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Após perder Domingos Montagner aos 54 anos, Luciana Lima concluiu a reforma da casa que o casal havia escolhido, reuniu objetos trazidos de viagens e transformou cada cômodo em um refúgio onde os três filhos ainda encontram a presença e a memória do pai
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 02/08/2026 às 01:21
Atualizado em 02/08/2026 às 01:28
Curiosidades
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Escolhida antes de uma perda que mudou os planos da família, a residência reúne objetos de viagens, fotografias e figurinos espalhados pelos ambientes, revelando como Luciana Lima deu continuidade ao projeto compartilhado com Domingos Montagner e preservou referências do ator para os três filhos.
A casa escolhida por Luciana Lima e Domingos Montagner ganhou um significado diferente depois da morte do ator, pois o imóvel visitado pelo casal antes da reforma passou a reunir objetos pessoais, fotografias, figurinos e presentes trazidos de viagens.
Antes que o projeto fosse concluído, Domingos participou da escolha da propriedade e discutiu com Luciana como seria a transformação dos ambientes, mas morreu aos 54 anos sem conhecer a residência pronta nem viver no espaço planejado pelos dois.
Coube à produtora cultural levar adiante uma decisão compartilhada, transformando o imóvel em uma nova etapa da vida familiar e distribuindo pelos cômodos referências capazes de manter a memória do marido presente na rotina dos três filhos.
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Casa escolhida por Domingos Montagner ganhou novo significado
Embora Domingos nunca tenha ocupado a casa reformada, o lugar conserva elementos diretamente ligados à trajetória pessoal dele, incluindo peças escolhidas durante viagens, registros da carreira e lembranças de momentos vividos longe da exposição pública.
Em entrevista ao Universa, do UOL, Luciana contou que o casal visitou o endereço mais de uma vez, avaliou suas possibilidades e conversou sobre a reforma antes da perda repentina que alterou os planos da família.
Longe de ficar concentrada em um memorial ou em um único cômodo, a presença afetiva do ator aparece espalhada pela residência, sobretudo nos objetos cotidianos que passaram a carregar um significado maior depois de sua morte.
Objetos de viagens preservam lembranças do ator
Sobre a mesa de jantar, cumbucas coloridas trazidas por Domingos da Turquia permanecem entre as lembranças preservadas, recordando o hábito do ator de voltar das viagens com presentes escolhidos para a mulher e para os filhos.
Também ficou na casa uma xícara cuja procedência Luciana já não conseguia identificar, mas o valor da peça deixou de depender do lugar onde foi comprada e passou a estar ligado ao gesto de Domingos ao escolhê-la.
Fotografias e figurinos completam esse acervo afetivo, permitindo que Luciana recorde em casa a voz, os gestos, o trabalho e a convivência com o marido sempre que a saudade reaparece nos diferentes momentos da vida familiar.
Ao reunir essas referências em ambientes usados diariamente, a residência funciona ao mesmo tempo como espaço de moradia e cenário de uma história interrompida, sem transformar as lembranças em peças isoladas ou distantes da rotina.
Filhos convivem com referências do pai dentro da casa
Os três filhos do casal, Leo, Antonio e Dante, tinham idades diferentes quando perderam o pai, e o mais novo ainda era pequeno, circunstância que ampliou a importância das histórias, imagens e peças preservadas pela família.
Por meio desses registros pessoais, os filhos também conseguem conhecer aspectos íntimos do homem que existia fora das telas, acompanhando lembranças de viagens, atividades escolares, compromissos familiares e momentos ligados ao circo e ao teatro.
Mesmo depois de alcançar projeção nacional na televisão, Domingos manteve a intimidade familiar distante da exposição pública, participando da rotina das crianças, buscando os filhos e acompanhando atividades escolares sem transformar essas ocasiões em extensões da carreira.
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Essa proteção ajudou Luciana e os filhos a atravessar o período posterior à morte com maior controle sobre a privacidade cotidiana, enquanto a família permanecia em Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo.
Durante os primeiros meses, a mãe de Luciana permaneceu próxima da família, somando-se ao apoio oferecido por pessoas ligadas à convivência doméstica, ao circo e ao teatro, áreas que sempre fizeram parte da trajetória do casal.
História de Luciana Lima e Domingos começou nas artes cênicas
Antes da televisão, Domingos já havia construído uma sólida carreira profissional ligada diretamente às artes cênicas no Brasil, e foi nesse ambiente que conheceu Luciana, então integrante de um grupo de teatro amador em Natal.
Na ocasião, ela participou da recepção de artistas interessados em oferecer atividades de circo e palhaçaria na cidade, conhecendo Domingos no aeroporto e mantendo contato com ele depois da passagem do grupo pela capital potiguar.
A aproximação continuou por meio de telefonemas, cartas, cartões-postais e mensagens trocadas em uma época de comunicação digital limitada, até que Luciana deixou Natal e se mudou para Embu das Artes cerca de um ano depois.
A vida construída pelos dois passou a reunir relacionamento, filhos e projetos profissionais compartilhados, enquanto Domingos ampliava a carreira como ator e Luciana administrava compromissos familiares, uma companhia de teatro e atividades ligadas ao circo.
Apesar da maior visibilidade proporcionada pela televisão, os vínculos com o palco e o picadeiro continuaram presentes, assim como as viagens frequentes, temporadas, apresentações e gravações que explicam a variedade de objetos levados para casa.
Reforma deu continuidade ao projeto do casal
Depois da morte do ator, cada presente passou a representar um gesto feito durante a vida em comum, permitindo que episódios familiares continuassem sendo relatados aos filhos dentro do espaço que os pais haviam escolhido juntos.
Em vez de reproduzir exatamente o que existia antes da perda, Luciana deu continuidade a um plano iniciado pelo casal e incorporou aos ambientes as mudanças enfrentadas pela família durante a reorganização da vida cotidiana.
Assim, a reforma materializou uma decisão familiar compartilhada pelo casal, enquanto a disposição de fotografias, figurinos e objetos de viagem transformou a casa nova em um espaço familiar atravessado por referências de uma história anterior.
Paralelamente ao projeto residencial, a produtora assumiu responsabilidades que antes eram divididas, conciliando a criação dos três filhos com compromissos profissionais, atividades culturais frequentes e a administração de iniciativas relacionadas ao teatro e ao circo.
Mesmo integradas à memória do ator, as peças não foram isoladas como relíquias inacessíveis, pois continuam sobre mesas, em quartos e em outros pontos frequentados diariamente por Luciana e pelos filhos dentro da própria residência.
Nesse cotidiano, a casa que Domingos ajudou a escolher, mas não chegou a habitar, tornou-se um elo entre planejamento, perda e continuidade familiar, preservando pequenas partes das viagens, do trabalho e da convivência do ator.
Qual objeto guardado em sua casa ainda consegue contar uma história familiar inteira, preservar lembranças de quem partiu e manter viva uma presença que nenhuma fotografia ou documento seria capaz de substituir completamente no cotidiano?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

