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Argélia já concluiu 2.400 km de rodovia que atravessa o Saara após destinar US$ 2,6 bilhões a projeto que liga o Mediterrâneo à África Ocidental
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 08/08/2026 às 11:09
Atualizado em 08/08/2026 às 11:10
Economia
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Rodovia Transaariana tem eixo principal de aproximadamente 4.500 km entre Argel e Lagos e integra rede continental que já supera 90% de execução, embora trechos no Mali, Níger e Chade ainda precisem ser concluídos.
A Argélia já concluiu os 2.400 km de seu trecho do eixo principal da Rodovia Transaariana, projeto iniciado há mais de seis décadas para criar uma ligação terrestre entre o norte da África, o Sahel e a África Ocidental.
O marco argelino não é recente. Em maio de 2021, o então ministro de Obras Públicas e Transportes, Kamel Nasri, informou que os 2.400 km do eixo principal dentro do país estavam concluídos.
Na ocasião, o governo informou também ter destinado cerca de 300 bilhões de dinares argelinos, valor então equivalente a aproximadamente US$ 2,6 bilhões, ao projeto desde o início de sua implantação.
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Esse montante deve ser entendido como o volume acumulado destinado pela Argélia à Transaariana até aquele momento, e não como um orçamento atualizado ou o custo de toda a rede internacional.
Projeto atravessa seis países e tem mais de 9 mil quilômetros
A dimensão da Transaariana vai muito além dos 2.400 km construídos em território argelino.
Documentação do Banco Africano de Desenvolvimento estabelece uma extensão total de 9.022 km para a rede, distribuída entre Argélia, Mali, Níger, Nigéria, Chade e Tunísia. Banco Africano de Desenvolvimento — Trans-Saharan Highway Project
O eixo central Argel–Lagos possui cerca de 4.498 km, atravessando a Argélia, o Níger e a Nigéria. A estrutura é complementada por ramificações que levam a rede até Tunísia, Mali e Chade.
Isso significa que os quase 10 mil quilômetros frequentemente atribuídos à Transaariana representam o sistema completo de estradas, e não uma única rodovia contínua de Argel até Lagos.
O corredor foi concebido para conectar regiões do Mediterrâneo ao interior africano e permitir que países sem saída para o mar tenham acesso mais eficiente a redes logísticas e portuárias.
Argélia anunciou 2.400 km concluídos ainda em 2021
Em 24 de maio de 2021, Kamel Nasri apresentou os números durante uma reunião do Comitê de Ligação da Rodovia Transaariana, o CLRT.
Segundo a Rádio Argélienne, citando as informações oficiais apresentadas pelo ministro, o país havia completado os 2.400 km correspondentes ao eixo principal da Transaariana em território argelino. Rádio Argélienne — anúncio de 24 de maio de 2021
Nasri informou também que o Estado argelino havia disponibilizado os 300 bilhões de dinares — aproximadamente US$ 2,6 bilhões pela conversão apresentada naquele momento — desde o início da implantação do projeto.
Parte da estratégia passou ainda pela transformação de segmentos da rota em vias de padrão mais elevado e pela conexão do corredor às principais estruturas logísticas do norte do país.
O objetivo é permitir que mercadorias provenientes do interior africano avancem por terra em direção ao Mediterrâneo, enquanto produtos movimentados pelos portos argelinos possam seguir em direção ao Sahel e à África Ocidental.
Mais de 90% da Transaariana já está realizada
Cinco anos depois daquele anúncio, o projeto continental ainda não está completamente terminado.
Em 10 de junho de 2026, o secretário-geral do CLRT, Mohamed Ould Mohammedi, afirmou que a Transaariana já estava mais de 90% realizada.
O dirigente explicou que a estrutura não se resume à ligação Argel–Lagos. O sistema inclui também uma conexão com a Tunísia, uma ramificação entre Tamanrasset e Gao, prolongada em direção a Bamako, no Mali, e o eixo entre Zinder, no Níger, e N’Djamena, capital do Chade.
Segundo o balanço apresentado pelo CLRT à Rádio Argélienne, o eixo central está praticamente realizado. A infraestrutura argelina é operacional até Tamanrasset e In Guezzam, enquanto trabalhos de manutenção continuavam sendo executados na parte meridional. Rádio Argélienne — balanço do CLRT de junho de 2026
No Níger, a ligação entre as fronteiras argelina e nigeriana estava concluída quase integralmente, restando uma seção próxima a Assamaka que permanecia em obras e cuja finalização era esperada em 2026.
Mali e Chade ainda concentram trechos pendentes
As maiores lacunas estão nas ramificações secundárias.
Na direção de Bamako, ainda faltavam aproximadamente 400 km, segundo Mohamed Ould Mohammedi. O CLRT trabalhava com o Mali na busca de financiamento necessário para completar a ligação.
A situação é mais atrasada no corredor Zinder–N’Djamena, entre Níger e Chade. Contratos iniciados anteriormente não alcançaram todos os resultados previstos, deixando partes da infraestrutura sem conclusão.
A Argélia passou então a participar diretamente dos esforços para completar dois trechos em território chadiano, com equipes técnicas enviadas ao país para preparar as intervenções.
Por isso, a ligação com o Chade não é apenas uma possibilidade futura: ela integra formalmente a estrutura da Transaariana e permanece entre os segmentos necessários para levar o projeto à conclusão.
Estrada passa de obra rodoviária a corredor econômico
Com mais de 90% da infraestrutura executada, a próxima etapa discutida pelos países envolvidos ultrapassa a construção física das pistas.
O CLRT pretende transformar a Transaariana em um corredor econômico integrado, combinando transporte rodoviário, comércio, infraestrutura logística e mecanismos permanentes de cooperação entre os países atravessados.
Para a Argélia, os 2.400 km já construídos representam a ligação entre sua infraestrutura mediterrânea e o coração do continente.
Para países interiores do Sahel, a estrada cria uma alternativa terrestre para transportar mercadorias e alcançar mercados e portos do norte africano.
Mais de seis décadas depois do início do projeto, a Transaariana está próxima de completar sua infraestrutura planejada, mas o avanço final ainda depende principalmente da conclusão e modernização de segmentos no Mali, Níger e Chade.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

