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Uma laje na Rocinha pode custar quase R$ 1 milhão? Vídeo mostra estrutura inacabada de três pavimentos oferecida como investimento para a construção de várias quitinetes, enquanto anúncio reacende questionamentos sobre verticalização, mercado imobiliário clandestino e fiscalização da Prefeitura do Rio
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 05/08/2026 às 00:02
Atualizado em 05/08/2026 às 00:04
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Imóvel possui 420 m² e ainda depende de instalações, divisões internas e acabamentos antes de começar a gerar renda com aluguéis
Uma estrutura em construção na Rocinha foi anunciada por quase R$ 1 milhão como oportunidade de investimento imobiliário. O objetivo seria transformar o espaço em diversas quitinetes destinadas ao aluguel.
Publicado em 4 de agosto de 2026 pelo influenciador digital Ruan Juliet, o vídeo mostra aproximadamente 420 metros quadrados distribuídos por três lajes. Segundo a gravação, cada unidade poderia render cerca de R$ 800 mensais.
Embora o anúncio destaque o potencial financeiro do imóvel, o comprador não receberia uma casa ou um apartamento finalizado. A negociação envolve apenas a estrutura existente, que ainda precisa de instalações, divisões e acabamentos.
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Imóvel é apresentado como fonte de renda mensal
Durante o vídeo, Ruan percorre os pavimentos e explica como a área poderia ser aproveitada. Posteriormente, os espaços seriam transformados em pequenas unidades habitacionais.
Dessa forma, o retorno financeiro dependeria da quantidade de quitinetes construídas e alugadas. Antes disso, porém, o comprador precisaria concluir a obra e preparar cada unidade para ocupação.
O anúncio, portanto, não apresenta a estrutura como residência de uma única família. Pelo contrário, o imóvel é tratado como um ativo destinado à geração contínua de renda.
O aproveitamento intensivo de áreas construídas também vem transformando outros projetos imobiliários. Tecnologias como os duplicadores de vagas mostram como o setor busca ampliar a capacidade dos imóveis sem aumentar o espaço ocupado.
Negociação revela cadeia econômica informal
A gravação também ajuda a expor uma dinâmica que ultrapassa a autoconstrução motivada pela necessidade de moradia. Nesse modelo, uma estrutura irregular pode ser erguida com finalidade comercial.
Posteriormente, o imóvel é vendido para outro responsável, que conclui a construção e divide a área. Em seguida, as pequenas unidades são oferecidas para locação.
Assista o vídeo
Assim, forma-se um mercado imobiliário clandestino com etapas semelhantes às do setor formal. Contudo, as negociações acontecem à margem das normas urbanísticas.
No fim dessa cadeia estão famílias de menor renda. Em vez de adquirirem uma moradia, elas se tornam inquilinas de unidades pequenas e construídas irregularmente.
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Caio Aviz
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Naturalidade da oferta chama atenção
Outro aspecto relevante é a forma como o negócio aparece na gravação. Ruan Juliet não questiona a legalidade da obra, pois o conteúdo não possui caráter de denúncia.
Conhecido por mostrar o cotidiano da Rocinha, o influenciador apresenta o imóvel, descreve seu potencial econômico e estima a renda dos futuros aluguéis.
Consequentemente, a negociação surge como parte comum da rotina local. Essa naturalidade reforça a percepção de que a verticalização e a comercialização informal continuam presentes na comunidade.
Prefeitura informa mais de 5.500 demolições desde 2021
O cenário contrasta com as ações anunciadas pela Prefeitura do Rio. Segundo o município, mais de 5.500 construções irregulares foram demolidas desde 2021.
Em 30 de janeiro de 2025, a Secretaria Municipal de Ordem Pública iniciou a demolição de um prédio irregular de três pavimentos na própria Rocinha. Avaliado em aproximadamente R$ 2 milhões, o imóvel não possuía licença municipal.
Além disso, operações removeram novas construções e uma grande laje no Vidigal. Outras 11 edificações ilegais foram demolidas na Favela Praia da Rosa, na Ilha do Governador.
Paralelamente, a Prefeitura afirma utilizar barreiras verdes para impedir o avanço das ocupações sobre áreas ambientalmente protegidas.
Vídeo reacende questionamentos sobre a fiscalização
As informações foram divulgadas pelo Diário do Rio, enquanto os dados sobre as demolições foram apresentados pela Prefeitura e pela Secretaria Municipal de Ordem Pública.
O vídeo não foi produzido como denúncia. Ainda assim, a oferta pública de uma laje por quase R$ 1 milhão evidencia a dimensão econômica dessas construções.
Diante desse cenário, permanece uma questão: a fiscalização municipal consegue conter a verticalização ou esse mercado clandestino continua avançando nas favelas do Rio?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

