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Cientistas apontam telescópio mais poderoso do mundo para o Sol, enxergam pequenos redemoinhos de plasma nunca confirmados diretamente e encontram fenômeno que pode ajudar a explicar tempestades espaciais e o calor extremo da coroa solar
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 06/08/2026 às 00:53
Ciência e Tecnologia
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Imagens de altíssima resolução do Sol revelaram vórtices associados à instabilidade de Kelvin-Helmholtz e abrem uma nova janela para estudar a atividade magnética da estrela.
Uma observação inédita da superfície do Sol permitiu que cientistas identificassem pequenos vórtices de plasma em uma região marcada por intensa atividade magnética.
Os registros foram obtidos pelo Telescópio Solar Daniel K. Inouye, instalado no Havaí e considerado o telescópio solar mais poderoso do mundo.
As imagens permitiram identificar de forma inequívoca a chamada instabilidade de Kelvin-Helmholtz, um fenômeno provocado por diferenças de velocidade entre camadas de plasma.
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O resultado foi apresentado em um estudo publicado na revista científica Nature em 5 de agosto de 2026.
A descoberta chama atenção porque esses pequenos redemoinhos podem estar relacionados à dinâmica magnética responsável por fenômenos muito maiores no Sol.
Telescópio consegue revelar estruturas do Sol que permaneceram inacessíveis por décadas
As observações foram realizadas com o Telescópio Solar Daniel K. Inouye, equipamento desenvolvido especialmente para estudar detalhes extremamente pequenos da atmosfera solar.
O instrumento possui um espelho principal de quatro metros e consegue captar imagens solares com resolução muito superior à obtida por telescópios anteriores.
Segundo o National Solar Observatory, o equipamento é atualmente o telescópio solar mais poderoso do mundo.
Os novos registros mostraram uma região magneticamente turbulenta localizada próxima à borda de uma mancha solar.
Pequenas estruturas semelhantes a redemoinhos apareceram justamente onde diferentes fluxos de plasma se movimentavam em velocidades distintas.
As imagens alcançaram detalhes de aproximadamente 20 quilômetros, permitindo aos pesquisadores identificar fenômenos que antes não podiam ser confirmados diretamente.
Pequenos redemoinhos de plasma confirmam a instabilidade de Kelvin-Helmholtz no Sol
A instabilidade de Kelvin-Helmholtz surge quando duas camadas de um fluido ou plasma se deslocam com velocidades diferentes.
Essa diferença cria ondulações que podem crescer até assumir a aparência de pequenos redemoinhos.
O fenômeno já era conhecido em outros ambientes naturais.
Ondas oceânicas e a interação entre o vento solar e campos magnéticos planetários apresentam comportamentos semelhantes.
A observação direta dessas estruturas nas camadas externas do Sol, entretanto, ainda não havia sido confirmada dessa maneira.
Os cientistas combinaram as imagens obtidas pelo telescópio com simulações computacionais para analisar os movimentos observados.
Os modelos reproduziram o comportamento dos vórtices e reforçaram a interpretação de que as estruturas correspondem à instabilidade de Kelvin-Helmholtz.
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Viviane Alves
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Vórtices surgem onde plasma em movimento encontra estruturas magnéticas instáveis
Os redemoinhos foram identificados em regiões onde o plasma solar interage diretamente com estruturas magnéticas instáveis.
Diferenças na velocidade desses fluxos criam condições favoráveis para a formação dos vórtices.
Essa interação pode ser particularmente importante porque o plasma do Sol está profundamente conectado aos campos magnéticos da estrela.
Os pequenos movimentos observados podem contribuir para dobrar, torcer e entrelaçar linhas do campo magnético solar.
Esse processo interessa aos pesquisadores porque mudanças nessas estruturas magnéticas estão relacionadas à liberação de grandes quantidades de energia.
Descoberta pode ajudar cientistas a entender tempestades espaciais
A identificação dos vórtices também pode ampliar o conhecimento sobre o chamado clima espacial.
Os pesquisadores acreditam que essas estruturas podem desempenhar um papel no entrelaçamento das linhas magnéticas do Sol.
Esse comportamento pode participar dos processos que antecedem erupções solares e ejeções de massa coronal.
Esses eventos conseguem lançar grandes quantidades de radiação e partículas carregadas para o espaço.
As partículas podem alcançar a Terra quando ocorrem eventos solares suficientemente intensos.
Satélites, sistemas de comunicação, redes elétricas e serviços de navegação por GPS podem ser afetados nessas situações.
Calor de mais de um milhão de kelvin na coroa solar entra na investigação
A descoberta também pode colaborar com a investigação de um dos antigos mistérios da astrofísica solar.
A coroa solar pode atingir temperaturas superiores a um milhão de kelvin, apesar de estar acima da superfície visível da estrela.
Cientistas investigam há décadas como tanta energia chega às camadas externas do Sol.
Os pequenos vórtices observados podem participar do transporte e da dissipação dessa energia por meio da interação entre plasma e campos magnéticos.
Essa possibilidade torna a instabilidade de Kelvin-Helmholtz especialmente interessante para estudos sobre o aquecimento da atmosfera solar.
Primeira observação abre caminho para novos estudos sobre o Sol
A descoberta representa apenas o início da investigação sobre o comportamento dessas estruturas na estrela.
Novas observações serão necessárias para compreender completamente como os vórtices surgem e evoluem.
Os pesquisadores também precisarão determinar com maior precisão sua participação no armazenamento e na liberação de energia magnética.
A capacidade do Telescópio Solar Daniel K. Inouye será fundamental nessa etapa.
O instrumento foi projetado justamente para observar estruturas solares extremamente pequenas e acompanhar alterações rápidas no plasma e nos campos magnéticos.
As novas imagens mostram, portanto, que fenômenos diminutos podem fornecer pistas importantes sobre alguns dos processos mais energéticos do Sol.
Na sua opinião, essas novas imagens poderão ajudar os cientistas a prever com maior precisão as tempestades solares capazes de afetar tecnologias na Terra? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

