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Tripulação decolou de Melbourne e só pousou na França 24 horas e 24 minutos depois, voo de 23 mil quilômetros acompanhado ao vivo por 3,6 milhões de pessoas que abre caminho para a rota comercial mais longa do mundo
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 01/08/2026 às 21:37
Atualizado em 01/08/2026 às 21:45
Transporte Aéreo
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O Airbus A350-1000ULR saiu de Melbourne em 27 de julho de 2026 e cruzou o Pacífico, a América do Norte e o Atlântico antes de pousar em Toulouse. Foi o maior voo de certificação já feito por uma aeronave comercial e superou um recorde que estava de pé desde 2005.
Um avião levou mais de um dia inteiro no ar sem parar para reabastecer. O A350-1000ULR desenvolvido para o Project Sunrise decolou da pista 34 do aeroporto de Melbourne, na Austrália, às 17h27 de 27 de julho de 2026, no horário universal, e pousou em Toulouse Blagnac, na França, às 9h52 do dia seguinte, completando um voo de 24 horas e 24 minutos sem escalas, conforme informações da Airbus e da Qantas e reportagem publicada pelo portal Crusoé em 30 de julho de 2026.
A aeronave, registrada como F-WULR, percorreu 23.075,92 quilômetros, o equivalente a 12.460 milhas náuticas. Mais de 3,6 milhões de pessoas acompanharam a operação pela plataforma Flightradar24, o que fez dela a segunda mais rastreada da história do serviço, com mais de 120 mil pessoas monitorando simultaneamente o momento da aproximação final.
O caminho longo de propósito
A rota não foi a mais curta possível, e isso foi intencional. Em vez de refazer o trajeto de ida pelo Oceano Índico, a aeronave saiu de Melbourne e virou para nordeste, cruzou a Linha Internacional de Data a sudeste de Tonga, passou pela Polinésia Francesa, atravessou o oeste dos Estados Unidos e o leste do Canadá, contornou o extremo sul da Groenlândia e desceu sobre o Reino Unido até a França.
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O objetivo era submeter o avião ao percurso mais exigente possível dentro do programa de certificação. A tripulação atravessou três continentes e dois oceanos e viu dois ciclos completos de amanhecer e anoitecer antes de tocar o solo. Houve uma arremetida antes do pouso definitivo na pista 14R, procedimento de controle de tráfego, sem relação com falha técnica.
Quem estava a bordo
O título de piloto solitário não corresponde à operação. Não havia passageiros pagantes, e sim uma equipe técnica dedicada a monitorar o comportamento dos sistemas durante todo o percurso.
No voo de ida, feito entre 23 e 24 de julho, estavam quatro pilotos de teste da Airbus e cinco engenheiros de ensaios em voo. Dois pilotos da companhia aérea australiana embarcaram para a viagem de volta, aquela que bateu o recorde. Toda a operação integra uma campanha de testes iniciada em junho de 2026, com ensaios em solo e em voo conduzidos a partir de Toulouse.
O recorde que caiu depois de vinte anos
A marca anterior pertencia a um Boeing 777-200LR, que voou de Hong Kong a Londres em novembro de 2005 pelo caminho mais longo, cobrindo aproximadamente 21,6 mil quilômetros em 22 horas e 42 minutos.
A diferença é de quase duas horas. O dado que a Airbus registra oficialmente é de 24 horas e 24 minutos, enquanto os dados de rastreamento do Flightradar24 apontaram 24 horas e 23 minutos, variação de um minuto que decorre do critério de contagem entre a saída dos calços e o toque na pista. Em qualquer das duas medidas, é o voo mais longo já realizado por uma aeronave comercial.
O tanque extra que mudou a conta
A autonomia não veio de motor novo. O A350-1000ULR recebeu modificações estruturais, e a principal delas é um tanque adicional de combustível instalado no porão de carga traseiro, com capacidade de 20 mil litros.
Essa alteração aumenta o alcance em cerca de mil milhas náuticas, aproximadamente 1.850 quilômetros, em relação à versão padrão do modelo. É a diferença que separa uma rota inviável de uma rota programável em escala comercial. O voo de ida, feito pelo Oceano Índico com passagem sobre Itália, Mediterrâneo, Egito, Arábia Saudita e Sri Lanka, cobriu 9.120 milhas náuticas em cerca de 19 horas e 12 minutos e chegou a 41 mil pés de altitude.
A cabine foi desenhada para outro problema
Autonomia é apenas metade do desafio. A outra é o corpo humano dentro de um tubo pressurizado por mais de vinte horas, e é por isso que a configuração escolhida contraria a lógica comercial habitual.
A versão da companhia australiana terá apenas 238 assentos, a menor densidade entre todos os A350 em operação no mundo. O projeto de cabine foi desenvolvido em parceria com o Charles Perkins Centre, da Universidade de Sydney, e inclui iluminação circadiana para ajudar a regular o relógio biológico dos passageiros, quatro classes de serviço e uma área chamada Wellbeing Zone, destinada a alongamento e hidratação, com acesso liberado a todas as classes. Menos poltronas significa menos receita por voo e mais espaço por pessoa, aposta que depende de tarifas mais altas para fechar a conta.
O que a Qantas diz sobre o ganho de tempo
A presidente executiva da companhia, Vanessa Hudson, afirmou que eliminar a escala economiza até quatro horas de viagem para os clientes e que a aeronave foi projetada do zero para trajetos ultralongos, com uma cabine construída com base em pesquisa científica para combater o jetlag.
O argumento comercial está justamente aí. Quem voa hoje entre Austrália e Europa precisa parar em algum ponto do Oriente Médio ou da Ásia, com o tempo de conexão somado à viagem. O Project Sunrise foi lançado em 2017 exatamente para eliminar essa etapa nas ligações entre Sydney e Londres e entre Sydney e Nova York.
O calendário até o primeiro voo com passageiros
Nada disso significa que a rota já esteja liberada. O teste valida a capacidade técnica da aeronave, mas a certificação definitiva depende da análise final dos dados pela Agência Europeia de Segurança da Aviação.
O cronograma anunciado prevê início da venda de passagens em fevereiro de 2027, entrega da primeira aeronave, batizada Vega, em abril de 2027, e voo inaugural entre Sydney e Londres em outubro de 2027. A entrega estava originalmente prevista para o fim de 2026 e foi adiada por ajustes na cadeia de suprimentos. São 12 aeronaves encomendadas ao todo, e o teste confirmou que o modelo suporta operações comerciais de até 22 horas com passageiros e carga.
Quem perde o posto de rota mais longa
Se o calendário se cumprir, o recorde comercial atual muda de mãos. A marca pertence hoje à Singapore Airlines, com a ligação entre Singapura e Nova York, de aproximadamente 15,3 mil quilômetros e cerca de 18 horas e 50 minutos de duração.
A rota entre Sydney e Londres seria substancialmente maior, próxima de 17 mil quilômetros em linha direta, com tempo estimado acima de 20 horas. O voo de teste percorreu 23 mil quilômetros justamente para provar que existe margem de sobra, já que operação comercial precisa de reserva de combustível para desvios, espera e aeroporto alternativo, e não pode ser dimensionada no limite exato da autonomia.
E você, encararia mais de vinte horas dentro de um avião para não fazer conexão nenhuma? Conta aqui nos comentários qual foi o voo mais longo que você já pegou e se preferiria pagar mais caro pelo trecho direto ou parar no meio do caminho.
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AVIÃO
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

