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Aos 59 anos, Giulia Gam resgatou o sítio centenário deixado pelo avô dinamarquês, recuperou o celeiro de quase 100 anos e transformou os 8 alqueires em um novo projeto no interior de São Paulo, preservando a casa onde passou parte da infância
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 09/08/2026 às 23:54
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Propriedade familiar no interior paulista atravessou gerações, preservou construções históricas e ganhou nova função após um processo de recuperação que conecta memórias de infância, arquitetura rural e uma decisão capaz de mudar o destino de um espaço mantido pela família durante décadas.
Giulia Gam transformou uma propriedade histórica da família em Cotia, no estado de São Paulo, em um novo projeto voltado à realização de eventos, depois de recuperar estruturas antigas e preservar elementos diretamente ligados à própria infância.
Aos 59 anos, a atriz passou a acompanhar a adaptação do sítio, cuja história remonta ao avô dinamarquês, mantendo o caráter rural do terreno enquanto construções atravessadas por diferentes gerações ganharam uma nova função.
Com cerca de oito alqueires, a área reúne a casa principal, espaços verdes e um antigo celeiro que se tornou o principal ambiente do novo empreendimento.
Mantido pela família durante décadas, o imóvel recebeu intervenções destinadas a recuperar estruturas e permitir um novo uso sem eliminar características associadas à arquitetura e à paisagem construídas desde a geração do avô de Giulia.
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Sítio de Giulia Gam guarda história da família
Segundo o Correio 24 Horas, a história da propriedade começou com o avô dinamarquês da atriz, um engenheiro que chegou ao Brasil e trabalhou com estruturas de concreto armado ao lado de profissionais como Oscar Niemeyer.
Já estabelecido no país e com família formada, ele comprou as terras onde funcionava uma propriedade rural, iniciando uma ligação com o endereço que atravessaria as gerações seguintes.
Muito antes de existir qualquer proposta comercial, Giulia já mantinha uma relação pessoal com o lugar.
Fotografias do acervo familiar registram a atriz ainda bebê no sítio, acompanhada da mãe, enquanto outras imagens preservam momentos de parentes na propriedade.
Parte de sua infância ficou ligada ao terreno e às construções, que continuaram associadas à trajetória da família mesmo depois das mudanças ocorridas ao longo das décadas.
Celeiro de quase 100 anos ganhou nova função
Entre os elementos mais marcantes do patrimônio está o antigo celeiro, construção que se aproxima de um século de existência e foi recuperada para assumir posição central no projeto.
Embora mantenha a aparência ligada ao campo, a estrutura recebeu adaptações para funcionar como espaço de celebrações, combinando a idade do imóvel com uma atividade completamente diferente daquela de sua origem.
Esse processo de transformação ocorreu em etapas e também alcançou a casa principal, que voltou a ocupar papel importante na rotina familiar.
Theo Bial, filho de Giulia Gam e do jornalista Pedro Bial, participou dessa fase e ajudou na recuperação da residência, aproximando uma nova geração de um espaço adquirido décadas antes pelo bisavô.
Durante as intervenções, a casa recuperada voltou a servir como referência para Giulia dentro da propriedade onde havia passado parte da infância.
Em vez de substituir completamente o que existia, a restauração adaptou estruturas antigas às necessidades atuais e recuperou ambientes ainda ligados à trajetória familiar.
Reforma transformou propriedade em projeto profissional
À medida que o sítio ganhava uma nova configuração, Giulia ampliou sua presença no local e passou a acompanhar mais de perto o projeto.
A transformação abriu caminho para uma parceria profissional destinada a utilizar parte da estrutura em casamentos e outras celebrações, mantendo ao mesmo tempo o vínculo da família com o imóvel.
No centro dessa nova atividade ficou o celeiro.
Em lugar de demolir a construção antiga para erguer um salão convencional, o projeto aproveitou justamente suas características históricas e rurais como parte da proposta oferecida aos clientes.
Elementos de madeira, áreas abertas e a integração com o terreno permaneceram associados à identidade visual do espaço, enquanto a operação foi estruturada em parceria com uma produtora especializada em eventos.
Outros ambientes da propriedade também passaram a apoiar a preparação e a realização das celebrações, permitindo que a área histórica adquirisse uma fonte de receita vinculada à própria manutenção.
Família decidiu preservar o sítio em Cotia
Transformar parte da propriedade em espaço para eventos também ofereceu uma resposta prática para uma decisão enfrentada pela família sobre o futuro do terreno.
Giulia já relatou que havia a possibilidade de vender o imóvel, alternativa que poderia modificar de maneira definitiva a configuração construída ao longo de várias gerações.
Em vez da venda, a escolha foi manter o sítio e buscar uma atividade capaz de contribuir para sua conservação.
Essa decisão preservou ainda uma característica importante do projeto original: a relação entre arquitetura e paisagem.
Referências da origem dinamarquesa do avô de Giulia aparecem na organização do espaço, marcada pela valorização de jardins, gramados e do terreno ao redor das casas.
Na reforma, essa preocupação foi mantida, sem transformar a propriedade em um complexo completamente diferente daquele que a família conhecia.
Ao aproveitar construções já existentes, as intervenções fizeram do próprio passado do sítio um elemento do novo negócio.
O celeiro antigo, antes restrito ao universo familiar, passou então a receber pessoas que não tinham qualquer ligação anterior com o endereço.
Nova atividade passou a integrar a rotina de Giulia Gam
Essa mudança de função também colocou Giulia em uma atividade diferente da carreira pela qual se tornou conhecida nacionalmente.
Embora tenha permanecido ligada à dramaturgia e ao teatro, a atriz passou a enxergar o sítio como uma possibilidade adicional de trabalho e renda, especialmente por se tratar de um empreendimento relacionado diretamente a um patrimônio presente em sua vida desde cedo.
O modelo prevê diferentes tipos de celebração, entre elas casamentos, aniversários, batizados e outros eventos privados.
Para isso, são utilizadas principalmente a estrutura recuperada do celeiro e as áreas externas da propriedade.
Mais do que criar apenas um imóvel para locação, a proposta aproveitou a configuração histórica do terreno como parte da experiência oferecida.
Memórias do avô permanecem na propriedade
Ao preservar diferentes elementos do sítio, a recuperação também manteve viva parte da memória do avô de Giulia.
A trajetória do engenheiro dinamarquês, a aquisição das terras e as escolhas arquitetônicas feitas ao longo da propriedade continuam presentes na maneira como o espaço é apresentado, enquanto fotografias antigas ajudam a registrar a relação da família com o endereço.
Uma nova geração também passou a fazer parte desse processo.
Theo Bial integrou essa etapa ao lado da mãe, participando da manutenção e da curadoria do espaço, o que criou uma continuidade familiar em torno de uma propriedade adquirida originalmente por seu bisavô.
Mesmo com a utilização profissional de parte do terreno, a casa principal mantém uma dimensão privada.
O vínculo familiar não desapareceu com o uso comercial, e a residência continua associada às memórias construídas por Giulia desde os primeiros anos de vida.
Hoje, o antigo celeiro ocupa o centro de uma transformação que combina conservação e nova utilização do patrimônio.
Uma construção preservada durante décadas passou a sustentar uma atividade profissional, enquanto o sítio permaneceu nas mãos da família que mantém relação com aquelas terras há gerações.
Entre vender definitivamente o terreno e encontrar uma maneira de manter suas construções ativas, Giulia escolheu preservar o espaço e adaptar parte dele para uma nova finalidade.
Se uma propriedade carregada de memórias pudesse ganhar outro uso sem apagar a própria história, o que você faria questão de preservar antes de transformá-la?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

