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Tecnologia coreana cria mais de 100 microrrobôs biodegradáveis por minuto capazes de transportar células-tronco até pontos específicos do corpo
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 06/08/2026 às 09:47
Atualizado em 06/08/2026 às 09:48
Ciência e Tecnologia
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Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Coreia do Sul e da Suíça combina produção acelerada, controle magnético e materiais biodegradáveis para aplicações de precisão.
Em 2022, pesquisadores da Coreia do Sul e da Suíça desenvolveram uma tecnologia capaz de produzir mais de 100 microrrobôs biodegradáveis por minuto. O objetivo do projeto era criar dispositivos microscópicos que pudessem atuar no transporte direcionado de células-tronco e, depois, ser degradados no organismo.
O estudo foi publicado na revista científica Small e contou com participação de pesquisadores ligados ao Instituto de Ciência e Tecnologia Daegu Gyeongbuk, o DGIST. Entre os responsáveis pelo trabalho estava o professor Hongsoo Choi, cuja equipe buscava superar uma das principais limitações da microrrobótica: a fabricação lenta de estruturas extremamente pequenas.
O avanço chamou atenção porque os métodos disponíveis já permitiam produzir microrrobôs com grande precisão, mas exigiam um processo demorado. A nova abordagem passou a combinar nanopartículas magnéticas com metacrilato de gelatina biodegradável dentro de um chip microfluídico, acelerando a fabricação dos dispositivos.
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Microrrobôs convencionais exigiam fabricação lenta e enfrentavam limitações com partículas magnéticas
Uma das técnicas utilizadas para produzir estruturas microscópicas é a polimerização de dois fótons, método de impressão 3D capaz de criar objetos com alta precisão. O processo utiliza a interação de dois lasers sobre uma resina sintética para provocar a formação da estrutura desejada.
A precisão oferecida pelo método pode alcançar escala nanométrica, mas existe uma dificuldade importante. Cada pequeno volume produzido durante a impressão precisa passar sucessivamente pelo processo de cura, aumentando o tempo necessário para concluir um único microrrobô.
As nanopartículas magnéticas também representam um obstáculo durante a fabricação. Quando aparecem em concentrações elevadas, elas podem bloquear a passagem da luz necessária para a polimerização e comprometer a uniformidade da estrutura final.
Gelatina biodegradável e nanopartículas permitiram produzir mais de 100 microrrobôs por minuto
A equipe de Hongsoo Choi desenvolveu uma alternativa para contornar essas limitações. Os pesquisadores utilizaram uma mistura formada por nanopartículas magnéticas e metacrilato de gelatina, conhecido como GelMA, material biodegradável que pode ser curado pela exposição à luz.
Essa composição foi conduzida através de um chip microfluídico, permitindo acelerar significativamente a formação das estruturas. Com o método, a equipe conseguiu alcançar uma velocidade superior a 100 microrrobôs produzidos por minuto.
A proposta reuniu duas características importantes em um único dispositivo. As partículas magnéticas permitiam controlar o movimento dos microrrobôs, enquanto o material biodegradável possibilitava que a estrutura fosse posteriormente desintegrada após cumprir sua função.
Campo magnético permitiu conduzir microrrobôs carregados com células-tronco
O funcionamento dos pequenos dispositivos não ficou restrito ao processo de fabricação. A equipe também realizou experimentos para observar se os microrrobôs poderiam transportar células-tronco até uma região específica.
Os dispositivos receberam células-tronco e foram conduzidos por meio de um campo magnético externo. Esse sistema permitiu movimentar as estruturas sem necessidade de uma conexão física direta com os microrrobôs.
A presença das nanopartículas magnéticas era fundamental para esse deslocamento. Ao responder ao campo aplicado pelos pesquisadores, os microrrobôs podiam seguir uma trajetória determinada dentro do ambiente utilizado durante o experimento.
Experimento colocou microrrobôs em microcanal semelhante a um labirinto
Para avaliar a capacidade de entrega direcionada, a equipe criou um teste utilizando um microcanal com formato de labirinto. Os microrrobôs carregados com células-tronco precisavam atravessar essa estrutura e alcançar o ponto definido pelos pesquisadores.
O experimento confirmou que os dispositivos conseguiram transportar as células até a região desejada. A movimentação controlada mostrou que o sistema poderia funcionar como uma ferramenta de transporte celular direcionado.
Depois da entrega, as células-tronco também foram analisadas. Os pesquisadores observaram que elas apresentaram proliferação e diferenciação após serem liberadas pelos microrrobôs.
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Caio Aviz
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Estrutura biodegradável pode desaparecer depois de concluir a entrega das células
A capacidade de degradação representou outra característica importante do projeto. Como os microrrobôs foram produzidos com metacrilato de gelatina, a estrutura pode ser degradada após realizar o transporte das células.
Essa propriedade diferencia o sistema de dispositivos que permaneceriam no organismo depois de cumprir sua função. No experimento, os pesquisadores acompanharam tanto a degradação do microrrobô quanto o comportamento das células liberadas.
Os resultados indicaram que as células continuavam capazes de se proliferar e se diferenciar depois do transporte. Dessa forma, o estudo mostrou que a fabricação rápida não impediu o funcionamento dos dispositivos durante os testes realizados pela equipe.
Tecnologia une fabricação acelerada, controle magnético e transporte direcionado de células
A pesquisa publicada na Small demonstrou que microrrobôs biodegradáveis podem ser produzidos em uma escala muito mais rápida do que aquela encontrada em métodos tradicionais. A taxa superior a 100 unidades por minuto foi obtida com uma técnica baseada em microfluídica e materiais sensíveis à luz.
O trabalho também mostrou que essas estruturas podem transportar células-tronco através de um percurso definido e liberar o material transportado em uma região específica. Depois disso, o próprio microrrobô pode passar pelo processo de degradação.
A combinação de produção rápida, partículas magnéticas, material biodegradável e transporte de células foi apresentada pelos pesquisadores como uma alternativa para sistemas de terapia de precisão direcionada. O experimento mostrou, em escala laboratorial, que os pequenos dispositivos conseguem reunir essas funções em uma mesma plataforma.
A pesquisa representa uma tentativa de transformar estruturas microscópicas em ferramentas capazes de levar células até pontos definidos, mantendo controle sobre o deslocamento e permitindo que o dispositivo desapareça depois da entrega.
Você acredita que microrrobôs biodegradáveis poderão se tornar uma ferramenta importante para tratamentos médicos de precisão no futuro?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

