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Aos 18 anos, formanda atravessa o mercado de beca e capelo até a banca de alho e canela do avô, tira a própria beca para vestir o avô sentado no banquinho e entrega o diploma nas mãos dele ali mesmo, em vídeo que passou de 15 milhões de visualizações
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/08/2026 às 12:57
Atualizado em 08/08/2026 às 13:00
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Mary Flores chegou ao tianguis Agua Azul, em Guadalajara, com beca, capelo e diploma na mão, vestiu o avô com as próprias peças e entregou a ele o certificado de conclusão do ensino médio. O vídeo passou de 15 milhões de reproduções no TikTok.
Ela não foi ao auditório receber o diploma e depois procurar o avô. Chegou ao tianguis Agua Azul, em Guadalajara, no estado mexicano de Jalisco, já de beca, capelo e diploma na mão, e caminhou até a pequena banca de alho e canela onde ele trabalha, conforme reportagem assinada por Aline Nicolas e publicada pelo El Heraldo de México em 22 de julho de 2025.
A jovem se identifica como Mary Flores e publicou o registro no perfil @mariflores.24 do TikTok. O vídeo dura poucos segundos e ultrapassou 15 milhões de reproduções. O avô, conhecido no mercado como Don Pifas, estava sentado no banquinho de sempre, cuidando da banca, quando viu a neta chegar vestida de formatura.
O diploma não era de faculdade
Aqui vale um esclarecimento que muda a leitura da cena. O documento entregue naquele dia é o diploma de preparatória, equivalente mexicano ao ensino médio brasileiro, e não um diploma universitário.
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Isso não diminui o gesto, muda o ponto da linha do tempo em que ele acontece. A própria Mary deixou o recado na legenda do vídeo: o título é dela, mas o orgulho e a conquista pertencem ao avô, e o próximo alvo é o diploma universitário. Ela estava celebrando o meio do caminho, não o fim. É também por isso que a homenagem soa como promessa e não apenas como agradecimento.
Quem é Don Pifas e o que ele vende
A banca é pequena e o produto é específico: alho e canela. O ponto fica no tianguis Agua Azul, um daqueles mercados de rua mexicanos que ocupam um trecho da cidade em dia fixo da semana e desmontam no fim do expediente.
O apelido do avô apareceu nos comentários do próprio vídeo, publicados por gente que trabalha ali. Um vendedor escreveu que dividem o mesmo tianguis e que gostam muito dele. Outro registrou o detalhe que talvez diga mais sobre o homem do que qualquer adjetivo: ele não falta ao trabalho em nenhuma quarta-feira. Foi assim, pelos vizinhos de banca, que o Brasil e boa parte da internet ficaram sabendo o nome pelo qual ele é conhecido.
A sequência exata do que acontece no vídeo
O registro é curto e tem uma ordem clara. Mary chega com a indumentaria completa de formatura. O avô, sentado no banquinho, a recebe com um sorriso contido. A primeira coisa que ela entrega não é o diploma, é um urso de pelúcia vestido de formando.
Depois vem a parte que fez o vídeo circular. Ela começa a vestir o avô, peça por peça, com a beca e o capelo que estava usando. Quando ele já está paramentado, ali no meio do tianguis, ela coloca o diploma nas mãos dele, e o gesto termina em beijo e abraço. A neta chegou vestida de formanda e saiu de roupa comum, com o avô no lugar dela. A troca é o núcleo da cena.
A trilha que fez o resto do trabalho
O vídeo foi publicado com “Viejo”, de Edén Muñoz, ao fundo. É uma escolha que explica parte da repercussão, porque a canção já carrega o assunto e dispensa qualquer legenda explicativa.
A combinação funcionou. Milhares de comentários apareceram, muitos deles menos sobre Mary e mais sobre quem estava assistindo. Uma pessoa escreveu que chorou junto. Outra respondeu que dói porque o avô dela já não está mais aqui. Uma terceira perguntou como faria para colocar a beca em alguém que já está no céu. Um vídeo de poucos segundos virou espaço coletivo de luto e de saudade, o que raramente acontece com conteúdo de formatura.
Houve ainda uma reação de outra natureza: uma pessoa ofereceu publicamente uma bolsa de estudos em psicologia ou pedagogia, em instituição na Cidade do México, caso ela quisesse estudar por lá. Não há informação sobre se a oferta era séria ou se foi aceita.
O que continua sem resposta
Um ano depois, várias informações seguem indisponíveis. Nenhuma das reportagens localizadas informa a idade de Mary Flores, a idade do avô, o nome completo dele, o parentesco exato dentro da família nem em qual escola ela concluiu o ensino médio.
Também não se sabe o desfecho. Não há registro público sobre se ela ingressou na universidade, se a bolsa oferecida nos comentários se concretizou, nem se Don Pifas continua atendendo a banca de alho e canela no tianguis. A história termina onde o vídeo termina, e ninguém voltou para contar o capítulo seguinte. A informação de que o avô ajudou a custear os estudos aparece na cobertura mexicana com hedge, como algo aparente ou presumido, e não como confirmação da família.
Por que esse tipo de vídeo funciona
Existe uma diferença entre o vídeo de formatura comum e o que Mary publicou. No primeiro, a câmera aponta para quem se formou. No segundo, ela aponta para quem pagou a conta, e a pessoa que se formou sai de cena voluntariamente.
Há também o cenário. Auditório, palco e beca são ambientes controlados, onde a homenagem é esperada. Uma banca de alho e canela no meio de um mercado de rua não é lugar de cerimônia, e é exatamente esse contraste que produz o efeito. O capelo em cima da cabeça de um homem que passou a vida trabalhando de quarta a quarta diz sozinho o que um discurso de formatura levaria dez minutos para dizer.
O vídeo de Mary Flores fez muita gente responder a mesma pergunta nos comentários, e quase ninguém citou a si mesmo. A resposta mais comum foi um avô, uma avó, uma mãe, um pai. E boa parte das pessoas escreveu que não deu tempo.
Conta nos comentários: se você pudesse colocar a sua beca em alguém, quem seria e por quê? E para quem ainda tem essa pessoa por perto, o que impede de fazer o gesto hoje, em vez de deixar para uma data que talvez não chegue?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

