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Por que o lúpulo precisa ser “enganado” com luz artificial no Brasil? Da flor cheia de lupulina à levedura trabalhando por até 20 dias, veja como malte, mosto, fermentação e pasteurização transformam ingredientes simples na cerveja que chega gelada ao copo
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 07/08/2026 às 13:28
Atualizado em 07/08/2026 às 13:29
Agronegócio
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Cultivo do lúpulo, moagem do malte e fermentação pela levedura formam um processo que determina aroma, amargor, álcool e frescor da cerveja.
A cerveja percorre um caminho muito maior do que parece antes de chegar ao copo.
Celebrado em 7 de agosto de 2026, o Dia Internacional da Cerveja chama atenção para etapas que começam no cultivo do lúpulo e terminam somente após a fermentação.
Lúpulo, malte, água e levedura desempenham papéis diferentes durante a fabricação.
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Cada ingrediente influencia características como aroma, amargor, teor alcoólico e frescor.
No Brasil, uma das partes mais curiosas do processo acontece ainda na lavoura: produtores precisam utilizar luz artificial para estimular o crescimento do lúpulo.
Lúpulo precisa receber mais horas de luz no Brasil
O lúpulo necessita de longos períodos de luminosidade para se desenvolver.
Essa condição ocorre naturalmente durante o verão em países como Estados Unidos e Alemanha.
A realidade brasileira exige outra estratégia.
Produtores utilizam iluminação artificial para simular dias mais longos e estimular o crescimento da planta.
O produtor Murilo Ricci também chama atenção para uma característica botânica pouco conhecida.
O lúpulo pertence à família Cannabaceae, a mesma família botânica da cannabis.
As semelhanças praticamente terminam nessa classificação.
Segundo Ricci, o lúpulo não possui THC e não provoca o efeito entorpecente associado à maconha.
O cultivo da planta é permitido no Brasil.
Flor concentra a lupulina usada na produção
A parte mais importante do lúpulo para a fabricação da cerveja está localizada na flor.
Pequenos grãos dourados chamados lupulina ficam concentrados nessa estrutura.
A lupulina está relacionada ao amargor e aos aromas característicos da bebida.
Óleos essenciais utilizados durante a produção também ficam presentes nas flores.
A colheita inicia um processo cuidadoso de preparação.
As flores não são lavadas, porque o procedimento pode favorecer a oxidação.
A limpeza ocorre manualmente antes da secagem.
Esse processo dura entre 16 e 20 horas e reduz a umidade natural da flor.
O engenheiro de alimentos e cervejeiro Guilherme Manganello explica que o ingrediente geralmente chega à produção em formato de pellet.
O lúpulo é triturado e prensado, facilitando sua utilização durante a fabricação.
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Viviane Alves
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Malte forma a base da cerveja
O lúpulo representa apenas uma parte da receita.
O malte forma a base de grande parte das cervejas produzidas.
Segundo Manganello, muitas receitas utilizam o chamado malte pilsen, também conhecido como malte claro ou malte base.
Cervejas classificadas como puro malte utilizam somente malte, sem acrescentar outros cereais.
Outras receitas podem receber ingredientes conhecidos como adjuntos cervejeiros.
Milho, arroz, centeio e sorgo estão entre essas possibilidades.
O malte de trigo também pode ser utilizado nas tradicionais cervejas de trigo.
Levedura transforma o mosto em cerveja
A fabricação entra em outra etapa quando os grãos chegam à cervejaria.
Os grãos são moídos e misturados à água.
Dessa combinação surge um líquido adocicado chamado mosto.
A cerveja ainda não existe nesse momento.
Segundo Guilherme Manganello, o cervejeiro prepara o mosto, mas quem efetivamente produz a cerveja é a levedura.
O mosto passa por descanso e resfriamento antes de receber os microrganismos.
A levedura começa então a consumir os açúcares presentes no líquido.
Esse processo produz álcool, gás carbônico e compostos responsáveis por sabores e aromas.
A fermentação demora entre 15 e 20 dias, segundo o cervejeiro.
A bebida segue posteriormente para o envase e permanece refrigerada para preservar o frescor.
Pasteurização separa cerveja e chopp
Uma das dúvidas mais comuns aparece depois que a bebida está pronta.
No Brasil, convencionou-se diferenciar cerveja e chopp pela pasteurização.
A cerveja pasteurizada passa por aquecimento para ampliar sua durabilidade.
O chopp não é submetido ao mesmo procedimento.
Segundo Manganello, a pasteurização aumenta o tempo de conservação, mas também pode reduzir parte do frescor da bebida.
A cervejaria onde o profissional trabalha opta por não pasteurizar sua produção justamente para preservar essa característica.
Pilsen continua entre as favoritas dos brasileiros
Diversos estilos podem surgir a partir das combinações de ingredientes e técnicas de produção.
A pilsen continua sendo uma das preferidas dos brasileiros.
O estilo apresenta normalmente coloração dourada e amargor moderado.
Seu teor alcoólico costuma permanecer entre 4,5% e 4,8%.
Essas características ajudam a explicar sua presença constante nos copos brasileiros.
Do lúpulo iluminado artificialmente à fermentação conduzida pela levedura, cada etapa interfere diretamente na bebida final.
Você imaginava que a fabricação da cerveja envolvia tantas etapas antes de ela chegar ao copo?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

