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Jovem ganês ouviu que era loucura um garoto como ele construir o próprio carro, mas aos 15 anos trabalhou como vendedor ambulante, juntou peças abandonadas em ferros-velhos e construiu por menos de US$ 3 mil um veículo de 300 cavalos que batizou com o próprio nome
Escrito por Ana Alice
Publicado em 02/08/2026 às 21:33
Atualizado em 02/08/2026 às 21:34
Ciência e Tecnologia
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Aos 15 anos, Kelvin Cruickshank começou a transformar sucata em um automóvel artesanal que atravessou anos de testes, mudanças e desconfiança até abrir portas para novos projetos ligados à inovação em Gana.
Antes de construir um automóvel com portas que se abrem para cima, painel de madeira e peças retiradas de ferro-velho, Kelvin Odartei Cruickshank começou fazendo pequenos protótipos controlados à distância.
Ele tinha aproximadamente sete anos quando passou a montar brinquedos e mecanismos simples com os materiais que encontrava em Acra, capital de Gana.
Kelvin começou a construir veículos aos sete anos
A curiosidade continuou durante a infância e ganhou uma dimensão maior aos 15 anos, quando Kelvin decidiu que tentaria construir um carro capaz de transportar uma pessoa.
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A proposta parecia improvável até mesmo para quem vivia ao redor do adolescente.
Kelvin não possuía uma fábrica, equipamentos industriais, formação em Engenharia Automotiva ou recursos suficientes para comprar componentes novos.
Grande parte do que tinha à disposição era formada por pedaços de metal, tubos, componentes descartados e peças recuperadas em depósitos de sucata.
Ainda assim, começou a transformar os materiais em uma estrutura tubular que, anos depois, daria origem a um veículo funcional.
“Quando comecei o projeto, muitas pessoas acharam que eu estava louco”, contou o jovem ao recordar as primeiras reações.
Idade e origem despertaram desconfiança
A desconfiança estava relacionada tanto à idade quanto à origem do inventor.
Kelvin nasceu em uma família de baixa renda em Acra.
A mãe trabalhava como comerciante, enquanto o pai administrava um bar local, segundo uma reportagem publicada em dezembro de 2020 pelo South West Londoner.
Naquele período, ele era apresentado como um jovem de 18 anos que havia concluído a Junior High School, etapa do sistema educacional de Gana que não corresponde automaticamente à conclusão de todo o ensino médio brasileiro.
Protótipos de controle remoto deram início ao projeto
A ideia de construir veículos havia surgido muito antes.
Kelvin começou com protótipos pequenos e controlados remotamente, feitos com peças simples e materiais reaproveitados.
Com o tempo, passou a visitar oficinas, observar carros e conversar com pessoas que trabalhavam com mecânica.
Aos 15 anos, iniciou a construção do projeto maior.
Família não compreendeu a ideia no início
A mãe inicialmente não compreendeu o que o filho estava tentando fazer.
Ao vê-lo mexendo com pedaços de metal e trabalhando sobre a terra avermelhada da região, acreditava que ele estava desperdiçando tempo que deveria dedicar aos estudos.
Kelvin contou que alguns dos materiais chegaram a ser descartados por ela durante as discussões.
O adolescente, no entanto, continuou recolhendo sucata e montando as primeiras partes do automóvel sem revelar todos os detalhes do projeto.
Trabalhos nas ruas financiaram as peças
Para conseguir dinheiro, realizou trabalhos temporários e vendeu bebidas nas ruas.
Parte do valor obtido era usada na compra de tubos, barras de ferro, componentes mecânicos e outras peças que ele não conseguia encontrar gratuitamente.
Kelvin relatou que, em determinados momentos, preferiu guardar o dinheiro para comprar materiais em vez de utilizá-lo em necessidades pessoais.
O orçamento total do veículo foi estimado por ele em menos de US$ 3 mil, incluindo a compra do motor.
Não foi localizada uma planilha pública com os gastos, recibos das peças ou uma conversão detalhada dos valores pagos ao longo dos anos.
Por isso, os US$ 3 mil devem ser tratados como uma estimativa apresentada pelo próprio construtor.
Sucata formou a estrutura do carro artesanal
A maior parte dos materiais veio de depósitos de sucata e equipamentos descartados.
Kelvin utilizou tubos quadrados, tubos redondos e barras de ferro para formar o quadro estrutural.
Segundo ele, o chassi, a estrutura principal e o suporte do motor estiveram entre as partes mais difíceis de fabricar.
Esses componentes precisavam resistir ao peso do veículo, manter as rodas alinhadas e suportar as vibrações produzidas pelo conjunto mecânico.
Sem máquinas de produção industrial, Kelvin cortava, posicionava e unia os materiais de forma artesanal.
As imagens divulgadas durante a montagem mostram uma estrutura tubular exposta, sem carroceria, construída em um espaço improvisado.
Assista o vídeo
Kelvin Mobile ganhou aparência de carro esportivo
O veículo recebeu uma carroceria de linhas angulares, inspirada visualmente em automóveis esportivos.
Na primeira fase, o projeto ficou conhecido como “Kelvin Mobile”, nome relacionado ao próprio construtor.
Posteriormente, o carro apareceu em publicações como “Kelsus P1”, denominação associada ao nome Kelvin e a uma referência religiosa feita pelo jovem.
A transformação também envolveu o acabamento externo.
A carroceria recebeu pintura azul-turquesa, grandes entradas de ar decorativas e um aerofólio traseiro.
As portas foram construídas para abrir para cima, em um sistema visualmente semelhante ao utilizado por alguns carros esportivos.
Painel de madeira e peças reaproveitadas formaram o interior
Por dentro, o veículo ganhou volante, alavanca de câmbio, retrovisor, velocímetro, medidor de rotações e um rádio.
Kelvin também instalou iluminação interna com LEDs e produziu um painel de madeira.
As peças vieram de diferentes veículos e equipamentos, exigindo adaptações para funcionarem dentro da estrutura construída por ele.
Assista o vídeo
Protótipo não passou por homologação automotiva
Também não foram divulgados testes confiáveis de velocidade máxima, frenagem, estabilidade, consumo de combustível, resistência estrutural ou proteção dos ocupantes.
O veículo se movimenta e foi filmado em funcionamento, mas isso não equivale a uma homologação automotiva.
Não há registro público de testes de impacto, cintos certificados, airbags ou autorização oficial para produção comercial e circulação regular.
Falhas obrigaram Kelvin a refazer partes do carro
Durante a construção, Kelvin enfrentou falhas que o obrigaram a desmontar partes do veículo e recomeçar.
O jovem contou que houve momentos em que uma tentativa não funcionava e novos materiais precisavam ser comprados.
Em uma das primeiras experiências ao volante, sofreu um acidente, mas não abandonou o projeto.
O dia em que o motor finalmente entrou em funcionamento foi descrito por ele como um dos momentos mais felizes de sua vida.
Comunidade passou a reconhecer o projeto
A reação da comunidade mudou conforme o carro começou a tomar forma.
Os vizinhos que observavam o adolescente recolher metais e trabalhar no chão passaram a reconhecer o projeto como um automóvel.
Kelvin começou a ser abordado nas ruas e recebeu elogios de pessoas que haviam duvidado de sua capacidade.
A construção ganhou espaço em emissoras de Gana, canais do YouTube e publicações internacionais.
Em setembro de 2020, quando tinha aproximadamente 18 anos, Kelvin participou do programa Breakfast Daily, da CitiTV, para explicar como havia montado o automóvel.
Reportagens daquele período informaram que ele havia dirigido o carro até o local onde faria uma prova escolar.
Assista o vídeo
Kelsus P1 passou por cinco anos de modificações
O projeto ainda passou por mudanças depois da primeira repercussão.
Imagens publicadas em diferentes anos mostram alterações na carroceria, no acabamento traseiro, na pintura e no interior.
Uma reportagem de 2023 afirmou que Kelvin havia dedicado cerca de cinco anos ao desenvolvimento até apresentar uma versão mais completa do Kelsus P1.
Esse período inclui a construção inicial, os testes e as sucessivas modificações, e não significa que todas as partes tenham levado cinco anos para ser montadas.
Campanhas buscaram financiar novos projetos
A mesma publicação de 2025 informou que uma campanha na plataforma Airfunding havia arrecadado US$ 1.193 de uma meta de US$ 2 mil.
A página original dessa campanha não foi localizada em funcionamento durante a atualização da matéria.
Uma campanha diferente, hospedada em uma plataforma de Gana em 2020, pretendia arrecadar 35 mil cedis para apoiar Kelvin, mas registrava apenas 13 cedis no arquivo público consultado.
Os números não devem ser misturados, pois se referem a campanhas distintas.
Kelvin planejava criar uma oficina para jovens
Os planos de Kelvin ultrapassavam a finalização daquele primeiro carro.
Ele desejava criar uma oficina maior, desenvolver veículos mais avançados e ensinar jovens interessados em mecânica e tecnologia.
Também passou a publicar vídeos sobre construção automotiva, pintura, painéis, motocicletas e outros experimentos no canal Kelvincars_Gh.
O canal permanecia disponível em 2026, com mais de 100 vídeos públicos.
Inventor continuou ligado à inovação em 2026
O registro institucional mais recente encontrado mostra que Kelvin continuou ligado à inovação.
Em 2026, a página da empresa educacional De’FES STEM, sediada em Acra, apresentava Kelvin como integrante da equipe de Engenharia e Inovação.
A instituição o descrevia como inovador automotivo, pesquisador em Engenharia Mecânica e energia renovável, desenvolvedor de produtos e participante de projetos relacionados a transporte, sistemas sustentáveis e aplicações tecnológicas.
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Ana Alice
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Essa descrição institucional não permite concluir que ele tenha obtido diploma universitário em Engenharia.
O título de pesquisador e sua experiência prática não devem ser confundidos com uma graduação formal sem que a instituição de ensino e o curso sejam identificados.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

