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Milionário mobilizou 300 trabalhadores para erguer um castelo de 6 andares e 120 cômodos em uma ilha de Nova York como presente para a esposa, mas mandou interromper toda a construção em 1904 após receber a notícia da morte dela e deixou o palácio inacabado e abandonado por 73 anos
Escrito por Carla Teles
Publicado em 07/08/2026 às 22:30
Construção
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O castelo de George Boldt começou a ser erguido em 1900 na Heart Island, em Nova York, com 300 trabalhadores, 6 andares e 120 cômodos, mas a obra foi interrompida em janeiro de 1904 após a morte de Louise e permaneceu abandonada por 73 anos até ser adquirida em 1977.
O castelo que George C. Boldt decidiu construir em uma ilha do estado de Nova York nasceu como uma demonstração de afeto à esposa, Louise Kehrer Boldt, mas acabou se transformando em uma enorme estrutura abandonada. A partir de 1900, cerca de 300 trabalhadores foram mobilizados para erguer um edifício de seis andares e 120 cômodos na Heart Island, no rio São Lourenço, dentro da região conhecida como Thousand Islands.
A história é apresentada pelo site oficial do Boldt Castle, mantido pela Thousand Islands Bridge Authority, e pela página enciclopédica dedicada ao monumento, atualizada em 16 de julho de 2026. As duas fontes confirmam que a construção foi interrompida em 1904 após a morte de Louise e que George Boldt jamais voltou à ilha, deixando o complexo exposto ao clima e ao vandalismo durante 73 anos.
George Boldt queria construir um presente para Louise
George C. Boldt havia acumulado notoriedade no setor hoteleiro norte-americano como proprietário do Waldorf-Astoria Hotel, em Nova York, e também esteve ligado à administração do Bellevue-Stratford Hotel, na Filadélfia. A família já passava temporadas na região das Thousand Islands antes de ele decidir transformar Heart Island no cenário de um projeto muito maior do que a residência existente.
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Em 1900, Boldt lançou a construção de um grande castelo inspirado em referências europeias e pensado como presente para Louise. A proposta ultrapassava a ideia de uma simples casa de verão: o empreendimento deveria criar um conjunto monumental dentro da própria ilha, com áreas residenciais, estruturas auxiliares, jardins e espaços destinados ao lazer da família.
Trezentos trabalhadores ocuparam a ilha
Segundo o histórico oficial do Boldt Castle, aproximadamente 300 pessoas participaram da construção, incluindo pedreiros, carpinteiros e artistas. A quantidade de profissionais ajuda a dimensionar a escala de uma obra realizada numa ilha, onde materiais, ferramentas e trabalhadores precisavam chegar por meio de uma logística diferente daquela de um canteiro convencional em terra firme.
O trabalho avançou durante quatro anos e envolveu diferentes estruturas distribuídas pela propriedade. O castelo principal teria seis pavimentos e 120 cômodos, números que colocavam o projeto entre as grandes residências privadas daquele período nos Estados Unidos e refletiam o padrão de riqueza associado à chamada Era Dourada norte-americana.
Projeto incluía túneis, usina elétrica e ponte levadiça
O edifício central não era o único elemento previsto para Heart Island. O projeto incluía túneis, uma usina destinada ao fornecimento de energia, jardins de inspiração italiana, uma ponte levadiça, um pombal e a Alster Tower, estrutura concebida como área recreativa para as crianças da família.
Havia ainda uma grande casa de iates na vizinha Wellesley Island, onde os Boldt também mantinham propriedades. O complexo foi pensado como uma residência de grandes proporções, cercada por infraestrutura própria e diferentes construções complementares, o que explica por que centenas de trabalhadores permaneceram envolvidos no empreendimento entre 1900 e 1904.
Morte de Louise interrompeu tudo em janeiro de 1904
A construção seguia em andamento quando Louise Kehrer Boldt morreu repentinamente em janeiro de 1904. Diante da notícia, George Boldt enviou uma mensagem para Heart Island determinando que todos os trabalhos fossem interrompidos imediatamente, mesmo com diferentes áreas do complexo ainda inacabadas.
A ordem mudou definitivamente o destino do castelo. O projeto havia sido concebido como uma demonstração de amor pela esposa e, depois da morte dela, Boldt não quis continuar a construção. Os trabalhadores deixaram a ilha e aquilo que deveria se tornar uma das grandes residências privadas do país permaneceu incompleto.
George Boldt nunca mais voltou à Heart Island
Depois de cancelar a obra, Boldt não retornou a Heart Island. Ele continuou passando períodos na região das Thousand Islands até morrer em 1916, mas não retomou o projeto e tampouco determinou que outra equipe terminasse o edifício iniciado como presente para Louise.
A decisão fez com que cômodos, paredes, torres e demais estruturas permanecessem exatamente no estágio em que se encontravam quando os trabalhos foram suspensos. Sem a conclusão planejada e sem ocupação regular, o enorme empreendimento passou de símbolo de riqueza familiar a uma construção vazia exposta às condições naturais da região.
Castelo ficou abandonado durante 73 anos
Do encerramento das obras em 1904 até a aquisição da propriedade em 1977, passaram-se 73 anos. Durante esse período, o castelo e outras construções de pedra ficaram sujeitos ao vento, à chuva, ao gelo e à neve dos invernos do norte de Nova York, além de sofrerem danos provocados por vandalismo.
A ausência de uma restauração contínua deteriorou elementos do projeto e deixou grande parte dos ambientes incompleta. A própria situação passou a fazer parte da história do lugar: uma residência de 120 cômodos concebida sem grandes restrições de gastos permaneceu por décadas sem cumprir a função para a qual havia sido planejada.
Autoridade comprou a propriedade por um dólar
Em 1977, a Thousand Islands Bridge Authority adquiriu Heart Island e a casa de iates associada à propriedade. Segundo o histórico disponível, a transferência ocorreu pelo valor simbólico de um dólar, acompanhada da condição de que a receita obtida com a operação do castelo fosse destinada à preservação e restauração do conjunto.
A intervenção não significou simplesmente finalizar os planos deixados por George Boldt. Inicialmente, o objetivo era preservar e recuperar a propriedade de maneira que refletisse o estado em que se encontrava quando os trabalhos foram abandonados. Com o passar das décadas, porém, o programa de restauração avançou além dessa proposta original e recuperou diferentes áreas internas.
Milhões de dólares foram destinados à recuperação
Entre os trabalhos realizados estão a recuperação de uma cúpula de vitrais, pisos de mármore, partes da grande escadaria, despensa, cozinha e espaços destinados aos empregados. A Power House, praticamente destruída por um incêndio na década de 1930, também esteve entre os primeiros projetos restaurados depois da aquisição.
A página enciclopédica registra que, até 2020, mais de US$ 50 milhões haviam sido destinados à restauração e reabilitação do castelo e das estruturas ao redor. Parte dos cômodos continua sem mobiliário, permitindo que visitantes observem áreas que ajudam a revelar a diferença entre os ambientes recuperados e aqueles que permaneceram próximos do estado inacabado.
Ilha virou uma atração turística em Nova York
Hoje, o Boldt Castle funciona como uma das atrações da região das Thousand Islands e pode ser acessado por embarcações a partir de localidades dos Estados Unidos e do Canadá. Heart Island permanece em território norte-americano e conta inclusive com estrutura de controle de entrada para visitantes que chegam pelo lado canadense.
Os visitantes podem percorrer diferentes ambientes do edifício principal, jardins, estruturas auxiliares e áreas restauradas do complexo. O palácio que permaneceu vazio por 73 anos passou a financiar sua própria preservação por meio da visitação, invertendo o destino que parecia provável quando a construção foi abandonada no início do século XX.
Presente interrompido virou memorial de uma história familiar
O Boldt Castle nunca cumpriu exatamente o propósito original imaginado por George Boldt. Louise morreu antes de ver o projeto concluído, o marido abandonou a ilha e centenas de trabalhadores deixaram uma estrutura de seis andares e 120 cômodos pela metade. O que deveria ser uma residência privada acabou atravessando décadas de abandono até ser recuperado para visitação pública.
A interrupção ocorrida em janeiro de 1904 transformou definitivamente o significado do castelo: de presente planejado para uma esposa, ele passou a ser lembrado pela história de uma obra que seu proprietário se recusou a concluir depois de perdê-la. Para você, o que mais impressiona nessa história: mobilizar 300 trabalhadores para construir o presente ou abandonar todo o projeto depois da morte de Louise? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

