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Office-boy aos 14 anos, João Hansen Júnior virou guarda-livros, assumiu aos 26 uma pequena fábrica de pentes à beira da falência e transformou o negócio na Tigre, pioneira dos tubos de PVC no Brasil, hoje presente em cerca de 30 países
Escrito por Carla Teles
Publicado em 05/08/2026 às 15:24
Atualizado em 05/08/2026 às 15:25
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O office-boy João Hansen Júnior começou na Perfumaria Jasmin, estudou contabilidade, virou guarda-livros e assumiu em 1941 uma fábrica de pentes, onde apostou no plástico, criou tubos e conexões de PVC e iniciou a transformação que levou a Tigre a atuar atualmente em cinco continentes e cerca de 30 países.
O office-boy João Hansen Júnior iniciou a vida profissional aos 14 anos na Perfumaria Jasmin, em Joinville, Santa Catarina, depois de abandonar uma tentativa de seguir a profissão de alfaiate sugerida pelo pai. Ele avançou dentro da empresa, estudou contabilidade, tornou-se guarda-livros e passou a lidar com questões financeiras até assumir, aos 26 anos, uma pequena fábrica que produzia pentes da marca Tigre e enfrentava sérias dificuldades.
A trajetória foi descrita pela Academia Joinvilense de Letras em conteúdo publicado em 25 de fevereiro de 2019 e complementada por informações institucionais da FIESC e do Grupo Tigre. Os registros mostram como João Hansen Júnior transformou, a partir de 1941, uma fabricação de pentes e utensílios plásticos em uma companhia pioneira nos tubos e conexões de PVC, atualmente presente em cinco continentes e em aproximadamente 30 países.
Primeiro emprego começou aos 14 anos
João Hansen Júnior nasceu em 1915, em Joinville, dentro de uma família na qual o pai, João Carlos Bernardo Hansen, trabalhava como tecelão. O plano inicial era encaminhá-lo para a alfaiataria, mas o profissional contratado para ensiná-lo concluiu que o jovem possuía aptidões diferentes e recomendou que buscasse outra atividade.
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Pouco depois, João conseguiu emprego como office-boy na Perfumaria Jasmin. A função representava o nível inicial dentro da estrutura administrativa, mas permitiu que ele acompanhasse rotinas comerciais, documentos, pagamentos e relações entre clientes e fornecedores, criando uma base prática para os cargos que assumiria nos anos seguintes.
Promoção levou ao setor financeiro
Em 1934, aos 19 anos, João foi promovido a guarda-livros da perfumaria, função relacionada ao registro de contas e ao controle das movimentações financeiras. O antigo office-boy também estudou contabilidade e passou a dominar conhecimentos que seriam decisivos quando começou a auxiliar outras empresas com dificuldades administrativas.
Com o avanço profissional, ele se tornou consultor para assuntos financeiros e, na década de 1940, chegou à gerência da Jasmin. A passagem de tarefas simples para responsabilidades contábeis ocorreu em poucos anos, revelando uma trajetória marcada por aprendizado prático, formação técnica e confiança conquistada dentro da companhia.
Fábrica de pentes enfrentava dificuldades
Na mesma época, João ficou responsável por organizar a documentação e as contas da Albano Koerber e Companhia. A empresa produzia pentes Tigre feitos de chifre de boi, mas atravessava problemas financeiros e corria o risco de interromper as atividades, exigindo uma reorganização capaz de manter o pequeno negócio em funcionamento.
Ao estudar as contas, João percebeu que a fábrica poderia ser recuperada. Em vez de limitar sua atuação à regularização dos documentos, ele decidiu assumir o risco empresarial, buscou financiamento e passou a considerar alternativas para modernizar uma produção baseada em matérias-primas tradicionais.
Aos 26 anos, tornou-se proprietário
João Hansen Júnior tinha 26 anos quando obteve um empréstimo e assumiu a fábrica, em 1941. A aquisição transformou o antigo office-boy em proprietário de uma operação industrial pequena, fragilizada financeiramente e dependente da fabricação de pentes, mas que já possuía uma marca reconhecível no mercado regional.
O empreendimento não apresentava a estrutura ou a dimensão que a Tigre alcançaria nas décadas seguintes. João herdou um negócio à beira da falência e precisou combinar controle financeiro, capacidade comercial e disposição para experimentar novos materiais, sem qualquer garantia de que a empresa sobreviveria.
Plástico abriu novas possibilidades
O empresário acreditava que o plástico oferecia aplicações que ainda eram pouco exploradas no Brasil, embora o material já ganhasse espaço na Europa e nos Estados Unidos. A aposta levou a fábrica a ampliar a produção para objetos como cachimbos, leques, piteiras e outros utensílios, reduzindo a dependência dos pentes feitos de chifre.
Essa diversificação marcou a transição de uma manufatura tradicional para uma indústria orientada por materiais sintéticos. O plástico permitia criar peças em formatos variados, aumentar a escala e explorar mercados diferentes, preparando a estrutura produtiva para um salto que ocorreria com a aquisição de novas máquinas.
Máquinas mudaram a linha de produção
Entre 1952 e 1953, a empresa comprou suas primeiras máquinas de extrusão e granuladores. Os equipamentos possibilitaram trabalhar com plásticos de maneira mais avançada, produzir componentes contínuos e desenvolver soluções que não poderiam ser fabricadas com os métodos utilizados anteriormente na produção de pentes.
A modernização conduziu a fábrica à fase dos plásticos flexíveis e abriu caminho para novos experimentos. O antigo office-boy já não administrava apenas uma pequena empresa recuperada, mas liderava uma operação que começava a incorporar tecnologia industrial e a procurar aplicações de maior escala.
Viagem à Europa trouxe nova ideia
Durante uma viagem à Europa, João visitou uma grande feira voltada ao setor de plásticos e conheceu possibilidades relacionadas ao PVC rígido. O contato com aquele material mudou sua percepção sobre o futuro da empresa e levou à decisão de desenvolver produtos destinados às instalações hidráulicas.
A ideia enfrentava resistência porque os tubos de ferro ainda eram vistos como padrão confiável para construções e redes hidráulicas. João acreditou que o PVC poderia oferecer uma alternativa mais leve, prática e adaptável, mesmo quando poucos no mercado brasileiro consideravam possível substituir materiais metálicos.
Tubos de PVC romperam um padrão
A empresa criou sua primeira linha de tubos roscáveis e avançou posteriormente para mangueiras, tubos e conexões de PVC. A iniciativa fez da Tigre uma pioneira desse segmento no Brasil e ajudou a modificar práticas consolidadas na construção civil, nas instalações prediais e na infraestrutura.
A substituição não ocorreu apenas pela apresentação de um novo produto. Era necessário convencer profissionais de que o plástico poderia cumprir funções antes reservadas ao ferro, demonstrando resistência, facilidade de instalação e aplicação em diferentes tipos de obra.
Capacitação ajudou a ampliar o mercado
João Hansen Júnior também investiu em estratégias de divulgação e formação profissional. A Tigre criou peças demonstrativas, publicou um manual técnico e desenvolveu escolas de aperfeiçoamento voltadas à capacitação de trabalhadores que utilizariam os produtos nas instalações hidráulicas.
As escolas móveis, conhecidas como Tigrões, levaram treinamento a diferentes regiões e aproximaram a indústria dos profissionais da construção. A estratégia ajudou a reduzir a resistência aos tubos de PVC, porque permitia explicar o funcionamento, demonstrar a instalação e formar mão de obra preparada para trabalhar com o novo material.
Marca cresceu no Brasil e no exterior
Sob o comando de João, a Tigre deixou de ser uma fábrica de pentes e se consolidou como referência em tubos e conexões. A empresa ampliou o portfólio, estruturou novas unidades e iniciou um processo de internacionalização que seria aprofundado pelas gerações seguintes da família Hansen.
O Grupo Tigre informa atualmente presença em cinco continentes, por meio de fábricas e exportações, e atuação em aproximadamente 30 países. A expansão internacional mostra a distância percorrida desde a pequena operação assumida em Joinville, quando o negócio ainda dependia de pentes e enfrentava risco de encerramento.
Sucessão preservou o negócio familiar
Em 1991, após descobrir problemas cardíacos, João decidiu afastar-se da administração direta. Seu filho, Carlos Roberto Hansen, foi confirmado como presidente executivo e também assumiu funções no Conselho de Administração e na holding responsável pelos negócios familiares.
João morreu em 18 de janeiro de 1995, em Joinville. A sucessão permitiu que a empresa continuasse avançando depois da saída de seu principal transformador, mantendo a ligação com a família e profissionalizando estruturas de governança que ganhariam importância nas décadas seguintes.
Terceira geração assumiu responsabilidades
Felipe Hansen, neto de João, começou a trabalhar no Grupo Tigre em 1998 como estagiário. Depois de acumular experiências em diferentes áreas, assumiu posições de liderança até chegar à presidência do Conselho de Administração, dando continuidade à terceira geração ligada à companhia.
A preparação envolveu formação em Administração de Empresas, cursos de gestão e contato progressivo com as operações. A continuidade não foi tratada apenas como transmissão de patrimônio, mas como responsabilidade de preservar o negócio, aperfeiçoar a governança e conduzir novos ciclos de expansão.
Empresa ultrapassou o setor de tubos
Embora tubos e conexões permaneçam como parte central da identidade da Tigre, o grupo ampliou suas áreas de atuação e incorporou novas soluções relacionadas a saneamento, gestão de água, agricultura, acabamentos e construção civil. Aquisições realizadas em diferentes períodos também contribuíram para diversificar o portfólio.
A companhia passou a operar com milhares de produtos e presença em dezenas de milhares de pontos de venda. O crescimento não eliminou a ligação histórica com o PVC, material que transformou o destino da empresa e consolidou a visão de João Hansen Júnior sobre inovação industrial.
História começou longe da grande indústria
Quando entrou na Perfumaria Jasmin como office-boy, João não possuía uma fábrica, máquinas de extrusão ou uma estrutura multinacional. Sua trajetória começou com tarefas administrativas, avançou pela contabilidade e ganhou uma nova direção quando ele decidiu assumir um negócio quase falido aos 26 anos.
A escolha de investir no plástico e enfrentar a resistência aos tubos de PVC criou a base da Tigre moderna. Na sua opinião, o fator decisivo dessa transformação foi a capacidade de reconhecer uma tecnologia antes dos concorrentes ou a coragem de assumir uma fábrica em crise ainda tão jovem? Deixe seu comentário.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

