capaz de deformar o corpo original.
Uma aproximação extrema com um objeto muito maior também pode ter alterado a estrutura do Nysa.
Nesse caso, forças gravitacionais intensas teriam provocado deformações capazes de gerar o formato atualmente observado.
Os pesquisadores ainda precisam de novas medições para determinar qual cenário representa melhor a história do asteroide.
Tecnologia avançada revelou detalhes antes invisíveis
A observação de um objeto com essas dimensões exige tecnologias capazes de reduzir interferências produzidas pela atmosfera terrestre.
Os pesquisadores utilizaram instrumentos de imageamento de alto contraste e sistemas de óptica adaptativa.
Esses recursos corrigem parte das distorções atmosféricas durante as observações.
Técnicas avançadas de processamento também foram utilizadas para eliminar o halo luminoso existente ao redor do asteroide.
O procedimento permitiu visualizar detalhes antes escondidos.
A combinação dessas tecnologias tornou possível identificar tanto os vales quanto a possível estrutura formada por três lóbulos.
Composição mineral também chama atenção
O formato não representa a única característica relevante do 44 Nysa.
A superfície do asteroide possui grande quantidade de enstatita, mineral capaz de refletir mais luz que muitos objetos do cinturão principal.
Essa composição faz com que o Nysa seja classificado como um asteroide do tipo E.
O objeto também representa o maior e mais brilhante integrante conhecido dessa categoria.
Pesquisadores acreditam que asteroides desse tipo tenham surgido nas regiões mais internas do Sistema Solar.
Esses corpos podem preservar características dos materiais envolvidos na formação dos planetas rochosos.
Entre esses planetas está a própria Terra.
Descoberta pode trazer novas pistas sobre o Sistema Solar
O estudo do Nysa pode ajudar cientistas a compreender processos ocorridos durante os primeiros bilhões de anos do Sistema Solar.
A análise de sua forma, composição, massa e densidade permitirá reconstruir parte da história do objeto.
A presença da pequena lua também fornece uma nova oportunidade para realizar medições mais precisas.
Os resultados da pesquisa foram disponibilizados no repositório científico arXiv em 28 de julho de 2026.
O estudo, liderado por Kate Minker, do Lowell Observatory, foi submetido à revista científica Astronomy & Astrophysics.
A confirmação definitiva da estrutura trilobada dependerá de novas observações e análises.
O 44 Nysa, porém, já se destaca como um dos asteroides mais incomuns observados no cinturão entre Marte e Júpiter.
A descoberta da pequena lua e da possível estrutura com três lóbulos abre novas possibilidades para compreender como corpos rochosos se formaram.
Você imaginava que um asteroide pudesse reunir três estruturas conectadas e ainda carregar uma pequena lua ao seu redor?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

