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Estudante lidera equipe que desenvolve próteses 3D de baixo custo para migrantes e refugiados na fronteira Tailândia-Mianmar, unindo engenharia, saúde e soluções sem eletrônica para pacientes vulneráveis
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 10/08/2026 às 06:21
Atualizado em 10/08/2026 às 06:26
Ciência e Tecnologia
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Estudante lidera por três anos próteses 3D para migrantes que fugiram de Mianmar, cruza engenharia e saúde na Tailândia e transforma tecnologia acessível em autonomia para pacientes vulneráveis
Uma experiência de verão no Sudeste Asiático levou a estudante Emese Elkind, da Queen’s University, a assumir um trabalho de longo prazo com próteses 3D voltadas a migrantes e refugiados atendidos na fronteira entre Tailândia e Mianmar.
Nos últimos três anos, Elkind passou a liderar estudantes de engenharia no desenvolvimento de soluções de tecnologia assistiva para pessoas que perderam membros e enfrentam barreiras de acesso à saúde. A iniciativa conecta a Queen’s University ao Burma Children Medical Fund (BCMF), organização sediada na Tailândia que atende comunidades vulneráveis próximas à fronteira com Mianmar.
Projeto de próteses 3D nasceu de uma parceria construída ao longo de quase duas décadas
Segundo a Queen’s University, a colaboração com o BCMF começou a ser construída há quase 20 anos, quando pesquisadoras da universidade passaram a participar de atividades de saúde no noroeste da Tailândia. O fundo apoia pessoas de comunidades carentes de Mianmar e da Tailândia que precisam chegar a tratamentos cirúrgicos e outros cuidados médicos no território tailandês.
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O projeto específico de impressão 3D foi lançado pelo BCMF em 2019, com apoio financeiro de um doador australiano e treinamento técnico da Thai Reach. Depois, pesquisadores da School of Computing da Queen’s levaram conhecimento de engenharia e ajudaram a estruturar oportunidades para que estudantes trabalhassem durante períodos de imersão junto à organização.
Elkind, estudante de biomedical computing, participou de uma dessas experiências em 2024. O contato direto com pacientes e com as limitações do atendimento local transformou a passagem de verão em um compromisso de vários anos. A partir daí, ela reuniu integrantes da Queen’s Biomedical Innovation Team, a QBiT, para atacar um dos problemas que ainda não tinha solução adequada.
Desafio era criar uma prótese acima do cotovelo sem depender de eletrônica difícil de manter
O BCMF já utilizava modelos abertos de próteses impressas em 3D para amputações abaixo do cotovelo, mas faltava uma alternativa acessível para pessoas com amputação acima dessa articulação. Esse tipo de equipamento precisa coordenar mais movimentos e muitos projetos disponíveis recorrem a componentes eletrônicos, que podem ser caros e difíceis de reparar em uma região com recursos limitados.
A equipe liderada por Elkind decidiu desenvolver uma solução movida pelo próprio corpo. Depois de sucessivas etapas de desenho e testes, o grupo criou um sistema de arnês capaz de acionar o cotovelo e os dedos sem motores, eletrônica ou robótica. A meta é oferecer uma prótese mais simples de manter, ajustável às necessidades de cada paciente e compatível com as condições de uso na fronteira.
Trabalhos apresentados pelo Perk Lab, da Queen’s, registram que o projeto do BCMF já havia fornecido próteses impressas em 3D a 76 pacientes desde 2019. Os pesquisadores também desenvolveram um punho intercambiável e continuaram refinando modelos acima do cotovelo, com testes de durabilidade, conforto e adaptação ao cotidiano dos usuários.
Reconhecimento em competições ajudou a devolver recursos ao atendimento dos pacientes
O desenvolvimento das próteses 3D também ganhou reconhecimento acadêmico. A equipe ficou em primeiro lugar no Student Design Challenge da Rehabilitation Engineering and Assistive Technology Society of North America, em 2025, e conquistou o segundo lugar em uma competição de tecnologias de saúde da Rice University no mesmo ano.
Parte das premiações foi destinada ao BCMF. De acordo com a Queen’s, metade do dinheiro recebido pela equipe foi doado à organização para apoiar cirurgias, serviços de tradução e moradia temporária de pacientes que precisam se deslocar para conseguir atendimento.
A parceria também envolve transferência de conhecimento. Estudantes ajudam a adaptar desenhos, interfaces e instruções de montagem, enquanto a equipe do BCMF fornece retorno sobre as necessidades reais de quem recebe as próteses. Essa troca reduz a distância entre um projeto universitário e um dispositivo que precisa funcionar todos os dias fora do laboratório.
Tecnologia assistiva ganha valor quando devolve movimento, trabalho e independência
Para quem depende do próprio trabalho para sustentar a família, recuperar parte da mobilidade pode mudar atividades básicas, deslocamentos e capacidade de exercer uma profissão. Esse impacto humano orienta a escolha por equipamentos duráveis e úteis, em vez de soluções sofisticadas que não possam ser mantidas localmente.
O BCMF informa em seus relatórios que segue oferecendo apoio médico e serviços complementares a migrantes e refugiados na região de fronteira. A organização também ampliou ao longo dos anos o suporte a pacientes com outras necessidades de mobilidade e reabilitação, mantendo a produção de próteses como uma das frentes de atendimento.
Elkind se prepara para iniciar um mestrado e deve assumir uma função de aconselhamento sênior no projeto. A continuidade foi organizada para que novos estudantes da Queen’s e da QBiT assumam responsabilidades progressivamente, preservando a parceria com o BCMF e o desenvolvimento de soluções de baixo custo.
O avanço da equipe mostra como impressão 3D, engenharia biomédica e colaboração internacional podem se encontrar em um objetivo muito concreto: devolver autonomia a pessoas que enfrentam conflito, deslocamento e acesso limitado à saúde. Acompanhe o CPG para mais histórias de ciência e tecnologia aplicadas a problemas reais.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

