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Dono da megaloja Havan conta que a Estátua da Liberdade nasceu de uma sugestão inesperada, a de um garoto de apenas 7 anos que visitou a loja de Brusque em 1994 e deu a ideia a Luciano Hang, que a tirou do papel no ano seguinte
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 04/08/2026 às 09:44
Curiosidades
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A primeira réplica tinha 25 metros e foi instalada no estacionamento da unidade catarinense em 1995, mesmo ano da primeira filial da rede, em Curitiba. O modelo depois foi padronizado em 35 metros e replicado em lojas de todo o país.
O dono da megaloja Havan, Luciano Hang, atribui a um menino de 7 anos a origem do monumento que se tornou a principal marca visual da rede, conforme reportagem publicada pelo portal ND Mais. A sugestão teria sido feita em 1994, na loja de Brusque, em Santa Catarina, por Rafael Walendowski.
Segundo o relato, o garoto observou a fachada inspirada na Casa Branca e propôs que o local tivesse também uma réplica da Estátua da Liberdade. A ideia foi aceita e saiu do papel no ano seguinte, com a instalação de uma réplica de 25 metros no estacionamento da unidade, o que deu início ao padrão visual replicado depois em todo o país.
Como a réplica foi instalada em 1995
A primeira estátua foi erguida no estacionamento da loja de Brusque, transformando a unidade no que passou a ser chamado de Casa Branca brasileira, em referência à fachada que já existia.
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Com o tempo, o monumento ganhou padronização. A altura foi fixada em 35 metros e o modelo passou a ser adotado em diversas filiais da rede, tornando-se elemento reconhecível à distância, especialmente em unidades localizadas às margens de rodovias.
O significado atribuído pela companhia é comercial. A estátua representaria a liberdade de escolha e de compra dos clientes, além de funcionar como ponto de referência visual das lojas, informação que consta na apuração como versão da própria empresa.
O que sustenta e o que não sustenta essa história
Foto: Junior Nardes
Vale um registro sobre a natureza da informação central. A atribuição da ideia ao menino parte do relato do próprio empresário.
Significa que ela é um relato corporativo sobre a própria origem, e histórias de fundação de marca costumam ser contadas em versão simplificada e memorável, o que exige que o leitor considere de onde vem a informação.
O operário que virou empresário
A trajetória do fundador começa longe do varejo. Nascido em 11 de outubro de 1962, em Brusque, ele começou a trabalhar aos 17 anos como operário em uma tradicional indústria têxtil da cidade.
A facilidade com vendas o levou a ser transferido para a área comercial da empresa, mudança que definiria o rumo profissional dele. No período, também concluiu graduação em Processamento de Dados pela Universidade Regional de Blumenau.
O primeiro negócio próprio veio aos 21 anos, com a aquisição de uma tecelagem. A passagem de operário a comprador de tecelagem em quatro anos é o salto mais brusco dessa trajetória, e a reportagem não detalha como essa aquisição foi financiada.
A loja de 45 metros quadrados e o nome que veio da sociedade
A rede foi fundada em 1986, em sociedade com Vanderlei de Limas. O nome da empresa surgiu da junção das sílabas iniciais dos sobrenomes dos dois sócios.
O ponto de partida era modesto: uma loja de tecidos com 45 metros quadrados e um único funcionário. É uma área menor do que a de muitos apartamentos, o que dimensiona o tamanho inicial da operação.
A sociedade durou cinco anos. Em 1991, ele comprou a participação do sócio e passou a comandar a empresa sozinho. O nome, porém, permaneceu, mantendo até hoje a referência a uma parceria que se encerrou há mais de três décadas.
O turismo de compras que impulsionou o começo
O crescimento inicial se apoiou em uma característica regional. Ainda na década de 1980, o empresário identificou o potencial de Brusque como polo de turismo de compras, aproveitando a tradição da cidade no setor têxtil.
A região é conhecida como cidade dos tecidos e figura entre os principais polos de confecção do país, condição que atraía compradores de outros estados em busca de preço e variedade.
Esse fluxo já existente foi o que sustentou a operação nos primeiros anos. Abrir loja de tecido em uma cidade que já recebia turista de compras é começar com público formado, vantagem competitiva que não se repete em qualquer praça.
A virada de 1999 e o modelo de loja de rodovia
O formato que o público conhece hoje não é o original. Até 1999, a operação atuava essencialmente como loja de tecidos.
Foi naquele ano que a empresa mudou o modelo de negócio e passou a funcionar como loja de departamentos completa. A estratégia adotada apostou em unidades grandes, geralmente instaladas próximas a rodovias, com estacionamento, praça de alimentação e espaços de lazer.
O objetivo declarado era atrair tanto consumidores quanto turistas. Loja de rodovia com estacionamento amplo funciona como parada de viagem, e a fachada monumental cumpre função de sinalização visual para quem passa a 100 quilômetros por hora, o que ajuda a explicar a escolha estética.
A primeira filial e a entrada no comércio eletrônico
A expansão para fora de Santa Catarina começou em 1995, com a inauguração da primeira filial em Curitiba, no Paraná. Foi o mesmo ano em que a primeira réplica da estátua foi instalada em Brusque.
A abertura econômica brasileira do início dos anos 1990 é apontada na apuração como fator que permitiu a ampliação da atuação, ao facilitar o acesso a produtos importados e diversificar o mix de mercadorias disponíveis no varejo.
Em 2003, a empresa entrou no comércio eletrônico, ampliando a operação para os canais digitais. A reportagem não informa o número atual de lojas, o faturamento da rede nem quantas unidades contam com o monumento.
O que a apuração não esclarece
Vários pontos ficam em aberto e limitam a compreensão do caso. Não há informação sobre quanto custou a primeira réplica, sobre quem executou o projeto nem sobre o material empregado na construção.
Também não constam dados sobre o número de unidades que hoje ostentam a estátua, sobre eventual questionamento quanto ao uso da imagem de um monumento estrangeiro nem sobre a existência de licença ou autorização para a reprodução.
A apuração não traz ainda posicionamento atual de Rafael Walendowski, hoje adulto, sobre o episódio que lhe é atribuído. Ele seria a única testemunha capaz de confirmar a versão, e a reportagem não informa se houve tentativa de contato.
Uma marca visual construída sobre uma anedota
O que essa história oferece é um exemplo bem documentado de como marcas constroem narrativa de origem. Uma decisão de identidade visual que poderia ser explicada por estratégia de marketing ganha, na versão oficial, uma origem espontânea e simpática.
Isso não invalida o fato de a estátua ter se tornado, de fato, o elemento mais reconhecível da rede. Ela cumpre função prática de sinalização, funciona como ponto de referência e distingue as unidades de qualquer concorrente à primeira vista.
O que a apuração permite afirmar com segurança é o resultado, não a origem. A réplica existe desde 1995 e foi replicada nacionalmente, e essa parte está documentada. O restante depende do relato de quem conta.
E você, lembra da primeira vez que viu uma dessas estátuas na beira da estrada? Acha que histórias de origem contadas pelas próprias empresas devem ser levadas a sério ou fazem parte do marketing? Conta nos comentários qual marca tem, na sua opinião, o símbolo mais reconhecível do Brasil.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

